seg, 18 maio 2026 12:26
Entrevista Nota 10: Bruno Formiga, rumo à primeira Copa do Mundo pelo Grupo Globo
Jornalista formado pela Unifor compartilha a expectativa de viver o Mundial in loco, opina sobre a Seleção Brasileira e elege a final da Champions de 2022 como cobertura mais marcante

“A realização de uma vida inteira de trabalho”. É assim que o jornalista Bruno Enderson Nogueira da Silva, o Bruno Formiga — apelido herdado da infância — define a missão de cobrir in loco a Copa do Mundo 2026 pelo Grupo Globo. De graduado em Jornalismo à comentarista esportivo admirado nacionalmente, ele acumula 20 anos de profissão e viverá, pela primeira vez, o Mundial fora do Brasil.
Bruno foi contratado pela Globo em agosto do ano passado para ocupar o posto de principal comentarista da ge tv, canal digital com foco em eventos esportivos ao vivo e que transmitirá a Copa pela Globoplay. Além das transmissões, o cearense integra o programa “Tropa GE TV”, no qual comanda o quadro “Formiga vs 10”. Na atração, ele debate contra amantes do futebol sobre temas polêmicos.
Antes do Grupo Globo, o jornalista trabalhou por 13 anos na TNT Sports (antiga TV Esporte Interativo). Foi na emissora que apresentou a sua marca para o Brasil: análises baseadas em conhecimento tático, estatístico e histórico. Formiga também trabalhou na TV Cidade e no O Povo.
Às vésperas de cobrir a Copa do Mundo, Bruno Formiga esteve, no início de maio, na Universidade de Fortaleza (Unifor), instituição mantida pela Fundação Edson Queiroz, para ser o primeiro entrevistado do “Arquibancada”, novo videocast produzido pela TV Unifor. Durante a passagem pela sua cidade natal, participou ainda do FutPro Expo 2026, uma feira de negócios sobre o ecossistema do futebol brasileiro.
Em sua visita à Unifor, Bruno conversou com a Entrevista Nota 10. Na ocasião, compartilhou a expectativa de viver a Copa do Mundo in loco, projetou a Seleção Brasileira no Mundial e revelou qual cobertura mais lhe marcou.
Confira na íntegra a seguir.
Entrevista Nota 10 — Bruno, você vai cobrir a sua sexta Copa do Mundo, mas a primeira no time do Grupo Globo. Cobertura in loco em uma nova casa… Essa combinação desperta um sentimento diferente, causa ansiedade?
Bruno Formiga — É a realização de uma vida inteira de trabalho. Não parei muito pra refletir sobre porque, aí sim, vem a ansiedade. Estou tentando levar como consequência de uma carreira de 20 anos. Cobrir a Copa na Globo é o auge da carreira e uma honra, mas tem uma responsabilidade gigantesca aí. Muita cobrança externa, e qualquer coisa que você fala toma proporções enormes.
Entrevista Nota 10 — A Copa 2026 tem o maior número de participantes da história. E isso é desafiador para o jornalista, pois requer conhecimento sobre mais países, e o estudo transcende o futebol, já que envolve, por exemplo, história e cultura. Como se prepara em relação a isso? E o que espera da cobertura feita pela imprensa brasileira?
Bruno Formiga — A preparação acontece durante o ciclo inteiro. Futebol é uma constante. Leio jornais locais e acompanho produtores e jornalistas para entender o contexto de cada seleção. Sobre a imprensa, vai ser a maior e mais plural cobertura de todas. Vai ter conteúdo para todos os gostos 24 horas por dia, e acho isso muito bom. Foco em debates, curiosidades, bastidores e, óbvio, os jogos.
Entrevista Nota 10 — Ainda sobre a Copa do Mundo, agora o assunto é Brasil. De acordo com uma pesquisa recente do Datafolha, apenas 29% da população acredita no hexa — menor número índice da série histórica, considerando que o estudo é feito desde 1994. A desconfiança se explica pelo jejum de 24 anos sem título e pelo ciclo conturbado. Dado o histórico recente do Brasil e o nível de outras seleções como França, Espanha e Argentina, qual a sua projeção para nossa Seleção na Copa?
Bruno Formiga — A desconfiança se justifica pelo ciclo confuso, como destacou na pergunta. Há seleções melhores e isso é inegável. Mas o Brasil tem destaques individuais de vários times do mundo, como Alisson (Liverpool), Casemiro (Manchester United), Raphinha (Barcelona) e Vini Jr. (Real Madrid). Talento não falta. Além disso, temos o (Carlo) Ancelotti, o mais renomado… o melhor técnico da Copa do Mundo. Espero, no mínimo, quartas. Daí pra frente é difícil prever, depende do cruzamento.
Entrevista Nota 10 — O Ancelotti anuncia a convocação nesta segunda, e a novela é se o Neymar vai ou não para a Copa. Bruno, eis a grande pergunta: convocar ou não?
Bruno Formiga — Se eu fosse apostar ficha, eu acho que ele não vai. Mas considero que ele deve ir, porque, num elenco de 26, tem vários caras que nem jogam, e você tem uma peça como o Neymar para jogar 15, 20, 30 minutos. Então, se é para ter sobra, eu prefiro ter o Neymar do que o Igor Thiago, o Igor Jesus… Enfim, outros caras que são muito bons, mas que talvez o adversário olhe diferente.
Ele está no auge da forma física? Não. Mas o que ele pode entregar hoje, eu acho que ainda é útil para um contexto específico e num alto nível vai puxar ele para cima, coisa que o Santos hoje não consegue fazer. Eu entendo quem acha que não deve ir, principalmente por conta da questão física. Se o Ancelotti não levar, vai estar protegido pelos argumentos que ele usou.
Entrevista Nota 10 — Você está na ativa há duas décadas e já cobriu in loco finais de Liga dos Campeões, Copa do Nordeste, Campeonato Cearense, Paulista… Entre tantos momentos, qual a cobertura mais marcante da sua vida?
Bruno Formiga — A final da Champions League de 2022, que o Real Madrid venceu o Liverpool por 1 a 0 com gol do Vini Jr, em Paris. Foi a minha primeira final de Champions in loco, estávamos saindo da pandemia e coroou um momento muito bom que eu vinha vivendo. Tudo mudou a partir dali.
Entrevista Nota 10 — Bruno, você conta que em 2012 saiu de Fortaleza em busca de crescimento profissional e hoje é um dos jornalistas mais conhecidos do Brasil, com quase 1 milhão de seguidores no Instagram. O que passa pela tua cabeça quando para pra olhar a sua história, e de que forma a Unifor contribuiu para a sua realização profissional?
Bruno Formiga — Eu nunca sonhei muito com medo de me frustrar. Mas, internamente, parece que sempre tive a certeza que ia dar certo. A Unifor me conectou com pessoas, me mostrou uma estrutura maravilhosa e professores que abriram meus olhos. Além de eu ter conhecido minha esposa aí, o que foi fundamental pra me encorajar a tentar, arriscar e sair de cara para o mundo.