Como os jovens enfrentam o isolamento

qui, 23 abril 2020 09:57

Como os jovens enfrentam o isolamento

Na companhia de suas famílias, estudantes da Universidade de Fortaleza reorganizam suas rotinas durante o isolamento social.


A aluna do curso de Direito da Unifor Karla Soraya aproveita seu tempo com a literatura (Foto: Arquivo pessoal/Divulgação)
A aluna do curso de Direito da Unifor Karla Soraya aproveita seu tempo com a literatura (Foto: Arquivo pessoal/Divulgação)

Fique em casa. Nada soa mais estranho ao liberto e inquieto espírito juvenil do que a regra número um do isolamento social, imperativo que se fez não apenas necessário, mas essencial ao bom combate contra o avanço do novo coronavírus no Brasil e no mundo. 

E basta abrir um canal de escuta junto à juventude para ouvir, do outro lado do celular, as queixas, mas também as descobertas que cada um e cada uma vêm colecionando em tempos de quarentena.

Junto às suas famílias, alunos e alunas da Universidade de Fortaleza contam como reinventam o próprio cotidiano, ao mesmo tempo em que reorganizam o tempo para continuar em dia com os estudos sem deixar de se divertir ou interagir com os amigos, mesmo a distância.

Assim, vivendo um dia depois do outro, não perdem de vista o futuro.

De volta para casa

Mudou tudo. Literalmente. Com a chegada dos primeiros casos de Covid-19 no Ceará, o estudante do terceiro semestre em Engenharia Mecânica da Universidade de Fortaleza (Unifor), Edielck Amoan, foi convencido de que seria importante não só ficar como também voltar para casa. Há um ano e meio, ele morava sozinho em Fortaleza, fazendo jus ao investimento da família, que continuou vivendo em Mauriti, na região do Cariri, a fim de que o filho varão do casal Josevan e Maria Cleide concluísse a formação superior. Sonho interrompido por uma doença que, ao voltar para a cidade-natal, Amoan viu bater a sua porta. 

“Meu pai foi o primeiro caso de coronavírus confirmado em Mauriti. Eu tinha voltado há poucos dias para cumprir a quarentena em casa, quando ele começou a apresentar alguns sintomas, como febre, cansaço, dor no corpo. Aí, por conta própria, mesmo antes de ser testado, logo se isolou em um quarto. E assim ficou por 21 dias, em vez de 14, como é aconselhado. Então, eu, minha mãe e minha irmã dividimos as tarefas domésticas e ficamos administrando a casa e os cuidados com ele a distância, enquanto meus dois tios, que são médicos, mas não moram em Mauriti, acompanhavam tudo de longe. E deu tudo certo. Hoje meu pai, que é tudo na minha vida, está curado, graças a Deus”, respira aliviado o filho de 19 anos que, mais do que nunca, quer se formar em tempo recorde a fim de voltar a viver e trabalhar perto da família.


É com certa apreensão, mas muita disposição para correr atrás do prejuízo causado pelo novo coronavírus ao calendário letivo de escolas e universidades temporariamente fechadas, que Amoan encara agora o desafio de concluir sete disciplinas a distancia, entre aulas online, videoconferências e provas virtuais. “No começo foi bem difícil acessar os conteúdos porque a internet não funcionava tão bem. Era uma avalanche de trabalhos e PDFs. Mas aos poucos fui me organizando e aprendendo a usar as ferramentas disponibilizadas pela Unifor. Também não é fácil manter a disciplina, até porque aqui em casa a gente gosta muito de estar perto, conversar, fazer as refeições juntos, então é difícil resistir a esses momentos e me programar para estar sozinho nos horários das aulas. Além do mais, o isolamento social e a doença do meu pai me fizeram ter ainda mais necessidade de conviver com minha família e já não abro mão disso por nada a partir de agora”, admite Amoan.

O pai, Josevan Leite de Oliveira, confirma o clima de aconchego familiar: “Nós ficamos praticamente um mês sem contato físico. Comida, medicações, tudo era colocado na janela do quarto, de longe. Passei três dias trancado, só eu e Deus, com febre alta e muita dor no corpo, chegando a pensar que eu podia até nem abraçar mais a minha família. Quando saí curado, foi uma emoção grande. E acho que, aqui entre nós, todos passamos a valorizar ainda mais essa convivência amorosa e saudável que sempre tivemos. Mais do que nunca, quero ver meu filho formado, ver essa pandemia passar para que ele possa voltar com tranquilidade aos estudos e também pretendo ajudar outras pessoas a se informar e a se prevenir contra essa doença. Sou radialista e agora posso falar de cátedra, em alto e bom som, para quem quiser ouvir, que é preciso acreditar na ciência e na informação de qualidade para vencermos a pandemia”. 

Entre pai e filho, um novo consenso se fez após a ingrata visita do coronavírus: sacrificar o tempo afetivo em nome do rendimento do tempo burocrático e dito produtivo é algo fora de cogitação. “Não quero cobrar mais tanta produtividade nem de mim nem de ninguém do meu convívio. Antes, a vida era uma correria de trabalho, quase não tínhamos nem tempo para conversar em família, saber um do outro, ajudar um ao outro. De que adianta corrermos atrás de acumular dinheiro e patrimônio quando precisamos, para isso, deixar em segundo plano o cuidado com os nossos, os momentos de prazer juntos? Não! É preciso desacelerar e inverter as prioridades”, ensina Josevan.

Amor em tempos de quarentena

Zero por cento de tédio. Estudante do curso de Engenharia Civil da Universidade de Fortaleza, Juliana Saldanha Martins garante que nunca estudou tanto quanto na fase de isolamento social imposto em consequência do novo coronavírus.  Não que o ensino a distância já seja o queridinho da turma, mas é que ela descobriu nele uma liberdade maior para traçar e cruzar conhecimentos. “É muito conteúdo que os professores estão nos enviando. Então parece que o nosso horizonte se expandiu, entende? Tenho aqui muita coisa já na fila para ler e esse arquivo só cresce. É claro que prefiro as aulas presenciais, porque dessas leituras surgem muitas perguntas que só os professores podem ajudar a responder. Mas também é incrível perceber o esforço deles para não deixar o aluno se sentir defasado. Por outro lado, há uma flexibilidade. Temos agora até 24h para responder uma prova online, por exemplo. E tudo é postado com antecedência maior. Assim, esse prazo estendido nos dá a chance de pensar com calma, sem gerar tensão. Estou adorando”, ilustra.

Empolgada com as potencialidades de uso das ferramentas interativas, Juliana já tratou até de inovar, tudo para ajudar quem está sentindo mais dificuldade com a nova rotina de estudos online. Como monitora da disciplina de Física, criou um site exclusivo para os alunos da turma onde posta o passo a passo da resolução de diversas questões enviadas como exercício pelos professores. Lá, é possível inclusive que todos interajam através de chat, como também acessem livros baixados por ela em PDF. “Fui me esforçando em descobrir como facilitar a vida de quem não tem muita disciplina ou mesmo tempo para acompanhar todas as aulas e fazer todos os exercícios enviados pelos professores. Ali ficou sendo o canal mais organizado dos alunos, algo também mais informal onde cabem até os desabafos pessoais”, destaca. 

Pessoalmente, a estudante de 22 anos também tenta reorganizar e encarar com bons olhos a rotina doméstica. Isso porque ela, mãe e irmão agora convivem sob o mesmo teto bem mais tempo do que antes da quarentena.

“Antes, a gente só se via à noite. Nem sabíamos direito o que um ou outro estava fazendo ou pensando sobre determinado assunto. E passamos a fazer as refeições juntos e sentar para conversar bem mais. Eu e meu irmão estamos inclusive malhando juntos, com hora marcada, na academia do prédio. Com isso, acho que as brigas diminuíram e nós estamos bem mais próximos e cúmplices um do outro”, acredita. Juliana também não sente falta da correria que enfrentava no trânsito para conciliar os horários das aulas na Unifor com o trabalho como professora de inglês. “Esse tempo desgastante de deslocamento durante todo o dia me deixava mais cansada do que o próprio trabalho. E agora que parei um pouco dá para sentir a disposição voltando. Tenho tido energia extra tanto para estudar até mais tarde quanto para malhar mais tempo do que conseguia antes”, assegura.


Até o que gera desassossego nos corações juvenis Juliana conseguiu acomodar, aliviando o aperto que deu no lado esquerdo do peito. É que não fazia nem duas semanas que ela havia começado um namoro na faculdade e, assim, não imaginava como seria namorar a distancia alguém que vinha encontrando diariamente. Pendurou-se ao telefone. Colou os olhos saudosos na tela do computador. Mas viu que não seria o bastante. Foi quando recorreu à mãe para pensarem e decidirem juntas uma alternativa, pesando e medindo os riscos de “um amor em tempos de quarentena”. Servidora pública federal, Ana Cláudia Saldanha cedeu aos apelos da filha para, pelo menos uma vez por semana, permitir ao jovem casal um téti-a-téti na sala de casa. Mas fez a seu modo, montando, logo à soleira da porta, uma mesa com diversos tipos de álcool gel e instruções de entrada e saída muito bem afixadas.

“Primeiro gostei de saber que ele, o namorado, morava sozinho com a mãe, o que, em tese, diminuiria nosso risco de contágio. Depois, como tenho um filho médico, já tinha por hábito, em casa, obedecer a regras rigorosas de higiene. E agora, com o novo coronavírus, isso só se intensificou em nossas vidas. Até as roupas dele são lavadas em separado na máquina de lavar. E toda a entrada e saída é por uma área que isolamos para tal. O rapaz então teve que dar logo essa prova de amor, obedecendo a todo o nosso ritual já assimilado de cuidado e proteção. Está dando certo. E, apesar da gravidade desse vírus, algo que deve ficar conosco é essa valorização do que é humano, dos sentimentos, do que vem do coração, muito mais do que daquilo que vem do que só tem valor monetário”, aferra Ana Cláudia. 

Encontrar-se consigo mesmo

É de emoção que o estudante do curso de Direito da Universidade de Fortaleza, Felipe Ramos Saraiva, prefere tratar quando interrogado sobre o que mudou em sua vida a partir do isolamento social instituído na esteira do aumento de casos da Covid-19 no Ceará. Longe da faculdade, dos amigos, dos professores e até da namorada por tempo indeterminado, aos poucos se percebeu frágil emocionalmente para lidar com a pausa forçada. “Eu estava vivendo numa roda-viva: era uma aula depois da outra, as demandas do Centro Acadêmico e ainda fazia dois cursos de línguas paralelamente. Quando começou a quarentena eu até senti um alívio, porque estava mesmo precisando dar uma parada. Dei um tempo de tudo e comecei a encarar esse período como se estivesse de férias. Mas passada a fase inicial me bateu uma ansiedade grande. E de repente eu estava chorando sem motivo aparente ao final do dia. Foi quando percebi que, antes, na verdade, eu me enchia de tarefas para fugir de mim mesmo, talvez por medo de não gostar da minha própria companhia”, confessa.   

O abalo e nova consciência não lhe embotaram a reação necessária. Ao contrário, foram os sentimentos contraditórios que fizeram Felipe mergulhar ainda mais fundo nas leituras referentes à disciplina da qual é monitor: Filosofia Geral. 

“Nos livros descobri a diferença entre solidão e solitude. Solidão é quando você se sente perdido, sozinho. Solitude é quando consegue se amar, conversar consigo mesmo de maneira saudável, procurando se entender. Quando entendi isso passei a olhar mais para mim, a escutar meus reais desejos. E estou agora agradecendo esse momento de distanciamento social, mesmo em meio ao caos de uma pandemia, porque venho me permitindo viver um processo de autoconhecimento. Não é fácil, mas existe um prazer também em aprender a ficar bem sozinho, sem depender tanto dos humores e das respostas dos outros”, acredita.


Aos 20 anos, centrar o foco em si mesmo e deixar brotar questões de ordem existencial também exigiu de Felipe, além de coragem, atitude. Foi em plena quarentena que ele acabou saindo da casa dos pais para passar uma temporada junto à irmã, o cunhado e as sobrinhas. Tudo porque o novo coronavírus e o tamanho ainda desconhecido de sua virulência geraram controvérsias noambiente doméstico. “Meu pai e minha mãe são do grupo de risco. E estávamos morando os três. Só que, diferentes de mim, eles não acreditam na ciência e queriam ter vida normal, sem restrições. Eu preferi então sair de cena pelo menos por algum tempo para não me estressar e foi a melhor decisão”, considera Felipe. Defensora pública aposentada, a mãe, Ocileide Saraiva, confirma: “Sou contra o isolamento social. Esse vírus está no ar, se for para pegar não vai ter jeito. E outra coisa: estão desrespeitando o direito constitucional de ir e vir do cidadão. Não posso concordar com isso”.

Ao pensar diferente e argumentar em favor da saúde dos pais, Felipe teve que ouvir mais de volta: “Meu filho tem que cuidar da vida dele, da forma como achar melhor. E não se preocupar comigo, que já vivi demais até e muito bem, obrigada. Não tenho nada do que reclamar da vida. Se morrer, saiba que morri feliz e realizada. Para ele, só quero deixar saudade e carinho, além de todas as condições para seguir sua vida com conforto e alguma estabilidade. Por isso, no dia em que veio tomar a chave do carro da minha mão para ir fazer as compras no supermercado, enfrentei logo. Afinal, quem sempre mandou na minha vida fui eu. E ele manda na dele. Não tem quem me convença que essa quarentena faz sentido ou que essas medidas de proteção são eficientes. O que existe mesmo é o jogo político, todos os governantes querendo arrancar dinheiro do governo federal com a desculpa da pandemia. Então, aqui na minha casa nada muda. Eu continuo com os trabalhos domésticos, cuidando das compras pessoalmente, ajudando minhas quatro filhas e genros e, no máximo, mantenho certa distancia dos netos em dias de visita, mas só em respeito às crianças”.

Aparadas as arestas, paz na cabana. No ambiente familiar, o filho único temporão aos poucos retoma o clima de tranquilidade para acompanhar as aulas online do quarto semestre do curso de Direito, mas não sem sonhar com a volta à faculdade. “Os professores da Unifor são todos muitos solícitos, temos acesso direto a eles através dos grupos de whatsapp e venho me empolgando principalmente com as aulas gravadas, porque posso rever a hora que quiser. Acho que o ensino a distância - ou a distancia em si - conseguiu furar a bolha de estudos que eu havia criado para viver dentro, sem muito contato comigo mesmo e até com meus familiares e amigos. Mas, por outro lado, também vejo muita gente que queria férias e se dizia sobrecarregado com saudade das aulas presenciais. Eu sou um deles. E agora acho que vamos aprender a valorizar mais esse ambiente de troca da faculdade onde, além das matérias em si, a gente vem aprendendo a amadurecer juntos e a conviver melhor com o seu íntimo, mas também na coletividade”, observa.

Pós-quarentena, Felipe já tem planos traçados: quer começar a fazer terapia, como também seguir com as leituras em torno da Filosofia, das Artes e da Psicologia, além do Direito. “Nessas horas em que somos levados a parar, seja por motivo de doença ou qualquer outro, não há como manter a sanidade mental sem os livros, a música, o cinema, o contato com os verdadeiros amigos e tudo aquilo que, de alguma forma, dialoga com as nossas emoções. Isso precisa ser percebido e valorizado tanto quanto as estruturas e ações de promoção da saúde física”, opina. Perguntado sobre o que gostaria de ver mudando com o fim da pandemia, o jovem não titubeia: as relações humanas, ou melhor, os modos de vida que, em vez de aproximar e curar, distanciam e adoecem as pessoas.

A arte de redesenhar a vida

Um balde de água fria. Foi assim que a estudante de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Fortaleza, Laíssa Maria Filgueira Cruz, expressou o próprio desapontamento ao ter que introjectar a ideia da interrupção das atividades acadêmicas e laborais enquanto durar a quarentena ocasionada pela pandemia do novo coronavírus. É que a rotina agitada de quem cursa o terceiro semestre da graduação ao mesmo tempo em que trabalha como coordenadora de marketing numa empresa júnior da própria faculdade era a injeção de adrenalina que precisava para amainar um quadro de ansiedade anteriormente vivido e felizmente contornado. “Pós isolamento social, tive que voltar à terapia porque foi um corte muito abrupto de ritmo. Eu vinha bem feliz com as cadeiras que estava cursando e com os rumos do trabalho. Sinto muita falta da sala de aula, dos amigos do trabalho, dos encontros que fazíamos na casa de um ou de outro para espairecer, das festas... e hoje me preocupo em como manter vivos esses vínculos afetivos, mesmo a distância”, diz.    

Para aplacar a saudade, a ordem é continuar preenchendo o dia com aquilo que mais gosta. Assim, varar a madrugada para finalizar um projeto de arquitetura tem lá seu efeito terapêutico para a estudante de 18 anos. “Eu já emendava aula com trabalho e ainda ficava até mais tarde na faculdade, aproveitando a estrutura que temos para a prática do desenho. Voltava para casa só para dormir. Sendo bem sincera, acho que agora tenho até bem mais tarefas a cumprir. Mas a gente, da Arquitetura, sente muito a falta dos professores”, afirma.

O fato de hoje também ter que passar o dia inteiro à frente do computador é algo que Laíssa ainda não lida bem.  “Eu caminhava muito nos jardins da Unifor, porque a empresa em que trabalho já é perto do bloco Z, e, assim, eu fazia algum exercício, me movimentava e me sentia bem com isso. Agora sinto uma enorme falta. Ora isso, todo o nosso conteúdo de aulas também chega via Unifor Online e PDFs. Isso é bom, mas para a Arquitetura, que é um curso muito prático, é um pouco desafiador”, relata.

Aquém do que poderia ser também têm sido os contatos afetivos. “Esse ano comecei a namorar também e aí só nos vemos desde o início da quarentena por videochamadas, o que é muito chato, porque ninguém namora a distância. No trabalho, muita coisa não vou conseguir colocar em prática: metas não serão batidas e tenho medo até de que o volume de trabalho seja afetado caso essa crise se estenda por muito tempo. Espero que não. Mas até as relações trabalhistas podem ficar mais frágeis. Como sou filha única e moro com meus pais, penso que a nossa relação familiar também sofre um pouco com o confinamento. Até porque prefiro passar o dia no meu quarto, estudando ou conversando com os amigos via redes sociais. Então, só posso dizer que a única coisa boa de tudo isso foi ter tempo para resgatar alguns contatos e afetos da época da escola. Aliás, espero que seja esse o saldo da pandemia: termos mais empatia e valorizarmos mais os encontros e as pessoas, além de cuidar melhor da natureza, nossa verdadeira casa”, conclui a coordenadora de marketing que também espera das empresas uma postura cada vez mais solidária com seus clientes.