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Ter, 11 Junho 2019 11:02

Professores da Unifor desenvolvem ferramenta para a proteção de bens tombados na cidade

A ferramenta identifica elementos que influenciam ou não influenciam o bem tombado em sua área de zoneamento


Os professores Daniel Valente (esq) e André Soares, pesquisadores da Unifor à frente do projeto (Foto: Ares Soares)
Os professores Daniel Valente (esq) e André Soares, pesquisadores da Unifor à frente do projeto (Foto: Ares Soares)

Desenvolvido pelo professor do curso de Arquitetura e Urbanismo da Unifor, André Soares e por Daniel Valente, professor de Ciência de Computação e Análise e Desenvolvimento de Sistemas, também da Universidade, o artigo Assessment of urban cultural-heritage protection zones using a co-visibilityanalysis tool consiste no desenvolvimento de uma ferramenta direcionada para garantir a proteção de bens tombados na cidade.

Recentemente o estudo foi publicado na revista internacional Computers, Environment and Urban Systems, com alto fator de impacto.Também participaram o professor Vasco Furtado e Anderson Yago Sampaio, graduado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade. Yago atuou como bolsista de iniciação científica no Laboratório de Pesquisa e Inovação em Cidades (Lapin).

Entenda a ferramenta

O estudo de caso aconteceu em um cenário real na cidade de Fortaleza. Através da ferramenta, foi avaliado o conjunto de edificações tombadas: o Colégio Imaculada Conceição, Colégio Justiniano de Serpa, Igreja do Pequeno Grande e a Escola Jesus, Maria e José, localizada no início da Av. Santos Dumont.

André Soares explica que a maior motivação foi devido às dificuldades que a cidade enfrenta em reconhecer, de forma correta, qual o espaço que compõe o entorno dos edifícios de bens tombados da cidade. “Nós imaginamos que construir uma ferramenta utilizando o computador e uma lógica simples de visualização, nós pudéssemos identificar quais são os elementos dentro daquele ambiente urbano que tem influência sobre o edifício tombado”, afirma o professor.

O termo “bem tombado” designa um bem que foi identificado com significativa importância histórica, artística ou cultural. Através de leis, sua alteração é proibida. A ferramenta detém o objetivo de auxiliar nas mudanças implantadas nas cidades, sem que os edifícios de bens tombados sejam prejudicados.

“Nossa ferramenta funciona em três dimensões. Para melhorar os arredores de um edifício tombado, ao invés de propormos melhoras pelo achismo visual, a ferramenta simula raios de luz no ambiente para que possamos identificar quais os elementos visualizáveis no espaço”, destaca Daniel Valente. O professor ressalta ainda que, o computador simula uma pessoa caminhando em todos os campos do mapa e identifica o que ele consegue ver, tendo como principal ponto de vista o patrimônio.

“Nós não queremos que a cidade fique engessada com a existência desse edifício histórico, mas também não queremos que as mudanças realizadas na cidade prejudiquem estes edifícios de alguma forma. A ferramenta é informativa e auxilia ao gestor público a tomar uma decisão no zoneamento da cidade”, ressalta André Soares.

O desenvolvimento da ferramenta aconteceu no Lapin, localizado no Parque Tecnológico (TEC-Unifor).  Daniel afirma que a experiência foi gratificante, pois se trata de um programa multidisciplinar. André comenta sua contemplação com o produto final. “Fiquei muito satisfeito. Foi muito gratificante ver que o que estive trabalhando a algum tempo teve bons resultados”, finaliza.