ter, 8 setembro 2026 11:13
Uma década formando o futuro da Medicina Veterinária
Nos 10 anos do curso de Medicina Veterinária, a Universidade de Fortaleza celebra uma trajetória marcada pela ampliação da infraestrutura e por experiências que aproximam os estudantes da realidade da profissão no mercado de trabalho desde os primeiros semestres, unindo excelência e inovação com sensibilidade na atenção veterinária

Quando a primeira turma de Medicina Veterinária da Universidade de Fortaleza (Unifor), vinculada à Fundação Edson Queiroz, começou a graduação, há dez anos, iniciava-se também uma trajetória de crescimento que acompanharia o desenvolvimento do curso.
De lá para cá, a graduação amadureceu, atualizou a matriz curricular, modernizou equipamentos, ampliou e qualificou laboratórios e incorporou novos espaços para as atividades práticas. Neste 9 de setembro, Dia do Médico-Veterinário, a Unifor comemora a primeira década do curso e os cinco anos do Complexo de Medicina Veterinária com uma formação reconhecida pela excelência.
“O perfil que buscamos formar é o de um profissional generalista, com uma visão ampla da medicina veterinária e preparado para atuar nas diferentes áreas previstas para a profissão. A formação oferece contato com clínica e cirurgia de pequenos e grandes animais, produção animal, reprodução, diagnóstico, saúde pública, animais silvestres, pesquisa, gestão e outras possibilidades de atuação”, resume o coordenador do curso, César Fernandes.
Nesta perspectiva, uma infraestrutura de ponta foi planejada e construída para aproximar os alunos da prática profissional desde os primeiros semestres, tendo como um dos principais marcos a criação do Complexo de Medicina Veterinária, que reúne clínicas para pequenos e grandes animais, centro cirúrgico, setor de diagnóstico por imagem e laboratórios especializados.
No próprio campus, os estudantes também contam com uma fazenda-escola, onde acompanham a criação e o manejo de diferentes espécies e atividades ligadas à produção, reprodução, nutrição e sanidade animal. A experiência se completa com oportunidades em pesquisa, extensão, monitoria, ligas acadêmicas e grupos de estudos, além do acompanhamento de casos reais e da participação em ações voltadas à comunidade.
Dez anos depois da criação do curso, os resultados dessa formação se destacam na trajetória de alunos e egressos, preparados para seguir os diferentes caminhos da profissão e atuar em um mercado cada vez mais diversificado e especializado.
Da primeira turma ao próprio negócio
Rafael Bessa e a Unifor deram juntos os seus primeiros passos na área de Medicina Veterinária. Aluno da primeira turma do curso, ele trocou a graduação em Ciências da Computação pelo desejo de profissionalizar um interesse antigo: o cuidado com os animais. Mas fazer parte da turma pioneira trouxe uma experiência particular para Rafael, que foi acompanhar o desenvolvimento da graduação enquanto avançava na própria formação.
“Foi um prazer enorme [integrar a primeira turma de Medicina Veterinária], sem contar que foi muito desafiador também, pois a estrutura do curso foi montada de acordo com o que a turma ia evoluindo”, recorda o egresso.
Ele conta que, quando entrou no curso, imaginava um futuro profissional ligado aos grandes animais, especialmente cavalos. A experiência com diferentes campos da medicina veterinária, porém, mudou seus planos e ele decidiu direcionar a carreira para os pequenos animais.
Formado há cerca de cinco anos, Rafael hoje atua como clínico geral de cães e gatos, realizando consultas, vacinação, coleta de materiais para exames laboratoriais e administração de medicamentos. O interesse pela área continua conduzindo sua formação: atualmente, ele cursa pós-graduação em cardiologia.
Antes mesmo de ingressar no curso da Unifor, Rafael já tinha um petshop no Eusébio. Quando se formou em Medicina Veterinária, ele conta que teve a sorte de conseguir um empréstimo com o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) para abrir uma clínica no município, unindo a experiência que já possuía como empreendedor à formação em veterinária.
A Unifor o ajudou a estruturar melhor o negócio. “Durante o curso, teve uma disciplina de empreendedorismo, na qual teríamos que montar um negócio e passar a administrá-lo mesmo. Isso ajudou muito”, explica o egresso.
Ele afirma que o curso da Universidade oferece um ensino que faz o estudante pensar, além de se preocupar em oferecer cadeiras de gestão de pessoas e negócios, que ajudam muito no processo de quem deseja empreender.
Outro aprendizado que levou para a rotina profissional foi a importância das relações humanas. Atender um animal também exige saber ouvir e compreender seu tutor, habilidade essencial para obter informações sobre o paciente e conduzir o atendimento.
“O principal diferencial [do curso de Medicina Veterinária da Unifor] foi a metodologia, o cuidado e o respeito com os alunos. Tínhamos aulas que exigiam a participação e o pensamento da gente, em vez de ficarmos só assistindo às aulas, como nos métodos tradicionais.” — Rafael Bessa, egresso da primeira turma de Medicina Veterinária da Unifor
Da sala de aula à rotina cirúrgica: amplitude na formação
Guilherme Cabral sempre sentiu uma forte conexão com os animais. Foi isso que o levou a se matricular no curso de Medicina Veterinária, onde mergulhou em uma área capaz de unir o cuidado com a saúde humana, a saúde animal e a preservação do meio ambiente.
“Entendi que ser médico veterinário não significava apenas cuidar de animais, mas fazer parte de uma profissão essencial para a promoção da saúde e do equilíbrio entre seres humanos, animais e o ambiente em que vivemos”, afirma.
A escolha pela Unifor veio especialmente por conta do Complexo de Medicina Veterinária e, consequentemente, a oportunidade de vivenciar, em um só lugar, diferentes áreas da profissão. “Acredito que essa experiência contribui não apenas para uma formação técnica mais completa, mas também para que eu possa descobrir, na prática, as áreas com as quais mais me identifico e me preparar melhor para o futuro profissional”, afirma o aluno.
Guilherme diz que a Unifor lhe possibilitou vivenciar a medicina veterinária por inteiro. “Já tive vivências com clínica e cirurgia de cães e gatos, animais silvestres, animais de fazenda, animais de laboratório, formulação e análise de alimentos para animais, diagnóstico por imagem, exames laboratoriais e até inspeção e qualidade de produtos de origem animal”, enumera.
Guilherme tem aproveitado tudo o que pode da experiência acadêmica. Desde os primeiros semestres, o aluno se aproximou da docência e participou por dois anos no Encontro de Iniciação à Docência, primeiro como monitor da disciplina de Anatomia e Histologia Veterinária e, depois, de Patologia Geral. Em sua última monitoria, teve o trabalho de conclusão premiado em primeiro lugar entre os monitores do Centro de Ciências da Saúde (CCS).
A experiência despertou o interesse pela pesquisa e abriu uma nova frente na graduação: durante outros dois anos, foi bolsista de iniciação científica pelo PROBIC/Fundação Edson Queiroz, participando de projetos nas áreas de parasitologia veterinária e cirurgia de cães e gatos.
A extensão e a liderança acadêmica completaram esse percurso. Como presidente da Liga Acadêmica de Processos Patológicos e Patologia Cirúrgica (LAPPAVET), Guilherme participou da organização de eventos, palestras e ações de educação em saúde, em uma experiência que também exigiu liderança, organização, comunicação e trabalho em equipe.
Atualmente, o aluno faz estágio na área de clínica cirúrgica de cães e gatos. “Tem sido uma experiência muito importante para minha formação, porque me permite acompanhar de perto a rotina cirúrgica, desde a avaliação e preparação do paciente até o procedimento e o período pós-operatório”, ressalta. Esse contato com a prática acrescenta responsabilidade, atenção aos detalhes, trabalho em equipe e tomada de decisões ao conhecimento desenvolvido durante o curso.
“As experiências com diferentes áreas, especialmente a clínica, a cirurgia, a pesquisa, a docência e a extensão, ampliaram muito minha visão sobre o papel do médico-veterinário. Hoje, entendo que ser veterinário também é pesquisar, prevenir doenças, produzir conhecimento, promover saúde e contribuir para a sociedade. A Universidade não apenas confirmou minha escolha pela profissão, mas também me mostrou o profissional que quero me tornar.” — Guilherme Cabral, aluno do curso de Medicina Veterinária
Para Guilherme, que está no 9º semestre da graduação, os dez anos do curso de Medicina Veterinária e os cinco anos do Complexo de Medicina Veterinária da Unifor representam uma história de crescimento, evolução e compromisso com a formação de profissionais cada vez mais preparados.
“Ao longo dos quatro anos em que estive presente, pude acompanhar de perto o curso crescer e multiplicar as oportunidades oferecidas aos alunos, ampliando as possibilidades de aprendizado, pesquisa, extensão e vivência prática. Mais do que celebrar números, acredito que esse aniversário representa a consolidação de um compromisso com a formação de excelência e, principalmente, com a saúde e o bem-estar animal”, declara.
Prática desde os primeiros semestres
Em 2025, Fernanda Lima se matriculou no curso de Medicina Veterinária movida pelo desejo de cuidar dos animais e ajudá-los — especialmente os que vivem nas ruas. Impressionada com a estrutura oferecida pela Unifor, ela contabiliza diversas experiências apesar de ainda estar no terceiro semestre e mostra a importância do contato com a prática desde o início da formação: das aulas práticas à participação em ligas acadêmicas e estágio.
Fernanda conta que estagia atualmente no PetSanus, onde vivencia a clínica de pequenos animais e patologia clínica. Na prática, ela participa das consultas, ajudando na contenção ou só escutando e prestando atenção em como se faz uma consulta. Também auxilia na internação, administrando medicações sob supervisão do médico veterinário. Além disso, já auxiliou em uma cirurgia, também ajuda no laboratório e acompanha exames como ultrassom e raio-X.
“Tem sido uma verdadeira experiência na clínica. Por mais que não seja uma área que eu queira seguir, é sempre bom vivenciar um pouco de tudo para, no futuro, a gente estar preparado para fazer uma consulta ou uma coleta de sangue. Sempre é uma correria, mas acho bom para saber lidar com situações de emergência, vivenciar a parte do laboratório (particularmente, eu amo essa parte) para ver como realmente é e, como é uma área que eu gosto, ver se eu realmente me identifico”, conta.
A aluna também diz que tem sido importante aprender como lidar com os tutores em situações de estresse, ter a experiência de como é uma cirurgia e de como é o internamento. “Por mais que eu ainda não entenda muito, os profissionais são ótimos e explicam bastante coisa, e tem coisas que consigo associar com o que estudei na prática. Então, eu estou amando fazer esse estágio”, avalia.
Para complementar a formação, Fernanda também decidiu participar do processo seletivo da Liga Acadêmica de Processos Patológicos e Patologia Cirúrgica (LAPPAVET), tendo sido aprovada. “Como é recente, eu ainda não vivenciei muita coisa, mas estou com bastante expectativa de que vai ser uma ótima experiência e cheia de aprendizado, porque as professoras orientadoras são excelentes. Então, tenho certeza de que vai ser incrível”, diz, ansiosa.
A aluna afirma que ter um Complexo de Medicina Veterinária que abrange diversos animais e experiências práticas têm ampliado sua visão sobre o curso que escolheu. “Vejo que é uma área que abrange muito mais do que todo mundo pensa: o veterinário está por trás de tantas coisas, está no SUS, na inspeção de alimentos, entre outros. Me mostrou o zelo, o cuidado e a responsabilidade que temos se quisermos ser bons médicos veterinários”, afirma a aluna, que costuma usar intensamente a Biblioteca Central da Unifor para estudar.
“É maravilhoso ter uma estrutura incrível como a da Unifor. Os laboratórios, as salas e a estrutura ajudam e muito na formação. Vivenciamos muitas coisas graças à estrutura que temos, porque não precisamos nos deslocar para outro canto para ter prática; literalmente, temos os animais do nosso lado. O que eu mais gosto é poder ver os animais todos os dias quando vou para lá. Acho que isso contribui porque sempre estamos em contato com eles e com as práticas.” — Fernanda Lima, aluna do curso de Medicina Veterinária
Para a estudante, que está no 3º semestre, o curso deve celebrar sua evolução na última década por ter conseguido construir um ambiente que dá oportunidades e excelente conhecimento para os alunos. “Celebrar pelos excelentes profissionais que formaram e pelos que estão começando agora; e pelos vínculos e memórias que cada um que já passou pelo curso e pelo Complexo criou e levará pelo resto da vida”, sugere.
Estrutura e prática a serviço da formação
A primeira década do curso de Medicina Veterinária da Unifor é marcada pelo seu amadurecimento, com uma formação teórica combinada à experiência prática, cada vez mais próxima da rotina profissional. O coordenador César Fernandes afirma que a Unifor tem buscado oferecer ao estudante todas as condições necessárias para uma formação profissional sólida e alinhada às demandas da medicina veterinária contemporânea.
“Isso envolve um corpo docente qualificado e atuante, uma matriz curricular estruturada e atualizada e uma infraestrutura que permite ao aluno vivenciar, desde o início da graduação, diferentes situações da prática profissional”, salienta. A proposta, segundo o docente, é formar profissionais preparados para tomar decisões, atuar de forma ética e acompanhar as transformações de um mercado cada vez mais amplo e especializado.
Foi nesta perspectiva que foi inaugurado, há cinco anos, o Complexo de Medicina Veterinária: uma estrutura completa, pensada para que o estudante tenha contato com diferentes áreas da profissão ainda durante a graduação. O espaço conta com:
- clínicas para pequenos e grandes animais,
- centro cirúrgico amplo e moderno,
- setor de diagnóstico por imagem,
- laboratórios específicos para análises clínicas, bromatologia, histopatologia e reprodução.
“O aluno não fica restrito a uma situação simulada de aprendizagem. Ele pode acompanhar a rotina de uma clínica, observar a relação com o tutor, participar de procedimentos, acompanhar casos, vivenciar a rotina cirúrgica e ter contato com diferentes espécies e áreas de atuação”, explica César.
Ele acrescenta que essa proximidade com a realidade profissional contribui para que o estudante desenvolva conhecimento técnico, postura profissional, capacidade de tomada de decisão e segurança para atuar depois da graduação.
Os atendimentos realizados no Complexo de Medicina Veterinária, que agora contam com serviços de diagnóstico, têm uma importância que vai além da formação acadêmica. Eles também cumprem um papel social ao oferecer serviços veterinários de qualidade a preços mais acessíveis à população.
“Ao mesmo tempo em que a comunidade tem acesso a atendimento, os estudantes têm a oportunidade de acompanhar casos reais, sempre dentro da estrutura de supervisão e orientação dos professores e profissionais responsáveis”, pontua o coordenador César.
A estrutura da Unifor também inclui uma fazenda-escola, com criação e manejo de caprinos, ovinos, bovinos, equinos e aves, além de uma estrutura para produção de alimentação animal, tudo isso no próprio campus, evitando deslocamentos longos e aumentando a frequência e qualidade das aulas práticas.
“A fazenda-escola tem um papel muito importante porque permite ao aluno acompanhar de perto a produção animal, o manejo, a reprodução, a nutrição, a sanidade e as diferentes relações entre o médico veterinário e o setor produtivo. Essa diversidade de ambientes torna a formação muito mais completa e próxima da realidade profissional”, explica César.
Além disso, a Unifor oferece uma série de oportunidades que complementam a formação, como as ligas acadêmicas, os grupos de estudos, projetos de extensão e eventos que já fazem parte do calendário do curso, como simpósios, workshops e outras atividades científicas e profissionais.
Uma ação relevante do curso é a parceria com o Instituto Pro Silvestre, que possibilitou a destinação de um espaço no Complexo para funcionar como área de quarentena para animais silvestres resgatados, inclusive animais provenientes do tráfico. Nesse espaço, os animais recebem os cuidados necessários e permanecem em acompanhamento até que estejam aptos para seguir para as próximas etapas do processo de reabilitação e soltura.
“É uma ação de grande relevância ambiental e social, mas também possui um importante componente acadêmico. Ela permite que nossos estudantes tenham contato com a medicina de animais silvestres e acompanhem situações que dificilmente seriam reproduzidas em sala de aula. A liga acadêmica voltada à área também participa dessas atividades, ampliando as oportunidades de aprendizado e de atuação prática”, explica César.
O docente pontua que as diversas experiências práticas ao longo do curso formam profissionais que conhecem a amplitude da profissão e têm condições de escolher o caminho que melhor corresponda aos seus interesses e ao seu projeto profissional.
“Por isso, encontramos nossos egressos em diferentes frentes: clínicas e hospitais veterinários, propriedades rurais, empresas do setor agropecuário, laboratórios, órgãos públicos, instituições de pesquisa, programas de residência e pós-graduação, além do empreendedorismo, que também tem sido um caminho importante para muitos profissionais”, considera.
“Temos muito a celebrar. São dez anos de um curso que amadureceu, se consolidou e vem formando profissionais que hoje ocupam diferentes espaços no mercado de trabalho. Nossos egressos estão atuando na clínica, na cirurgia, na produção animal, na saúde pública, no diagnóstico, na pesquisa, na docência, no empreendedorismo e em diversas outras áreas da medicina veterinária.” — César Fernandes, coordenador e docente do curso de Medicina Veterinária
Segundo o coordenador, a presença da Unifor contribuiu para ampliar as possibilidades de formação em Medicina Veterinária no Ceará, especialmente pela proposta de integrar uma estrutura universitária de excelência a uma formação fortemente voltada para a prática profissional.