Entrevista Nota 10: Lidiane Tavares e o papel do fonoaudiólogo educacional no desenvolvimento infantil

seg, 14 setembro 2026 16:50

Entrevista Nota 10: Lidiane Tavares e o papel do fonoaudiólogo educacional no desenvolvimento infantil

Especialista em Fonoaudiologia Educacional analisa o panorama do mercado de trabalho no Ceará, detalha a importância do acompanhamento fonoaudiológico no desenvolvimento infantil e compartilha como a vivência prática em escolas prepara os futuros profissionais para os desafios da profissão


Mestre em Educação e especialista em Linguagem, Lidiane é professora do curso de Fonoaudiologia da Unifor e proprietária da Fonoaudiocenter - Núcleo Especializado em Aprendizagem (Foto: Arquivo pessoal)
Mestre em Educação e especialista em Linguagem, Lidiane é professora do curso de Fonoaudiologia da Unifor e proprietária da Fonoaudiocenter - Núcleo Especializado em Aprendizagem (Foto: Arquivo pessoal)

A aquisição e o desenvolvimento da linguagem são pilares fundamentais para a aprendizagem e a formação integral das crianças. Por isso, a fonoaudiologia educacional consolida-se como uma especialidade estratégica e em constante ascensão no Brasil, atuando diretamente no ambiente escolar para promover a inclusão, oferecer apoio pedagógico e mediar as relações entre educadores, estudantes e famílias.

Encantada pela área desde a graduação em Fonoaudiologia na Universidade de Fortaleza, a fonoaudióloga Lidiane Tavares explica que essa vertente profissional trabalha junto à equipe pedagógica no processo de identificação, elaboração de estratégias facilitadoras de aprendizagem e monitoramento do processo de desenvolvimento infantil.

“O mercado de trabalho não só no Ceará, mas no Brasil [como um todo] está em ascensão. Temos resoluções e leis na educação que contemplam ações fonoaudiológicas em consonância com políticas públicas vigentes, o que favorece a nossa atuação. O que nos falta é o reconhecimento dessa atuação, tanto pela população em geral como por profissionais relacionados à área”, pondera a especialista em Fonoaudiologia Educacional.  

Mestre em Educação pela Universidade Federal de Rondônia (UNIR), Lidiane é especialista em Linguagem pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia (CCFa) e pela Unifor, com formação em Alfabetização e em Avaliação e Intervenção nos Transtornos de Aprendizagem pela Universidade Estadual Paulista (Unesp/LIDA).

Além de docente do curso de Fonoaudiologia da Unifor, ela atua como coordenadora científica de cursos e treinamentos e é proprietária da Fonoaudiocenter - Núcleo Especializado em Aprendizagem. Também presta assessoria e consultoria em Fonoaudiologia Educacional.

Na Entrevista Nota 10 desta semana, Lidiane analisa o panorama do mercado de trabalho no Ceará, detalha a importância do acompanhamento fonoaudiológico no desenvolvimento infantil e compartilha como a vivência prática em escolas prepara os futuros profissionais para os desafios da profissão.

Leia a entrevista na íntegra a seguir.

Entrevista Nota 10 — Professora, vamos começar esta entrevista lhe apresentando aos nossos leitores. Conta um pouco sobre sua trajetória e quando decidiu abraçar a fonoaudiologia educacional?

Lidiane Tavares — Iniciei o encantamento pela área da fonoaudiologia educacional durante a graduação. Direcionei os meus estudos durante as disciplinas que contemplavam o assunto. Formei em 2002 e já iniciei fazendo consultoria em escolas. Fui assessora e auxiliar da coordenação em uma creche escola até 2010, quando mudei para a cidade de Porto Velho, Rondônia.

Ao longo dos anos, vivenciei experiências e acompanhei a evolução nas práticas fonoaudiológicas na área educacional. Fiz mestrado em Educação para entender, compreender e ampliar conhecimentos e práticas, além de me inserir na pesquisa. A partir daí fui a Paris, na França, falar sobre a Fono Educacional no Brasil e fui convidada para escrever capítulos de livros sobre a área.

Entrevista Nota 10 — Como se dá o trabalho do fonoaudiólogo educacional e qual o atual cenário do mercado de trabalho no Ceará?

Lidiane Tavares — O fonoaudiólogo educacional atua em todas as esferas administrativas e autarquias educacionais voltadas à educação básica, educação especial, educação profissional e tecnológica, educação a distância, educação de jovens e adultos, educação superior e pós-graduação. O mercado de trabalho não só no Ceará, mas no Brasil [como um todo] está em ascensão. Temos resoluções e leis na educação que contemplam ações fonoaudiológicas em consonância com políticas públicas vigentes, o que favorece a nossa atuação. O que nos falta é o conhecimento e o reconhecimento dessa atuação, tanto pela população em geral  como por profissionais relacionados a área.

Entrevista Nota 10 — O fonoaudiólogo educacional atua principalmente em cinco frentes: prevenção, apoio pedagógico, inclusão escolar, saúde vocal e mediação família-escola. Como se dá atuação nesses pontos destacados? É possível ainda atuar em outras frentes?

Lidiane Tavares — O fonoaudiólogo educacional pode ser consultor, assessor ou gestor/administrador. O consultor atua como um agente de promoção de saúde fonoaudiológica, verifica a necessidade da escola e sugere estratégias para melhoria na comunicação. O assessor faz parte do quadro de funcionários da instituição educacional e atua junto da equipe pedagógica, alunos, pais e funcionários em busca de estratégias facilitadoras de aprendizagem. E como gestor/administrador, o fonoaudiólogo pode ser o responsável pelo ambiente educacional, elaborar e executar projetos educacionais, todos em busca de facilitar a aprendizagem.

Entrevista Nota 10 — Há uma idade exata para atestar que uma criança tem dificuldade de linguagem oral? Como família e escola devem atuar em conjunto para favorecer o desenvolvimento infantil?

Lidiane Tavares — A literatura cita que até cinco anos de idade a criança deverá ter o quadro fonético completo, ou seja, ter todos os sons da fala adquiridos, assim como os marcos do desenvolvimento da linguagem compreensiva e expressiva já em pleno desenvolvimento. Quando se tem o profissional fonoaudiólogo na instituição, facilita o processo de monitoramento e acompanhamento das crianças com dificuldades e por consequência as orientações e encaminhamentos, se necessário.

Entrevista Nota 10 — Professora, considerando toda a sua trajetória profissional, por que o fonoaudiólogo educacional é fundamental para o desenvolvimento infantil?

Lidiane Tavares — Porque em todo o processo de aquisição e desenvolvimento de linguagem, que é base para a aprendizagem, o fonoaudiólogo é o profissional capacitado para atuar, seja dentro ou fora do ambiente escolar. Ele consegue trabalhar junto à equipe pedagógica no processo de identificação, elaboração de estratégias facilitadoras de aprendizagem e monitoramento do processo de desenvolvimento.

Entrevista Nota 10 — O curso de Fonoaudiologia da Unifor possui infraestrutura de ponta e corpo docente de referência e, assim, a instituição propicia uma formação de excelência aos futuros profissionais. Dado esse cenário, quais são os diferenciais da graduação para os interessados em seguir carreira na área educacional? Como o aluno pode se destacar?

Lidiane Tavares — A Universidade de Fortaleza oferece disciplinas teórica-prática e de estágio em Fonoaudiologia Educacional, contemplando funções e atribuições desse profissional. O(a) estudante, durante a graduação, deverá fazer relação dos assuntos teóricos de aquisição e desenvolvimento de linguagem para o planejamento de ações nas áreas de comunicação humana.

Entrevista Nota 10 — Do ponto de vista da prática educacional, como se dá o suporte a crianças na rede de ensino, principalmente em escolas públicas?

Lidiane Tavares — Temos convênio. Inclusive, estamos agora na disciplina de Estágio em Fonoaudiologia Educacional em uma escola municipal, que é próximo ao Núcleo de Atenção Médica Integrada (NAMI) da Unifor. A dificuldade que temos é de ter mais dias de prática, porque eles [da escola] ficam super agradecidos por ter o fonoaudiólogo educacional institucional tentando fazer alguma intervenção institucional dentro do ambiente educacional.

Para nós, é muito bom, embora a carga horária seja pequena. Mas os nossos alunos da disciplina conseguem visualizar como funciona, quais são os entraves, quais são as facilidades e dificuldades que  encontramos. É um campo de vivência excelente. A própria escola coloca tapete vermelho para entrarmos, somos muito bem-vindos.

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