seg, 12 janeiro 2026 16:14
Entrevista Nota 10: Afonso Lima e os novos horizontes da pesquisa e da inovação na Unifor
Novo vice-reitor de Pesquisa da Universidade de Fortaleza fala sobre parcerias globais, inovação prática e impacto social na produção científica da instituição

A Universidade de Fortaleza, da Fundação Edson Queiroz, possui a tradição de investir em infraestrutura de ponta para transformar conhecimento científico em ação prática, capaz de melhorar a vida das pessoas e solucionar problemas da sociedade. Na instituição, a Vice-Reitoria de Pesquisa (VRP) é responsável por movimentos, projetos e editais que promovem essa inovação técnico-científica, com transferência de conhecimento e transformação social.
Segundo o professor Afonso Carneiro Lima, mais novo vice-reitor de Pesquisa da Unifor, a VRP se consolidou em uma “estrutura admirável” e, com o apoio de outros setores, tem gerado um impacto relevante nos âmbitos local, nacional e internacional.
“O momento agora é de revisão e de consolidação de nossos processos, revisão e atualização de políticas e estruturas essenciais para que possamos ganhar mais escala em nossas atividades, sempre de maneira organizada, cautelosa e em conjunto com outras áreas estratégicas, como os Centros de Ciências, as outras vice-reitorias, o Núcleo de Estratégias Internacionais (NEI) e outros stakeholders, como organizações locais”, declara.
À frente da VRP desde novembro de 2025, Afonso conta com uma sólida trajetória tanto nos ramos de pesquisa e administração quanto dentro da própria Unifor: antes de assumir o cargo atual, coordenou o Mestrado Profissional em Administração (MPA) por 10 anos, além de atuar como docente no Programa de Pós-Graduação em Administração (PPGA).
Mestre e doutor em Administração pela Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da Universidade de São Paulo (FEA-USP), fez estágio pós-doutoral na Naveen Jindal School of Management (UT Dallas). É membro da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração (ANPAD), da Academy of Management (AOM) e da rede internacional de pesquisadores Microeconomics of Competitiveness (MOC).
Na Entrevista Nota 10 desta semana, ele fala sobre o convite para assumir a cadeira de vice-reitor de Pesquisa da Unifor, além de comentar sobre parcerias globais, inovação prática e impacto social na produção científica da instituição.
Confira na íntegra a seguir.
Entrevista Nota 10 — Você assumiu a Vice-Reitoria de Pesquisa da Unifor recentemente, com vários desafios à frente. Como foi receber esse convite? De que forma essa oportunidade representa uma nova fase tanto para sua carreira como para a Universidade?
Afonso Lima — Confesso que inicialmente fiquei surpreso com o convite. Em seguida, passei a ver como um desdobramento natural da minha carreira. Acredito que minha atuação no Programa de Pós-Graduação em Administração, no Mestrado Profissional em Administração e minha experiência na gestão de cursos de pós-graduação desde 2008 tenha me preparado para este momento. Claro que há muitas coisas novas, desafios mais abrangentes, muito aprendizado ainda.
Esse momento eu encaro com muito zelo, no sentido de manter uma trajetória que foi construída por outros vice-reitores e diretores e, ao mesmo tempo, buscar estruturar e normatizar algumas das nossas ações de maneira que obtenhamos eficiência em nossos esforços de internacionalização e de qualificação da pesquisa nas diversas áreas.
Entrevista Nota 10 — A área de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) tem passado por atualizações desde a nível local até internacional. Como a Universidade de Fortaleza procura se posicionar nesse contexto e pretende atender às necessidades atuais da sociedade? Quais desafios surgem como oportunidades nesse novo momento dentro e fora da instituição?
Afonso Lima — Ao longo do tempo, a Unifor tem se internacionalizado cada vez mais. Em parte, isso é um processo evolutivo esperado, tendo em vista a inserção de nossos docentes. Ao mesmo tempo, a internacionalização também é uma prioridade da alta gestão da instituição. A Unifor possui uma estrutura capaz de projetar produção acadêmica e inovação a nível internacional, um corpo docente e um corpo de pesquisadores muito preparado para isso também, além de todo o apoio institucional para o desenvolvimento de pesquisas e publicações de impacto em nível internacional.
Com isso, a Unifor está muito bem preparada. Porém, isso não significa que não possamos melhorar. A ideia é qualificar cada vez mais as nossas pesquisas em publicações de alto impacto, intensificar as nossas parcerias — a Unifor possui diversos convênios com instituições de excelência, os professores atuam em suas redes internacionais de pesquisa — e esse trabalho só faz sentido com o envolvimento de diversas áreas parceiras.
Ao mesmo tempo, a Vice-Reitoria de Pesquisa (VRP) está muito atenta às necessidades locais. A vocação da Unifor, desde sua fundação, está no atendimento das necessidades locais e na formação de recursos humanos qualificados. E mais recentemente na VRP, por meio do Hub de Inovação, da nossa incubadora, destaco a criação de inovações, produtos tecnológicos que atendam às necessidades da nossa sociedade e as oportunidades de negócio, muitas delas, são locais, regionais. A ideia ainda é que possamos escalar, falando em melhoria contínua, projetar essas soluções e startups a nível internacional também.
Aproveitando a questão do fortalecimento dos nossos esforços junto às redes de pesquisa, prevê-se, aqui na VRP, a intensificação dos relacionamentos com outros hubs de inovação, outros parques tecnológicos, e do networking internacional com empresas e pesquisadores. Com isso, nós encontramos complementaridades entre o que é feito aqui e o que outros parques tecnológicos lá fora, outras startups que estão nesses parques, têm feito.
Entrevista Nota 10 — Parcerias com instituições renomadas têm sido peças-chave para o desenvolvimento de conhecimento científico e inovação tecnológica na Unifor. De que forma a Universidade pode construir novas pontes e estreitar laços para colaborações internacionais? Como isso pode influenciar a produção de ciência e o respaldo da Unifor nos âmbitos regional, nacional e internacional?
Afonso Lima — O crescente engajamento de nossos pesquisadores, com o apoio do NEI, principalmente com os convênios institucionais, tem facilitado bastante essa conexão com pesquisadores e instituições consolidadas. Daí, vem um valioso aprendizado e a produção qualificada contínua. Consequentemente, maiores citações e a presença crescente da Unifor nos principais rankings e periódicos internacionais de peso. Esse é o tipo de visibilidade que devemos buscar.
Entrevista Nota 10 — Recentemente, você esteve nos Estados Unidos para participar do encontro de uma rede de pesquisa da qual faz parte. Poderia contar um pouco sobre a experiência? Foi possível fechar parcerias para a Unifor com outras instituições internacionais?
Afonso Lima — A rede Microeconomics of Competitiveness é uma rede de pesquisadores extremamente relevante, tanto sob a perspectiva de internacionalização quanto de impacto socioeconômico. A rede foi criada no início dos anos 2000 pelo professor Michael Porter, da Universidade de Harvard, e por parceiros e alunos, com o objetivo de disseminar modelos de estratégia que fossem aplicados às questões de desenvolvimento local e regional, de fortalecer o setor privado e colocá-lo no centro das discussões sobre os desafios de desenvolvimento socioeconômico.
Ao longo do tempo, algumas parcerias espontâneas em publicação de pesquisa têm surgido, e neste ano, particularmente, estamos em processo de formalização de parcerias com quatro instituições: Universidad Popular Autónoma del Estado de Puebla (México), SGH Warsaw School of Economics (Polônia), San Jose State University (Estados Unidos) e CamEd Business School (Camboja).
Essas colaborações são fundamentais para atividades de pesquisa, inovação, ensino — inclusive em missões internacionais — e extensão — principal foco da rede MOC. E tudo isso muito bem alinhado com as prioridades institucionais e apoiadas pelo nosso NEI.
Entrevista Nota 10 — O impacto social advindo da pesquisa científica e da inovação faz parte das metas não só da Agenda 2030 da ONU, mas também da própria Unifor. Como a VRP pretende alinhar essa pauta a seus objetivos, especialmente quando falamos de investimentos? Por que é importante a academia estar focada nessa missão para hoje e para o futuro?
Afonso Lima — Já há muitos anos, pesquisa e impacto social não podem estar dissociadas, independentemente de uma agenda global. A Unifor, desde sua origem, já demonstra essa preocupação quando, na sua fundação, havia a visão de formar recursos humanos qualificados no nosso estado e na nossa região. E hoje em dia, é inerente que todo o recurso investido em pesquisas tenha um retorno, isto é, que possam gerar soluções ou contribuir, mesmo que parcialmente, à solução de problemas de nossa sociedade. Como, por exemplo, segurança pública, corrupção, vulnerabilidade social, deterioração de espaços urbanos, drogas e tantas outras mazelas, sem falar nas questões de saúde pública que, por si só, já é um grande universo em que podemos atuar. Uma grande preocupação, no entanto, é que muitos desses problemas são recorrentes, ao mesmo tempo em que novos desafios vêm surgindo. E quanto aos problemas futuros? Precisamos ter senso de urgência.
Essa relação traz uma visibilidade muito importante para as nossas pesquisas. Daí a importância de nos conscientizarmos acerca do nosso papel transformador enquanto pesquisador que pode transformar a nossa realidade — subsidiando políticas públicas, ações e projetos de organizações privadas, tudo com responsabilidade e critério. Esse tipo de impacto nos coloca automaticamente numa posição de referência, trazendo visibilidade e acrescendo a excelência da nossa Unifor. Tanto, que mesmo sendo essa visibilidade um aspecto intangível, é fundamental para a captação de recursos junto a órgãos públicos e privados para financiamento da pesquisa.
Penso que a academia tem um papel muito importante em acelerar as transformações, contribuindo para as soluções de problemas sociais. Daí, tanto a cobrança pela sociedade de maneira geral quanto uma autorreflexão sobre o papel definitivo do nosso conhecimento e dos produtos gerados aqui.
Entrevista Nota 10 — Quais são os objetivos e perspectivas futuras da Unifor a partir de agora no âmbito da pesquisa e da inovação? Que oportunidades podemos aproveitar para alcançar resultados ainda melhores nos próximos anos?
Afonso Lima — A VRP cresceu, se consolidou numa estrutura admirável e, com o apoio de outros setores, tem gerado um impacto relevante. Qualificação crescente de nossas pesquisas, impacto socioeconômico e internacionalização são os principais direcionadores.
Como mencionei, o momento agora é de revisão dos nossos processos, revisão e atualização de políticas e estruturas essenciais para que possamos ganhar mais escala em nossas atividades, sempre de maneira organizada, cautelosa e em conjunto com áreas essenciais, como os Centros de Ciências, as outras Vice-Reitorias, o NEI e outros stakeholders, como organizações locais. Destaco aqui o aprendizado com o processo de acreditação internacional pela AACSB nos cursos de gestão. Tenho participado de várias discussões envolvendo o nosso CCG, pós-graduação, NEI… enfim, esse espírito de colaboração é essencial para atingirmos resultados mais rapidamente e facilitar outras ações também.
Estou confiante de que a nossa equipe atual possui todas as competências para seguirmos adiante num processo de melhoria contínua e de crescente impacto social. Tenho muita gratidão a essa equipe e aos colegas com quem tenho conversado, todos me receberam muito bem. Posso assegurar que a empolgação e o compromisso são evidentes, e isso torna nosso trabalho não só prazeroso, mas também vemos a possibilidade de alcançar resultados relevantes no curto prazo.