seg, 11 maio 2026 16:57
Quando a maternidade e a vida acadêmica caminham juntas
Conciliar maternidade e vida acadêmica exige reorganizar rotinas, enfrentar renúncias e aprender a habitar diferentes papéis ao mesmo tempo. Na Universidade de Fortaleza, mães universitárias compartilham histórias em que estudar também se torna uma forma de cuidar, inspirar e transformar.

Habitar os vários mundos possíveis entre a maternidade e a carreira acadêmica há de ser um exercício de coragem, persistência e amor. Sejamos realistas: o caminho não é dos mais fáceis. Mas quando uma mãe se matricula para uma nova experiência universitária, ela destaca a grandeza que é cultivar os próprios sonhos e realizações pessoais enquanto criam seus filhos para a vida. Com seu exemplo, inspiram também as novas gerações sobre o valor da persistência e da educação.
A maternidade há de caber do curso de graduação ao desejado doutorado. Ela há de abrir espaço para os livros, as salas de aula, as pesquisas e os estágios, ainda que nem sempre seja possível se dedicar a uma tarde inteira de estudos, sem interrupções. A universidade pode, sim, caber na vida das mães, apesar do tempo quase sempre parecer curto demais.
Trajetórias como essas se cruzam diariamente nos blocos e bosques do campus da Universidade de Fortaleza, vinculada à Fundação Edson Queiroz. Lia Gondim decidiu começar a estudar Medicina aos 40 anos, depois de viver intensamente os primeiros anos da filha. No Direito, Wagneriana Camurça atravessou uma gestação delicada sem romper o vínculo com a vida acadêmica que também herdou da mãe. Ao cursar o Doutorado em Psicologia, Letícia Bessa acredita dar o exemplo para que as filhas acreditem no seu potencial. Com um filho de oito meses, Stefanny Estevo está no 1º semestre da graduação de Comércio Exterior com o sonho de desbravar o mundo.
No último Dia das Mães, o jornal Unifor Notícias Mobile trouxe histórias diferentes unidas por uma mesma insistência: a de não abandonar a si mesmas no percurso da maternidade.
O valor da persistência e da educação
A maternidade é o principal papel na vida de Lia Gondim. Mãe da Maria Beatriz, de 7 anos, ela conta que tornar-se mãe foi o que mais transformou sua forma de ver o mundo. “Me deu força, propósito e um senso de responsabilidade ainda maior sobre o exemplo que quero deixar”, conta. Quando a filha completou 3 anos, depois de se dedicar ao máximo aos primeiros 1.000 dias, Lia diz que decidiu ter outro filho: a Medicina.
Lia Gondim e sua filha Maria Beatriz, de 7 anos (Foto: Ares Soares)
Matriculou-se na Unifor para iniciar, então, uma história de recomeço. “Escolhi Medicina por propósito voltado para o cuidado com o outro, mas decidi trilhar esse caminho de forma mais madura, aos 40 anos, depois de cursar Administração de Empresas e Mestrado em Planejamento e Políticas Públicas na Universidade Estadual do Ceará (UECE)”, explica.
Lia diz ter escolhido a Unifor para iniciar uma nova graduação pela excelência acadêmica, pela estrutura e, principalmente, pelo acolhimento. “Aqui encontrei não só formação técnica, mas uma formação da medicina voltada à pessoa e não somente voltada à doença. E nesta universidade encontrei um ambiente que respeita trajetórias diversas como a minha”, celebra.
Conciliar a rotina de estudos em Medicina com a maternidade não é simples. Lia conta que faz um exercício diário de organização, presença e, muitas vezes, de renúncia. “Eu busco estar inteira em cada papel: quando estou com minha filha, estou verdadeiramente com ela; quando estou estudando ou no hospital, estou focada nisso”, afirma. A aluna diz contar com rede de apoio, planejamento e, principalmente, com muito amor. “Não existe perfeição, mas existe compromisso e realização pessoal e profissional”, acredita.
Isso porque ela concilia muitos sonhos: além da maternidade e da medicina, trabalha com o programa Ceará Sem Fome, do Governo do Ceará. “Não vejo como sonhos separados — eles caminham juntos. Ser mãe me fortalece como estudante e futura médica, ser estudante me fortalece como mãe e ser articuladora do programa Ceará Sem Fome intensifica meu propósito com a promoção à saúde. Claro que exige equilíbrio, ajustes constantes e muita resiliência, mas é possível quando há propósito”, analisa.
O maior desafio, segundo Lia, é o tempo, que nunca parece suficiente. “Existe também o cansaço físico e emocional. Mas as realizações superam tudo isso: cada aprovação, cada paciente atendido no internato, cada dia que consegui estar presente na vida da minha filha mesmo com uma rotina intensa. Eu sigo com disciplina, propósito claro e lembrando sempre do porquê comecei”, admite. Ela diz ter se identificado com outras mães fazendo Medicina e conta que, por diversas vezes, elas estudam juntas, enquanto os filhos brincam em outra sala.
O suporte também vem da Universidade. “Encontrei professores, em sua maioria, compreensivos e colegas solidários. Esse acolhimento faz diferença para quem vive múltiplas jornadas. Saber que você não está sozinha muda tudo”, considera.
“Minhas maiores alegrias são poder mostrar para minha filha, na prática, o valor da persistência e da educação. É ouvir dela que quer ‘ser como a mamãe’ e perceber que não estou realizando só um sonho, mas um legado. Também é extremamente gratificante viver o internato, atender pacientes e sentir que estou exatamente onde deveria estar. Eu me realizo a cada dia que me dedico à medicina, e isso me faz feliz.” — Lia Gondim, aluna do curso de Medicina
Lia encoraja as mães que desejam fazer uma graduação que não esperem o “momento perfeito”, porque ele não existe. “Comecem com o que têm. Organizem-se, aceitem ajuda e não se cobrem perfeição. Seus filhos não precisam de uma mãe perfeita. Precisam de uma mãe presente, que inspira pelo exemplo. E estudar, crescer e buscar seus sonhos também é uma forma de amar seus filhos”, acredita.
Para ela, ser mãe e estudante universitária significa coragem. “Significa reescrever a própria história sem abrir mão do amor mais importante da vida. É provar, todos os dias, que é possível sonhar e realizar — mesmo quando o caminho exige mais de você”, sintetiza.
Na Universidade, um ato de coragem e amor para mãe e filhos
Do casamento ao desejo de tentar de fato engravidar, passaram-se sete anos. Wagneriana Lima Temóteo Camurça, docente do curso de Direito da Unifor, conta que a decisão de ter filhos veio próxima de um diagnóstico de endometriose, que diminuía muito a chance de gestação por vias naturais.
“A minha história de maternidade é tensa”, conta. “Foi tão avassalador: diagnóstico, cirurgia de emergência, retirada de parte do intestino, retirada de óvulos para tentar uma fertilização, fertilização in vitro feita sem resultado favorável. Mais cirurgias. Mais injeções. Mais gastos. Muitas, muitas tentativas”, narra.
Após 12 tentativas com uma perda gestacional, Wagneriana já estava desistindo. Decretou que os últimos embriões que haviam seriam os últimos a serem implantados, sem mais tentativas. Deles, vieram os gêmeos Saulo e Samuel, há sete anos.
“Nesse ponto, desde o tratamento até a gravidez e todo o período de espera, a Unifor segurou a minha mão. Especialmente as professoras Juliana Mamede e Katherinne Maciel, que sabiam de tudo o que se passava”, conta a docente.
Houve um tempo em que Wagneriana precisou ir para a Universidade de cadeira de rodas pelo risco de perda dos bebês. “Sempre tive apoio dos funcionários e dos alunos também. Eu não queria deixar de dar as minhas aulas e vim até onde eu pude suportar. Uma gravidez bem difícil, mas muito querida”, conta ela, que persistiu para manter os dois sonhos: ser mãe e manter sua carreira universitária.
Ela não podia abandonar o desejo da carreira universitária, compartilhado com a própria mãe, que paralisou o curso de Direito na juventude e retornou depois de aposentada. Wagneriana lembra, quando estava no colégio, de ver a mãe indo estudar na Unifor. A memória então a leva para o vestido branco que a mãe usava na formatura enquanto dançava com o pai dela. Especialmente agora, semanas depois da partida dela.
“Estar na Unifor é respirar o mesmo ar que ela, ver as flores que ela admirava no campus. Acho que esse amor que ela carregava pela Unifor dela (ela chamava de ‘minha Unifor’) me contaminou de um jeito porque, na primeira vez que eu pus os pés aqui, ainda em 1998, quando eu tinha 15 anos, eu disse que iria trabalhar aqui. E essa promessa se cumpriu em pouco mais de 10 anos”, afirma a docente.
Quando as crianças nasceram, Wagneriana passou um semestre inteiro afastada, curtindo os primeiros meses delas com a tranquilidade de saber que tinha lugar para voltar quando a licença acabasse. “É muito bom trabalhar em um ambiente que te deixa segura! Que apoia a nossa maternidade e permite que sejamos mães, que não nos tolhe”, declara.
Wagneriana Camurça junto aos filhos Samuel e Saulo (Foto: Arquivo pessoal)
Hoje, a docente define a jornada dupla de maternidade e academia como um “looping infinito de várias sensações”. Ela comenta sobre a culpa que sentiu inúmeras vezes, ao deixar as crianças com alguém para poder estudar para as aulas e também ir à Universidade. “Ao mesmo tempo, essa culpa vira alívio. Tem dias que a casa é tão caótica com as crianças naquela fase de quererem tudo, demandarem tudo e gritarem muito, que a gente descansa trabalhando”, confessa, rindo.
Para Wagneriana, a culpa de não colocar os filhos para dormir se dissipa quando eles a esperam chegar ou quando ela almoça com eles. Os horários na Universidade, aliás, estão distribuídos para que ela consiga estar presente sempre em algum momento do dia.
“Reconheço que tenho uma rede de apoio forte. Meu marido trabalha em home office, tenho uma funcionária e uma sogra que são extremamente confiáveis e sei que boa parte das mães não têm esse privilégio. Se eu, com apoio, tenho dias que me revolto com o tanto de trabalho que tenho para que as coisas funcionem em casa, imagino a dor de quem não tem apoio algum (inclusive financeiro)”, lamenta.
A dedicação de Wagneriana ao trabalho, assim como a segurança de que deve zelar e construir sua carreira, vem muito da relação com sua própria mãe, uma mulher nascida em uma família carente que trabalhou sempre como servidora pública. Foi com ela que a docente aprendeu que trabalho também é muito importante para a família.
“Acredito que meu trabalho na Universidade é muito maior que a questão financeira, é um ato de coragem e amor aos meus filhos, para que eles saibam a importância do trabalho e de ser útil para as pessoas. Mesmo com sacrifício, mesmo ficando com pena quando eles pedem para eu ficar em casa e não ir trabalhar, entendo que o meu trabalho faz parte de mim”, afirma.
Saulo e Samuel parecem que estão, pouco a pouco, assimilando a mensagem da mãe. De vez em quando, eles mesmos brincam de trabalhar na Unifor. “E eu acho isso tão legal! Aliás, eles dizem que a Unifor é uma mini-cidade! Saulo, meu menino de olhos azuis, diz que vai ser professor, além de policial, bombeiro e cavaleiro do Zodíaco. Samuel todo dia pergunta: você vai para a Unifor? Isso é sensacional: eles terem noção de pertencimento a algo que eu pertenço. Inclusive, eles mais novinhos vinham andar de triciclo no campus quando eu vinha para as reuniões acadêmicas nos sábados. Sensação de sonho”, diz Wagneriana.
A docente conta que um dos filhos tem Transtorno do Espectro Autista, o que amplia os desafios pela necessidade de inúmeros tratamentos e terapias. “O trabalho na Universidade me faz respirar quando as coisas ficam difíceis. Eu acredito fielmente que meu trabalho na Universidade me fez compreender, inclusive, as dificuldades do meu pequeno loirinho de olhos castanhos”, afirma.
“É possível ir atrás dos sonhos mesmo quando se tem ao nosso lado esses pequenos seres (que crescem, mas que sempre serão pequenininhos aos nossos olhos). Não é fácil, tem horas que a gente enlouquece, mas o amor que vem daqueles olhinhos e dos beijos que estalam nas nossas bochechas dissipam qualquer medo. [...] Estudo é libertador. Não tolhe a maternidade como andam dizendo por aí. Estudo cria possibilidades de a gente poder escolher. E permite que, no futuro dos nossos filhos, eles também possam ter escolhas.” — Wagneriana Camurça, docente do curso de Direito, mestre em Direito Constitucional e especialista em Psicologia Jurídica
Experiências que impulsionam para a vida
De vez em quando, enquanto caminha pelo campus, a docente do curso de Psicologia Letícia Bessa reflete sobre o “privilégio” de poder trabalhar e estudar na Unifor. Mãe de duas filhas — a Marina Luz, de 13 anos, e a Isa Tiê, de 11 —, ela conta que optou por esperar que ambas saíssem da primeira infância e adquirissem mais autonomia antes de iniciar o desejado Doutorado em Psicologia, que espera concluir neste ano.
Antes de iniciar esta nova experiência acadêmica, Letícia conta que conversou com o marido e as filhas, pois imaginava que, durante os quatro anos do curso, não conseguiria estar presente na família da mesma forma de sempre. “Desde então, venho contando com o apoio e a compreensão deles, o que me ajuda muito”, acrescenta. O fato de trabalhar e estudar na mesma instituição de ensino é outro fator positivo para conseguir equilibrar tantas funções.
Mesmo assim, Letícia admite que não é fácil conciliar a rotina de estudos e pesquisa com a docência e a maternidade. “Uma das minhas estratégias é não deixar minhas tarefas acumularem e a outra é pedir ajuda sempre que percebo que não vou conseguir algo sozinha. Meus colegas de laboratório e minhas orientadoras são pessoas incríveis que têm me auxiliado bastante”, afirma.
Os papéis de mãe, pesquisadora e professora de ensino superior exigem muita responsabilidade, especialmente quando realizados simultaneamente. “Mas eu amo fazê-los. Para mim, a maternidade, a docência e a pesquisa são grandes experiências que me impulsionam para a vida”, diz Letícia.
No dia a dia, a docente conta que a principal dificuldade é fazer caber nas 24 horas do dia tudo que precisa. Alguns sacrifícios, como dormir menos e diminuir o contato com os amigos, acabam sendo necessários, segundo ela. “Mas tenho em mente que, após a conclusão do doutorado, vou conseguir equilibrar melhor meu descanso e meu lazer”, acredita.
Letícia Bessa com suas filhas Marina Luz e Isa Tiê (Foto: Ares Soares)
Letícia já era professora universitária, durante as suas duas gestações. Ela lembra de ter ficado apreensiva quando contou sobre a segunda gravidez à coordenação do curso. “Fiquei com receio de como iam receber a notícia, pois foram duas gravidezes próximas. Na época, me surpreendi com o acolhimento que recebi. Posteriormente, essa situação me fez pensar sobre como nós, mulheres, muitas vezes internalizamos e naturalizamos as pressões sociais. Felizmente, encontrei colegas que me ajudaram a desconstruir isso”, conta.
Ela destaca que, hoje, professoras e alunas mães podem contar, por exemplo, com o Posto de Coleta de Leite Humano, que funciona no Núcleo de Atenção Médica Integrada (NAMI) e é ligado ao curso de Enfermagem. E defende que, de uma forma geral, as universidades e as instituições de pesquisa podem desenvolver mais ações inclusivas para alunas, professoras e pesquisadoras mães.
“No meu caso, foi fundamental ter recebido uma bolsa da Unifor destinada a professores doutorandos da instituição, que cobriu quase todo o curso. Esse apoio foi imprescindível para que eu pudesse me dedicar ao doutorado e, de forma indireta, também à minha prática docente e à maternidade”, celebra Letícia.
Para ela, ser mãe, docente e estudante é uma aventura humana. “Uma oportunidade de crescimento! Uma grande responsabilidade, mas também um grande privilégio”, resume. Ela anima outras mães a escutarem seu desejo, sem deixar que convenções e pressões sociais ditem o que fazer ou não fazer. No caminho, é importante não se subestimar nem cobrar perfeição de si mesma e, ao perceber injustiças de gênero, que tantas vezes atingem mulheres mães, procurar denunciá-las.
Na rotina acadêmica intensa, Letícia diz que procura sempre ter em mente que não é perfeita e que não tem como dar conta de tudo sem falhas. “Tento olhar dessa forma humanizada para mim, como também para minhas filhas e para as pessoas que passam por mim na formação em Psicologia”, afirma a docente, que diz aprender com as filhas e a maternidade diariamente.
“Eu gosto muito quando minhas filhas me veem em momentos especiais da minha caminhada profissional, como no lançamento de um livro, na publicação de algum artigo, na premiação de algum trabalho ou, mais recentemente, na minha banca de qualificação. Eu sempre imagino que, nesses momentos, estou transmitindo às duas a mensagem de que acreditem no potencial delas, não se subestimem, e se permitam ir aonde quiserem.” — Letícia Bessa, docente do curso de Psicologia e doutoranda de Psicologia na Unifor
A força inexplicável de ser mãe
Ao ver o mundo cada vez mais conectado, com as relações entre países movendo economias inteiras, Stefanny Estevo percebeu um desejo latente de fazer parte e crescer neste universo. Havia tido seu primeiro filho há poucos meses quando escolheu se matricular no curso de Comércio Exterior da Unifor para construir o futuro rumo ao seu objetivo profissional.
Stefany Estevo com seu filho de oito meses, Mateu (Foto: Ares Soares)
“Meu filho não foi planejado. Mas sabe quando a vida te surpreende de um jeito que você não esperava e mesmo assim faz todo sentido? Foi exatamente isso. Tenho 22 anos, é meu primeiro filho, e ele é a razão de tudo que eu faço. Cada aula cansativa, cada noite pesada, é por ele”, conta a aluna, que está no primeiro semestre do curso.
Conciliar a rotina de estudos com a maternidade não tem sido fácil. Stefanny trabalha de segunda a sábado, estuda à noite e ainda tenta aproveitar cada minutinho com o filho. “Mas eu não tô sozinha nisso, minha base de apoio é essencial. Sem eles, seria muito mais difícil. Não tem fórmula mágica, tem força de vontade, tem renúncia e tem uma rede de amor que me sustenta”, diz, sem romantizar as dificuldades.
Para ela, o maior desafio é a falta de tempo. “Às vezes bate uma culpa de não estar presente o suficiente, de ter que dividir a atenção entre trabalho, graduação e ele. Mas a maior realização é olhar pra trás e ver que eu estou conseguindo, que eu não desisti. Isso já é muito para mim”, confidencia.
“A Universidade me dá algo muito importante: a sensação de que eu estou construindo um futuro melhor para mim e para o meu filho. Cada aula é um passo nessa direção. E isso me sustenta nos dias mais pesados.” — Stefanny Estevo, aluna do curso de Comércio Exterior
Stefanny narra como é prazeroso chegar em casa depois de um dia longo e ver a carinha do filho, hoje com oito meses. “Aquele olhar dele já basta. É simples assim, e é tudo. E saber que um dia ele vai crescer e entender o que a mãe fez por ele, isso me move de um jeito que é difícil de explicar com palavras”, afirma.
A aluna conta que lidar com o sonho da maternidade e do curso superior é desafiador e bonito ao mesmo tempo. “São dois sonhos que se alimentam. Ser mãe me deu uma força que eu não sabia que tinha. E a graduação me dá a certeza de que tô caminhando para algo maior. Um não existe sem o outro pra mim agora”, diz.
Ser mãe e estudante universitária, acredita a aluna, significa ser exemplo. “Mostrar pro meu filho, desde cedo, que a gente não desiste dos sonhos só porque o caminho ficou mais complicado. Significa que eu posso ser muita coisa ao mesmo tempo: mãe, trabalhadora, estudante — e que tudo isso faz parte de quem eu sou”, finaliza.