Pesquisa Unifor: estudo cria sistema inteligente para monitoramento remoto de pacientes hospitalizados
seg, 23 fevereiro 2026 16:18
Pesquisa Unifor: estudo cria sistema inteligente para monitoramento remoto de pacientes hospitalizados
Desenvolvida por docentes, alunos e egressos da Universidade de Fortaleza, o SENTINELA serve de apoio para equipes hospitalares no acompanhamento contínuo de pacientes internados

Garantir o acompanhamento contínuo de pacientes internados pode ser considerado um dos maiores desafios para o sistema de saúde, principalmente em ambientes de alta demanda, como nas unidades de terapia intensiva (UTIs).
A partir disso, professores, alunos e egressos da Universidade de Fortaleza, mantida pela Fundação Edson Queiroz, em parceria com o Instituto Dr. José Frota (IJF) e com o apoio da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap), desenvolveram o SENTINELA (Sistema Inteligente para Monitoramento Remoto de Pacientes Hospitalizados).
Coordenado pela professora do Programa de Pós-Graduação em Informática Aplicada (PPGIA) da Unifor e coordenadora do GIRA Lab, Andréia Formico, o projeto propõe uma uma solução inteligente e não invasiva para monitoramento a distância de pacientes em leitos hospitalares.
O sistema funciona a partir de um cyber device acoplado a monitores multiparamétricos — equipamento usado para monitorar os sinais vitais do paciente — já existentes nos leitos.
Esses dados são processados por um sistema de arquitetura de micro serviços, que garante escalabilidade e alta disponibilidade para o processamento de grandes volumes de dados. Com o uso de tecnologias de visão computacional (que permitem ao sistema “ler” imagens), o SENTINELA gera alertas que auxiliam a equipe de saúde na priorização de atendimentos.
SENTINELA: uma nova visão para o monitoramento hospitalar
A professora Andréia afirma que, atualmente, o monitoramento hospitalar é realizado por meio da observação presencial da equipe, checagens periódicas e alarmes emitidos pelos próprios monitores instalados nos leitos, o que pode apresentar limitações.
“As principais limitações [do monitoramento tradicional] são: dependência de presença constante, sobrecarga de trabalho, tempo de resposta variável, além de ruídos como fadiga de alarmes e dificuldade de consolidar rapidamente informações de muitos leitos ao mesmo tempo. Isso pode levar a atrasos na identificação de deterioração clínica e a maior risco de eventos adversos” — Andréia Formico, professora do Programa de Pós-Graduação em Informática Aplicada e coordenadora do GIRA Lab
A docente destaca que, ao combinar monitoramento remoto, arquitetura escalável e inteligência computacional, o projeto contribui para inovação aplicada e para a adoção de tecnologias que podem melhorar processos assistenciais, com potencial de impacto em hospitais públicos e unidades de alta complexidade.
Com a tecnologia do SENTINELA, essas limitações vistas atualmente em ambientes hospitalares tendem a diminuir, como afirma o egresso do mestrado do PPGIA, Eduardo Dutra. “O sistema cria uma espécie de 'caixa-preta' digital da evolução do paciente. Isso permite que a equipe médica visualize a tendência de deterioração ao longo do tempo, e não apenas o evento agudo”, explica ele, que faz parte da equipe de pesquisa.
Contribuição dos pesquisadores
Segundo o também egresso do Programa de Pós-graduação em Informática Aplicada, Pedro Linhares, o projeto de pesquisa tem um grande potencial de melhorar o atendimento hospitalar intensivo ao disponibilizar as métricas dos monitores de maneira segura, com baixo esforço para instalação e configuração e relação de custo equilibrada.
Pedro afirma que, para ele, participar na pesquisa lhe permitiu uma valiosíssima experiência com uma equipe multidisciplinar num contexto de alta relevância para sociedade. “O projeto, seus objetivos e a interação com a equipe me serviram de combustível para motivar meus estudos e proporcionou uma experiência de aprendizado que cruzou as fronteiras da academia e do mercado”, completa.
Eduardo também ressalta o impacto da experiência em sua formação profissional. “O desafio no SENTINELA foi tratar dados ruidosos e imperfeitos do mundo real. Essa vivência consolidou minha capacidade de criar soluções de visão computacional que sejam robustas e generalizáveis e não apenas teóricas”, compartilha.
Parceria com IJF e apoio da Funcap
Segundo Andréia, a parceria com o Instituto Dr. José Frota surgiu da necessidade de desenvolver e validar a pesquisa em um cenário real de assistência, aproximando a solução dos fluxos clínicos e das necessidades da equipe. “A estruturação envolveu alinhamento de objetivos, definição de requisitos, desenho do fluxo de dados e organização das etapas de desenvolvimento e validação”, afirma.
O projeto contou também com o apoio da Funcap, por meio do Edital Mulheres na Ciência (01/2022), que foi decisivo para viabilizar infraestrutura, recursos e continuidade do desenvolvimento, permitindo o projeto avançar de um conceito a um produto de pesquisa aplicado.
Fase atual e próximos passos
O SENTINELA encontra-se em fase de protótipo avançado, com arquitetura e modelos auto-adaptativos implementados e sistema de alertas operacionais, além de ter sido descrito e publicado em duas conferências internacionais de referência na área: 12th International Conference on Serious Games and Applications for Health (SeGAH 2024), realizada em Funchal, Portugal, e 22nd IEEE International Conference on Software Architecture (ICSA 2025), realizada em Odense, na Dinamarca.
Até o momento, o projeto já passou por validação técnica e testes preliminares focados no funcionamento do cyber device e no reconhecimento das informações exibidas nos monitores hospitalares. A equipe agora prepara a renovação junto ao Comitê de Ética para ampliar as validações em campo, incluindo novos testes na Unidade de Terapia Intensiva do IJF.
Entre os próximos passos estão a ampliação dos testes em cenários reais, o aprimoramento da usabilidade para a prática clínica, a geração de análises de desempenho e o planejamento de integração com sistemas hospitalares, além de novas publicações científicas e preparação para futura transferência tecnológica. Por fim, Andréia destaca que, com o uso do equipamento, o objetivo é apoiar a equipe de monitoramento, sem substituir a avaliação médica.
Além da professora Andréia Formico, a equipe de pesquisa também contou com a participação dos seguintes integrantes:
- Eduardo Dutra, mestre pelo PPGIA
- Pedro Linhares, egresso do PPGIA
- Herbert Rocha, professor da Unifor e doutorando no PPGIA;
- Nabor Mendonça, professor do PPGIA;
- Pablo Guedes, egresso do curso de Ciência da Computação;
- Pedro G. Wanderley, aluno do curso de Ciência da Computação;
- Raphael Cavalcanti, egresso do curso de Engenharia Elétrica;
- Marza Zaranza, médica intensivista do IJF.
Esta notícia está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), contribuindo principalmente para o alcance do ODS 3 – Saúde e Bem-Estar e do ODS 9 – Indústria, Inovação e Infraestrutura.