seg, 9 fevereiro 2026 20:11
NOLT: novas formas de viver o envelhecimento transformam a carreira de pessoas 50+
New Older Living Trend (NOLT) ganha força ao mostrar que envelhecer não é sinônimo de pausa, mas de novos começos marcados por autonomia, aprendizado e protagonismo

Viver mais e melhor tem deixado de ser apenas um desejo para se tornar uma realidade cada vez mais presente. Nas redes sociais, nos espaços de formação, no mercado de trabalho e na vida cotidiana, cresce a presença de pessoas com mais de 50, 60 e até 70 anos que seguem ativas, autônomas e cheias de projetos.
Esse movimento, conhecido como New Older Living Trend (NOLT), propõe uma nova forma de enxergar o envelhecimento: não como um encerramento de ciclo, mas como uma etapa marcada por escolhas conscientes, reinvenção e protagonismo sobre a própria trajetória. Quem se identifica com o conceito se recusa a ser rotulado com estereótipos tradicionais de velhice, permanecendo visíveis e sendo protagonista da própria vida.
Além de ser uma tendência digital, o NOLT representa mudanças significativas na forma como a sociedade começa a entender o envelhecer. Pessoas maduras retornam às salas de aula em busca de novas graduações, reposicionam-se no mercado de trabalho, tornam-se empreendedoras e envolvem-se ativamente na vida social e cultural. Simultaneamente, esse movimento confronta estereótipos históricos que ligam a idade à improdutividade ou à diminuição da relevância social, promovendo discussões sobre etarismo, diversidade etária e inclusão.
Na Universidade de Fortaleza, instituição mantida pela Fundação Edson Queiroz, esse cenário se materializa na presença de estudantes com mais de 50 anos que decidem investir em uma nova formação acadêmica como estratégia de atualização, autonomia e continuidade de carreira.
A vivência desses alunos dialoga diretamente com as reflexões acadêmicas sobre envelhecimento ativo e saudável, como aponta a psicóloga e pesquisadora Angélica Maria de Sousa Silva, egressa do Mestrado e Doutorado em Psicologia da Unifor e integrante do Laboratório de Estudos sobre Processos de Exclusão Social (Lepes).
Uma nova fase da vida
Do ponto de vista psicológico, o New Older Living Trend (nova tendência de viver a maturidade, em tradução livre) evidencia uma mudança significativa na forma como o envelhecimento é vivido e interpretado socialmente. Segundo Angélica Silva, essa nova perspectiva rompe com a ideia de que envelhecer está necessariamente ligado a perdas, dependência ou retraimento.
“O envelhecer passa a ser compreendido como uma etapa de continuidade, escolhas e construção de novos projetos de vida, especialmente entre pessoas com 50 anos ou mais. Esse novo modo de viver o envelhecimento se caracteriza, principalmente, pelo fortalecimento da autonomia e do protagonismo pessoal” — Angélica Silva, psicóloga e doutora em Psicologia pela Unifor
Essa transformação está diretamente ligada ao fortalecimento da autonomia e do protagonismo pessoal. Pessoas maduras são reconhecidas como capazes de decidir sobre o próprio cotidiano, aprender continuamente, experimentar novas atividades e planejar o futuro. Esse reconhecimento impacta positivamente o bem-estar psicológico, a autoestima e a percepção de competência.
Angélica destaca ainda que esse movimento contribui para uma redefinição da identidade na maturidade. “Observa-se uma valorização do self para além da idade cronológica, com menor adesão a estereótipos negativos sobre o envelhecimento”, afirma. Ao se afastar de rótulos limitadores, as pessoas 50+ constroem uma relação mais positiva com o corpo, com o tempo e com suas trajetórias, fortalecendo o senso de propósito e pertencimento.
Experiência como base para novos começos
Essa visão ganha contornos concretos na trajetória de Márcio Ricardo de Oliveira Pereira, aluno do curso de Engenharia de Produção da Unifor. Aos 50 anos, ele decidiu iniciar uma nova graduação após uma longa carreira na área química e industrial. Para ele, o retorno à universidade não representa uma ruptura, mas a consolidação de um caminho construído ao longo dos anos.
“A escolha pela Engenharia de Produção na Unifor surgiu da necessidade de integrar, de forma estruturada, conhecimentos técnicos, gestão de processos e tomada de decisão estratégica”, explica. Ao longo de sua trajetória profissional, atuou diretamente com processos produtivos, controle, qualidade, custos e melhoria contínua. A graduação veio como forma de dar embasamento técnico-científico a uma vivência prática já consolidada.
Segundo Márcio, a maturidade e a experiência prévia são diferenciais importantes na formação em engenharia. “A experiência contribui para decisões mais ponderadas, baseadas não apenas em modelos teóricos, mas também em vivências reais de chão de fábrica, gestão de pessoas, prazos, riscos e recursos”, afirma. Para ele, essa bagagem torna o aprendizado mais crítico e aplicado, aproximando a teoria da realidade profissional.
Tecnologia, adaptação e aprendizado contínuo
Em um mundo marcado por transformações aceleradas e pela presença constante de novas tecnologias, adaptar-se tornou-se uma exigência em todas as fases da vida. Para profissionais experientes, esse processo envolve desafios, mas também oportunidades. Márcio conta que encara o contato com ferramentas digitais e tecnologias emergentes como parte natural de sua formação atual.
“A adaptação às novas tecnologias exige disciplina, curiosidade e abertura ao aprendizado”, destaca o engenheiro. Softwares de análise, sistemas de gestão e processos de automação fazem parte do cotidiano da engenharia moderna, e ele busca integrar essas ferramentas à sua formação de forma gradual, conciliando inovação tecnológica com experiência prática.
Essa postura dialoga diretamente com o conceito do New Older Living Trend, que valoriza o envelhecimento ativo e a disposição para aprender continuamente. Para Márcio, investir em uma nova graduação aos 50 anos é uma forma de reafirmar autonomia e protagonismo.
“Aos 50 anos, entendo o envelhecimento não como limitação, mas como uma fase de autonomia, clareza de objetivos e novos projetos. A busca por uma nova graduação e por constante atualização profissional reflete exatamente essa postura ativa, produtiva e consciente diante da vida e da carreira” — Márcio Ricardo de Oliveira, aluno da bolsa 50+ do curso de Engenharia de Produção
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Etarismo: um desafio que ainda persiste
Apesar dos avanços, o envelhecimento ainda é atravessado por preconceitos estruturais. O etarismo, discriminação baseada na idade, se manifesta de diferentes formas na sociedade e no mercado de trabalho. De acordo com a psicóloga Angélica Silva, ele aparece em discursos que associam o envelhecer à incapacidade, à improdutividade ou à desatualização, muitas vezes de forma naturalizada.
No mercado de trabalho, esse preconceito pode se traduzir na dificuldade de permanência ou reinserção profissional, na exclusão de oportunidades de qualificação e na desvalorização da experiência acumulada. “Essas práticas desconsideram evidências de que desempenho e capacidade de aprendizagem não são determinados pela idade cronológica”, ressalta a psicóloga.
Os impactos do etarismo vão além da esfera profissional. Do ponto de vista psicológico, a exposição contínua a mensagens discriminatórias pode afetar a saúde mental, gerando insegurança, ansiedade e diminuição da autoestima. Um dos efeitos mais preocupantes é o etarismo internalizado, quando a própria pessoa passa a acreditar que já não é capaz de aprender, mudar ou iniciar novos projetos.
Márcio reconhece que esse preconceito ainda existe, mas acredita que a formação contínua é um caminho para enfrentá-lo. “Competência, atualização e postura profissional são os principais antídotos”, afirma. Para o aluno, demonstrar, na prática, que experiência e inovação podem caminhar juntas é uma forma de romper com estigmas.
Educação continuada e pertencimento social
Para ampliar o acesso desse público ao ensino superior e incentivar a educação continuada como ferramenta de autonomia e protagonismo, a Universidade mantém o Unifor 50+, um programa de bolsas de estudo voltado especificamente para pessoas com idade igual ou superior a 50 anos. A iniciativa reconhece a importância da formação ao longo da vida e reforça o compromisso institucional da Universidade com a inclusão etária e a valorização de diferentes trajetórias profissionais e pessoais.
As bolsas contemplam cursos de:
- graduação presencial,
- graduação na modalidade Educação a Distância (EaD),
- pós-graduação, incluindo especializações e MBAs.
A iniciativa amplia as possibilidades de escolha para quem deseja iniciar uma nova carreira, se reposicionar no mercado de trabalho ou aprofundar conhecimentos em sua área de atuação. Os descontos oferecidos variam entre 30% e 40%, representando um incentivo concreto para que pessoas 50+ possam investir em novos projetos acadêmicos e profissionais.
Ao oferecer condições específicas para esse público, a Unifor contribui para a construção de um ambiente educacional mais diverso e intergeracional, no qual a experiência acumulada ao longo da vida se soma à produção de novos conhecimentos. As bolsas dialogam diretamente com o conceito do New Older Living Trend ao reforçar que aprender, se qualificar e se reinventar são possibilidades presentes em todas as etapas da vida.
Assim, o NOLT aponta para uma compreensão mais ampla e humana do envelhecimento. Envelhecer, nessa perspectiva, não significa perder espaço, mas ocupar novos lugares; não representa o fim da vida produtiva, mas a abertura para novas formas de participação social, profissional e pessoal.
Ao valorizar autonomia, aprendizado contínuo e protagonismo, esse movimento beneficia não apenas indivíduos maduros, mas toda a sociedade. Empresas ganham com a experiência e a visão estratégica de profissionais com longas trajetórias. Instituições de ensino se tornam espaços mais diversos e ricos em trocas intergeracionais. E a sociedade avança ao construir narrativas mais inclusivas sobre o curso da vida.
Como resume Angélica Silva, transformar a forma como o envelhecimento é compreendido é uma questão de inclusão, equidade e saúde psicológica. Já para Márcio Ricardo, a mensagem é direta: “Nunca é tarde para recomeçar. A experiência acumulada é um ativo valioso, não um obstáculo”. Entre salas de aula, novos projetos e a vontade de seguir em movimento, a geração 50+ mostra que envelhecer pode, sim, ser sinônimo de futuro.
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Esta notícia está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), contribuindo para o alcance do ODS 4 – Educação de Qualidade. A Universidade de Fortaleza, assim, assegura a educação inclusiva, equitativa e de qualidade, promovendo oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos.