seg, 23 fevereiro 2026 16:20
Professores da Psicologia da Unifor desenvolvem protocolo para Incidentes com Múltiplas Vítimas
O grupo está contribuindo com o Simulado IMV 2026 ao inserir o cuidado emocional como eixo estratégico na resposta integrada a crises

Docentes do Curso de Psicologia da Universidade de Fortaleza, instituição mantida pela Fundação Edson Queiroz, estão participando, de forma pioneira e voluntária, dos alinhamentos para o Simulado do Evento de Incidentes com Múltiplas Vítimas (IMV) 2026. O grupo foi responsável pela criação de um protocolo de PCP (Primeiros Cuidados Psicológicos) para esse tipo de incidente.
O evento, organizado pela Secretaria Executiva de Atenção à Saúde e Desenvolvimento Regional (SEADE) e pela Coordenadoria de Atenção à Rede de Urgência e Emergência (CORUE), ambas da Secretaria da Saúde do Estado do Ceará (SESA), além da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), acontecerá no período de 4 a 6 de março de 2026, em Fortaleza, em locais como a Arena Castelão.
O grupo de docentes é composto pelas professoras Liliane Carvalho, Juliana Lima, Samia Carliris e Fabiana Lira, e pelo professor Álvaro Rebouças. O Simulado do IMV, iniciativa do Ministério da Saúde (MS), sob competência da Secretaria de Atenção Especializada à Saúde e da Força Nacional do SUS (Sistema Único de Saúde), surge com a proposta de criar, estruturar e fortalecer um grupo local para uma resposta integrada a crises, desastres e acidentes com múltiplas vítimas, especialmente em situações que envolvem multidões, como carnaval e eventos em estádios, além de ocorrências como estruturas colapsadas, rompimento de barragens e inundações.
Para a professora doutora, Juliana Lima, a participação de docentes de Psicologia da Unifor representa um marco de vanguarda, pois insere o cuidado psicológico já na fase inicial de resposta a um incidente com múltiplas vítimas. "O que estamos propondo é integrar, desde o primeiro momento, a dimensão psicológica e relacional como parte do cuidado emergencial, reconhecendo que o impacto de um desastre não é apenas físico, mas também emocional, cognitivo e social", comenta.
Já a professora doutora, Samia Carliris, destacou que o grupo busca solidificar o trabalho da Psicologia no contexto de Emergências e Desastres, partindo do cenário de Fortaleza, mas referenciado pela ONU e por marcos internacionais, ao apoiar diferentes níveis de equipes e governos na promoção da resiliência de cidades e comunidades frente aos riscos e também na redução de desastres. "Reafirmamos, assim, o compromisso da Psicologia em antecipar, planejar e reduzir riscos, proteger pessoas e comunidades e apoiar a construção de cidades mais seguras e resilientes", destacou.
A também professora doutora Liliane Carvalho explicou que o grupo desenvolveu um protocolo de PCP (Primeiros Cuidados Psicológicos) para Incidentes com Múltiplas Vítimas, que organiza a atuação em etapas fundamentais, como garantir a segurança das pessoas atendidas, realizar um acolhimento inicial qualificado, avaliar as condições emocionais e cognitivas da vítima, efetuar o registro adequado das informações junto à equipe e, quando necessário, encaminhar para a continuidade do cuidado na rede de atenção à saúde.
"Ter um protocolo nos serve como norteador da atuação, mas também sabemos que cada situação de emergência e desastre é única e exigirá da equipe de psicólogos a capacidade de lidar com as demandas à medida que surgem, revendo e atualizando as ações de acordo com as especificidades de cada cenário. Como a Psicologia trabalha para reforçar condições de não dependência das comunidades e populações, promover e organizar planos de contingência permite a emancipação, a autonomia e a autoestima coletiva no enfrentamento de adversidades, além de fomentar recursos locais em processos estratégicos de empoderamento", afirmou.
Egressa da Unifor
Entre os profissionais envolvidos está também uma egressa do Curso de Psicologia da Unifor. Glauciran Cavalcante é diretora de Gestão de Pessoas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
A trajetória da profissional reflete o impacto da formação recebida na Unifor, que alia base teórica sólida, prática profissional e desenvolvimento de competências humanas essenciais para contextos de alta complexidade. Foi a partir dessa construção acadêmica que ela consolidou o olhar estratégico e sensível que hoje orienta sua atuação na gestão de pessoas em um dos serviços mais desafiadores da área da saúde pública.
"A Psicologia tem ganhado especial ênfase em contextos organizacionais que exigem tomadas de decisões complexas, atuação em cenários de crise e desenvolvimento de competências em diferentes contextos. Esse olhar me traz elementos de análise e definição de estratégias e caminhos que fortaleçam a atuação dos profissionais na assistência, contribuindo para o controle emocional em meio a ocorrências complexas, para que utilizem seu conhecimento técnico com serenidade. O Atendimento Pré-Hospitalar (APH) exige tempo de resposta na urgência pela vida, e isso é um desafio diário. O desenvolvimento e o aperfeiçoamento contínuo do equilíbrio emocional são condições necessárias para a atuação", comenta.
Ela explica ainda que, durante simulados como esse, com carga emocional realista, o foco deve estar na orientação e nas ações de autocuidado e cuidado com a saúde mental de todos.
"A rotina do trabalhador da saúde, especialmente dos profissionais do APH, é intensa e permeada por um grande orgulho em servir, o que, às vezes, pode fazer com que esqueçam que também precisam se cuidar, pois são importantes demais para o serviço. A orientação é descansar entre uma ocorrência e outra, buscar regular o sono e manter uma rotina de exercícios, alimentação adequada e momentos de bem-estar fora do trabalho", finaliza.
Esta notícia está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 4 – Educação de Qualidade, 10 – Redução das Desigualdades e 17 – Parcerias e Meios de Implementação, ao destacar a produção de conhecimento aplicado e a formação de profissionais preparados para atuar em incidentes com múltiplas vítimas.
Ao desenvolver um protocolo na área da Psicologia, a Universidade de Fortaleza fortalece a integração entre ensino e pesquisa, contribui para um atendimento mais organizado e humanizado em situações de crise e reafirma seu compromisso com a cooperação institucional e o impacto social da atuação acadêmica.