angle-left Exposição sobre Santos-Dumont poderá ser vista no Espaço Cultural Unifor até 13 de janeiro

Sex, 7 Dezembro 2018 17:50

Exposição sobre Santos-Dumont poderá ser vista no Espaço Cultural Unifor até 13 de janeiro

Entrando no espaço expositivo, o público encontra documentos, objetos e imagens conservadas por ele próprio e herdadas por membros de sua família (Foto: Ares Soares)
Entrando no espaço expositivo, o público encontra documentos, objetos e imagens conservadas por ele próprio e herdadas por membros de sua família (Foto: Ares Soares)

A população de Fortaleza e os turistas que visitam a capital cearense terão mais 35 dias para conferir a exposição “Santos-Dumont na Coleção Brasiliana Itaú”, em cartaz no Espaço Cultural Unifor, localizado no prédio da Reitoria da Unifor. É que a Fundação Edson Queiroz resolveu prorrogar de 9 de dezembro para 13 de janeiro o último dia para visitação à parte do acervo do Pai da Aviação.

Vários aspectos da personalidade de Alberto Santos-Dumont, praticamente esquecidos pela repercussão do aeroplano 14 Bis – cujo primeiro voo acaba de completar 110 anos – podem ser vistos na exposição “Santos-Dumont na Coleção Brasiliana Itaú”. 

Inventor do aparelho aéreo mais pesado que o ar, primeiro a alçar voo sem a necessidade de rampa para lançamento. Nas “fotos oficiais”, um homem sisudo, de colarinho alto e chapéu panamá amassado.

Mas Alberto Santos-Dumont foi muito mais que isso. Um bon vivant risonho, que conviveu com nobres, artistas e grandes inventores. Um inventor determinado, que inovou em áreas além da aviação. Um homem melancólico e com destino trágico, profundamente desapontado com os usos bélicos de seu maior invento.

“Orgulhosamente, um brasileiro concretizou o sonho de milhões de pessoas pelo mundo. Não do modo poético, com asas de Ícaro, mas por meio de modelos que envolvem muito mais engenharia. E foi com a mente nas nuvens e as mãos firmes na terra que Santos-Dumont projetou, construiu e fez voar o primeiro avião do mundo”, destaca Lenise Queiroz Rocha, presidente da Fundação Edson Queiroz.

Com mais de 500 peças, a curadoria é da jornalista Luciana Garbin e do Itaú Cultural. A linha curatorial se sustenta em pilares que marcam a trajetória do inventor, como inovação, ciência e empreendedorismo. Um dos destaques da mostra é a réplica, em tamanho original, da aeronave Demoiselle, considerada sua obra-prima.

“A mostra sobre Santos-Dumont identifica-se profundamente com a Universidade de Fortaleza não só pelo aspecto cultural, mas sobretudo em vista da trajetória desse grande inventor brasileiro, pautada pela ciência, inovação e empreendedorismo, pilares que também fazem parte da atuação da Unifor”, afirma o professor Randal Pompeu, Vice-Reitor de Extensão da Unifor.

Perfil múltiplo

Além de “pai da aviação”, Santos-Dumont foi esportista, designer e um criador de tendências no modo de vestir e usar o chapéu, uma de suas marcas registradas. Também são expostas criações até hoje pouco conhecidas do público, como o Conversor Marciano, que servia para ajudar esquiadores a subir as montanhas nevadas. O nome vem de sua ideia de reproduzir a gravidade de Marte e reduzir o peso.

São de sua invenção ainda um dispositivo de tração para o coelhinho que serve de chamariz em corridas de galgos – raça de cães considerada a mais rápida do mundo. E o Canhão Paradoxal, uma espécie de catapulta para lançar boias salva-vidas para banhistas que estivessem em perigo no mar. Entre as fotos exibidas, duas são do criador testando o Canhão Paradoxal em uma praia.

Muitas dessas imagens eram transformadas em cartões-postais, um dos modismos da época, ao qual o próprio Dumont aderiu com fervor e cuja coleção será apresentada. Entre eles, o visitante pode ver uma série de cartões carinhosos e saudosos enviados para uma moradora de Fortaleza, Hersilia Burlamaqui Freire, moradora da Rua Formosa, 59, por um admirador, identificado como Heitor.

Acessibilidade

Uma das preocupações da mostra é garantir o acesso pleno a pessoas com necessidades especiais. Ao entrar, o visitante encontra uma porta de hangar, onde faz o check-in, responde a três perguntas sobre seus conhecimentos a respeito de Santos-Dumont e recebe uma espécie de cartão de embarque, com uma gravura extraída de um antigo jornal com o retrato dele. O “passageiro” pode levar o bilhete para casa, que também tem impressão em braile.

Tablets, adaptados tanto para videntes quanto para cegos, disponibilizam capas de jornais e reportagens nacionais e estrangeiras, da própria coleção de Dumont para que o visitante possa folheá-los eletronicamente. O material impresso, como livros e documentos, ficará também disponível em braile. Um funcionário com deficiência visual orienta o público e auxilia os leitores. Ainda sobre os recursos de acessibilidade, todos os audiovisuais possuem tradução simultânea em Língua Brasileira de Sinais (Libras).

Sobre o homenageado

Alberto Santos-Dumont nasceu em 20 de julho de 1873 no Sítio Cabangu, localizado em Palmira (MG), na Serra da Mantiqueira. Em 1879, ele foi viver com a família em Ribeirão Preto (SP), onde o pai tornou-se “rei do café” e ele mesmo começou a descobrir a mecânica nas máquinas rurais. Adulto, foi uma celebridade na França em uma época em que o país ditava a moda mundial e a Belle Époque imprimia novos modos de viver e pensar baseada no otimismo e progresso científico. Em 1932, ele morreu, triste, deprimido e sozinho, em um hotel no Guarujá.

Serviço

Mostra Santos-Dumont – Coleção Brasiliana Itaú
Com exibição em tamanho natural da aeronave Demoiselle
Visitação: Até 13 de janeiro de 2019
Aberto de terça a sexta-feira das 9h às 19h; e sábados e domingos, das 10h às 18h
Indicada para todas as idades
Local: Espaço Cultural Unifor (Av. Washington Soares, 1321, Edson Queiroz. Fortaleza, CE)
Acesso gratuito
Mais informações: (85) 3477.3319