Orgulho Unifor: Filmes de egressos de Cinema e Audiovisual marcam presença no Festival de Berlim

qua, 18 fevereiro 2026 15:59

Orgulho Unifor: Filmes de egressos de Cinema e Audiovisual marcam presença no Festival de Berlim

Egressos do curso de Cinema e Audiovisual da Unifor, Dayse Barreto e Maurício Macêdo integram equipes de filmes que chegam a um dos festivais mais importantes do mundo e reafirmam a força da produção audiovisual feita fora do eixo Rio-São Paulo


O curso de Cinema e Audiovisual da Unifor possui nota máxima (5) no Conceito de Curso do MEC, destacando-se entre os melhores do país em critérios como corpo docente, infraestrutura e projeto pedagógico (Foto: Divulgação)
O curso de Cinema e Audiovisual da Unifor possui nota máxima (5) no Conceito de Curso do MEC, destacando-se entre os melhores do país em critérios como corpo docente, infraestrutura e projeto pedagógico (Foto: Divulgação)

A presença de egressos da Universidade de Fortaleza (Unifor), instituição mantida pela Fundação Edson Queiroz, em produções selecionadas para o 76º Festival Internacional de Cinema de Berlim, a Berlinale, é motivo de orgulho não só para a Unifor, mas também para o audiovisual cearense. 

Reconhecido como um dos principais festivais do mundo, o evento reúne obras autorais, politicamente sensíveis e esteticamente inovadoras, funcionando como uma vitrine global para novos olhares e narrativas. Em 2026, duas produções com participação direta de egressos do curso de Cinema e Audiovisual da Unifor marcaram presença no Festival, evidenciando a relevância da formação acadêmica e da trajetória profissional construída a partir dela.

A diretora de arte Dayse Barreto integra a equipe do curta-metragem “Feito Pipa”, enquanto o produtor Maurício Macêdo trabalhou no longa “Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha”. Além de figurar nos créditos, o reconhecimento internacional simboliza um marco na trajetória dos dois profissionais e destaca a força criativa do cinema nordestino.

Reconhecimento internacional e emoção compartilhada

Para Dayse Barreto, a seleção de “Feito Pipa” para o Festival de Berlin foi um momento de emoção e, sobretudo, de reconhecimento. “Foi emocionante, mas, especialmente, é muito importante o reconhecimento do nosso trabalho em grandes festivais como a Berlinale”, afirma. 

A diretora de arte já havia participado de outras edições do evento em diferentes contextos, como em 2025, quando integrou a equipe de “O Último Azul”, vencedor do Silver Bear Grand Jury Prize, além de ter participado do Berlinale Talents e representado o filme “O Estranho”, selecionado para a Mostra Forum.

Segundo Dayse, ocupar esses espaços internacionais com produções dissidentes e realizadas fora do eixo Rio-São Paulo reafirma a força da criação audiovisual em outras regiões do país.


“Ocupar esses espaços com, em sua grande parte, filmes dissidentes e produzidos fora do eixo Rio-São Paulo é, mais uma vez, reafirmar as nossas potências de produção e criação”Dayse Barreto, egressa do curso de Cinema e Audiovisual 

O sentimento de validação também é compartilhado por Maurício Macêdo. O produtor de “Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha” relata que o convite da Berlinale chegou como a confirmação de um processo longo e cuidadoso.


“Receber o convite da Berlinale foi um momento de muita emoção e também de validação de um processo longo e cuidadoso. É um festival que historicamente acolhe filmes autorais, arriscados e politicamente sensíveis”Maurício Macêdo, egresso do curso de Cinema da Unifor e produtor audiovisual  

O trabalho por trás das câmeras

No caso de “Feito Pipa”, Dayse Barreto foi responsável pela direção de arte, área fundamental para a construção estética e narrativa da obra. Seu trabalho partiu do ponto de vista de uma criança, protagonista da história, e do imaginário compartilhado com a avó. “Comecei a imaginar a dialética estética do filme a partir do ponto de vista de uma criança e em qual imaginário estão ancorados os conhecimentos de mundo dela e de sua avó”, explica.

A criação do universo visual envolve escolhas de cores, texturas, materiais e locações, construindo camadas simbólicas que dialogam com a relação entre os personagens e o mundo ao redor. “Criar esse universo, fabular essa história passou pela criação de muitas camadas, camadas vivas, que abrem temporalidades nessa relação entre avó e neto e o mundo ao redor”, relata a egressa. As locações, segundo ela, funcionam como instrumentos de liberdade no cotidiano da família retratada, revelando desejos, limitações materiais, sobrevivência e adaptação.


Dayse com a fotógrafa Luciana Baseggio no set de filmagem do longa Feito Pipa, durante o processo de produção do filme (Foto: Deilson Magalhães)

Já Maurício Macêdo atuou como produtor de “Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha”, acompanhando o projeto desde as fases iniciais de desenvolvimento até a circulação internacional.

Seu trabalho envolveu a estruturação financeira, a formação da equipe, a articulação institucional, o acompanhamento criativo junto à direção e a definição da estratégia de festivais, além do diálogo com parceiros nacionais e internacionais. No curta “Feito Pipa”, Maurício também participou como produtor executivo durante a pré-produção e as filmagens.

Desafios, processos e circulação dos filmes

O processo de produção de “Feito Pipa” ocorreu integralmente no interior do Ceará, nas localidades de Quixadá, Tapuiará, Dom Maurício e Califórnia. Dayse destaca que os desafios foram tanto logísticos quanto criativos.

“Nosso principal desafio foi, além do logístico — porque estávamos montando locações diferentes em quatro locais distantes —, ter a mente de um arqueólogo para encontrar os móveis e objetos que precisávamos nas casas das pessoas”, conta. O envolvimento da comunidade foi essencial, com moradores abrindo suas casas para que objetos e histórias fossem incorporados ao filme, fortalecendo também a economia local do audiovisual.

No longa-metragem produzido por Maurício, os desafios se estenderam ao longo de vários anos. “Foi um processo intenso e longo. O filme exigiu tempo, escuta e maturação, tanto artística quanto produtiva”, relata. Entre as dificuldades estiveram as limitações orçamentárias, os longos intervalos entre etapas e os cuidados necessários durante a pandemia, período em que parte do trabalho foi realizada. Apesar disso, a persistência da equipe permitiu que o projeto chegasse à Berlinale e iniciasse sua trajetória internacional.

Antes da estreia em Berlim, “Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha” já havia sido reconhecido em importantes espaços da indústria audiovisual, como o Laboratório Cena 15, BrLab e o First Cut Lab Brasil, além de ter sido finalista do Prêmio Cabíria – Mulheres e Audiovisual. O projeto também participou do Ventana Sur 2022, onde recebeu o Prêmio WIP Latam Paradiso. Já “Feito Pipa” teve sua estreia mundial no Festival de Berlim 2026, no dia 15 de fevereiro.

A Unifor como base formativa e inspiração

Tanto Dayse Barreto quanto Maurício Macêdo destacam a importância da formação acadêmica na Unifor para suas trajetórias profissionais. Para ela, a Universidade foi fundamental na construção de uma base teórica e prática, além da vivência coletiva do fazer audiovisual.

“A formação acadêmica é importante para formar uma base de conhecimento teórico, para experimentar, vivenciar em coletivo a prática audiovisual”, afirma. A egressa lembra, com carinho, da professora Bete Jaguaribe, que, segundo a diretora de arte, sempre reconheceu seu potencial criativo e a incentivou em diferentes projetos.

Maurício também ressalta o papel da Unifor em sua formação como produtor: “A Unifor teve um papel importante na minha formação, especialmente por oferecer uma base ampla, que articula pensamento crítico, prática audiovisual e trabalho em equipe”. De acordo com ele, a graduação o ajudou a perceber o cinema não só como técnica, mas também como linguagem, processo e compromisso coletivo. O estímulo à experimentação e ao pensamento autoral são destacados como fatores que contribuíram para traçar sua trajetória profissional.

Ao final, os dois egressos deixam mensagens para quem está começando no cinema. Dayse aconselha curiosidade constante, estudo contínuo e, acima de tudo, ir ao cinema. Maurício reforça a importância da escuta, da paciência e do trabalho coletivo, lembrando que a produção audiovisual também é feita de sensibilidade e construção de redes.

As carreiras de Dayse Barreto e Maurício Macêdo demonstram que a educação proporcionada pela Unifor, combinada com empenho e perseverança, pode conduzir talentos locais a palcos internacionais. A participação deles no Festival de Berlim reforça o compromisso da Universidade com a excelência acadêmica e com a capacitação de profissionais que possam se comunicar com o mundo através do cinema.

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Esta notícia está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), contribuindo para o alcance do ODS 4 – Educação de Qualidade. A Universidade de Fortaleza, assim, assegura a educação inclusiva, equitativa e de qualidade, promovendo oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos.