Entrevista Nota 10: Joselma Oliveira e o protagonismo feminino no sucesso da Pardal Sorvetes

seg, 30 março 2026 14:45

Entrevista Nota 10: Joselma Oliveira e o protagonismo feminino no sucesso da Pardal Sorvetes

Fundadora e presidente da Pardal Sorvetes fala sobre sua trajetória enquanto empreendedora e comenta sua participação na Roda de Conversa “Mulheres que Transformam”


Em 1990, Joselma começou seu negócio em Currais Novos, no Rio Grande do Norte, vendendo picolés caseiros na feira da cidade. Hoje, ela administra uma das maiores indústrias de sorvete do Nordeste (Foto: Divulgação)
Em 1990, Joselma começou seu negócio em Currais Novos, no Rio Grande do Norte, vendendo picolés caseiros na feira da cidade. Hoje, ela administra uma das maiores indústrias de sorvete do Nordeste (Foto: Divulgação)

De uma caixa com 30 picolés a 7 milhões de unidades vendidas por ano. O caminho galgado pela empresária potiguar Joselma Oliveira à frente da Pardal Sorvetes pode ter começado simples, mas foram sua determinação, visão empreendedora e liderança estratégica que transformaram uma ideia para “sair do aperto” nas contas em uma das maiores indústrias de sorvete do Nordeste.

Sua história vira inspiração para quem se interessa em criar um negócio, especialmente para mulheres que, assim como ela, buscam mudar a própria realidade por meio do trabalho e da autonomia financeira. Em suas palestras, Joselma compartilha aprendizados reais sobre disciplina, organização e decisões que convertem desafios em resultados.

No dia 17 de março, inclusive, a fundadora e presidente da Pardal Sorvetes esteve na Universidade de Fortaleza, da Fundação Edson Queiroz, para participar da Roda de Conversa “Mulheres que Transformam”. A ocasião aconteceu em celebração ao Mês Internacional da Mulher e contou com a participação das colaboradoras da Unifor, que puderam trocar experiências com Joselma após a palestra.

Na Entrevista Nota 10 desta semana, ela fala sobre sua trajetória enquanto mulher empreendedora à frente da Pardal Sorvetes, os desafios e conquistas do negócio, além de comentar sua experiência no evento da Unifor.

Confira a entrevista na íntegra a seguir.

Entrevista Nota 10 — Joselma, conta como começou sua carreira como empreendedora. O que te inspirou a montar um negócio próprio e seguir no ramo alimentício? Por que você escolheu começar com picolés?

Joselma Oliveira — Eu comecei por necessidade. Meu marido era vendedor de pipocas, estávamos atravessando um momento difícil da economia, a inflação estava alta e o preço das coisas mudava todos os dias. Nós tínhamos dois filhos, e meu marido me disse que precisaríamos demitir a nossa empregada doméstica. Como não me adaptei ao serviço de casa, pedi a uma madrinha, chamada Lourdes, que me ensinasse a fazer picolés. Ela me ensinou quatro sabores. 

Comecei de forma muito simples, na cozinha de casa, com o nome de “Picolé Caseiro”. O início foi desafiador: a geladeira quebrou algumas vezes e as pessoas que iam vender voltavam com os picolés derretidos. Até que eu mesma saí para vender na feira livre, e, para minha surpresa, eles acabaram rápido. Ali, eu entendi que, se eu fizesse algo com qualidade e dedicação, o negócio poderia crescer.

Entrevista Nota 10 — O que começou com uma caixa com 30 picolés hoje se transformou em uma indústria de renome, sendo inclusive fornecedora da Air France-KLM. Quais fatores foram decisivos para o sucesso da Pardal Sorvetes? Houve momentos marcantes que fizeram você perceber que estava no caminho certo?

Joselma Oliveira — Eu acredito muito que o nosso crescimento veio de três coisas: trabalho, constância e cuidado com as pessoas. Desde o começo, eu sempre tive muito respeito pelo que entregava. Comida é coisa séria, então qualidade nunca foi negociação para nós.

Outro ponto foi nunca parar. Eu fui crescendo aos poucos: 30, 100, 200, 400 [picolés]. Depois, contratando e expandindo cidade por cidade, até chegar a Fortaleza. Houve muitos momentos marcantes, mas um que mexeu comigo foi quando percebi que a marca já fazia parte da vida das pessoas. Quando alguém diz “Eu cresci tomando Pardal”, você entende que não é só produto, é história.

Entrevista Nota 10 — Toda empresa enfrenta desafios. Quais foram os principais obstáculos e como conseguiu superá-los? Em algum momento, ser mulher influenciou a sua experiência de liderança?

Joselma Oliveira — Os obstáculos foram muitos, desde a falta de capital inicial — meu primeiro freezer foi comprado com apenas uma parcela paga, dependendo inteiramente das vendas para quitar o restante — até a competitividade logística do mercado. Eu considero que o maior desafio é interno: não desistir.

Eu sempre fui muito organizada e disciplinada, mesmo quando não sabia tudo. Eu aprendia fazendo, errando e ajustando. E ser mulher influencia. Muitas vezes, a gente precisa provar mais, ser mais firme, mais preparada, mas eu nunca deixei isso me travar. Pelo contrário, usei isso como força.

Entrevista Nota 10 — O que significa, para você, ser mulher e empreendedora? Que conselhos daria para outras mulheres que já empreendem ou que desejam iniciar o próprio negócio?

Joselma Oliveira — Ser mulher e empreender é ter coragem todos os dias para vencer os desafios. É cuidar de muita coisa ao mesmo tempo, mas não abrir mão dos seus sonhos. Empreender é muito bom!

Meu conselho para quem está começando ou já está no caminho [do empreendedorismo] é: comece com o que você tem. Eu comecei com 30 picolés. Não espere a estrutura perfeita para dar o primeiro passo. Foque na qualidade, cuide das pessoas e tenha clareza do seu propósito. Quando você sabe quem você é e o valor do que entrega, o mercado abre portas. E outra coisa muito importante: organização. Não adianta só ter vontade, precisa ter controle, planejamento e disciplina. É isso que sustenta o crescimento.

Entrevista Nota 10 — No dia 17 de março, você esteve na Unifor na roda de conversa “Mulheres que Transformam”. Como foi compartilhar sua história e o que essa ocasião representou para você? O que essa ocasião representou para você?

Joselma Oliveira — Ter estado na Unifor no dia 17 de março foi uma experiência emocionante, um momento muito especial pra mim. Poder compartilhar minha história e, ao mesmo tempo, ouvir outras mulheres foi muito enriquecedor. A gente percebe que, mesmo com histórias diferentes, os desafios são parecidos. E isso conecta, fortalece. 

[O momento] representou a consolidação da minha nova missão: não apenas vender sorvetes, mas compartilhar conhecimento para que outras mulheres também transformem suas realidades.

Entrevista Nota 10 — Qual é a importância de uma instituição como a Unifor promover esses encontros? De que forma isso contribui para fortalecer o empoderamento feminino?

Joselma Oliveira — É fundamental, porque cria espaço para troca, inspiração e aprendizado. Quando uma universidade abre espaço para o depoimento real, ela une a teoria acadêmica à prática da “trincheira” do mercado. Isso fortalece o empoderamento feminino porque gera prova social: as alunas e mulheres da comunidade olham para nós e pensam “se ela conseguiu, eu também posso”. Esses encontros encurtam caminhos, criam redes de apoio e preparam as futuras líderes para enfrentarem o mercado com muito mais confiança e estratégia. Muitas vezes, é ali que nasce a coragem que faltava para começar.