Carreira sob controle: como se preparar para o novo cenário do mercado de games no Brasil
Com as mudanças na regulamentação do setor pelo Marco Legal dos Jogos, a formação tecnológica da Unifor prepara estudantes para se destacarem em um mercado em alta expansão
O mercado de jogos eletrônicos no Brasil deixou de ser uma cultura de nicho para se consolidar como um dos pilares centrais do entretenimento contemporâneo. Hoje, o hábito de jogar alcança 74,5% da população brasileira, segundo dados da PGB Data Insights 2026 .
O levantamento demonstra que os jogos se integraram de maneira definitiva ao consumo cultural diário de pessoas de todas as idades, gêneros e classes sociais. A audiência nacional apresenta a amplitude desse mercado: declaram-se gamers 83,2% da Geração Z, 73,6% dos Millennials, 53,4% da Geração X e 41,7% da geração Boomer.
Sem contar que o número de estúdios e de lançamentos de empresas brasileiras no exterior tem crescido. A 2ª Pesquisa Nacional da Indústria de Games , uma colaboração entre a Abragames e a ApexBrasil, aponta que o número de estúdios nacionais cresceu, gerando mais de 13 mil empregos diretos e lançando mais de mil títulos autorais entre 2023 e 2024.
Nesse cenário de rápida transformação, a sanção do Marco Legal dos Jogos Eletrônicos (Lei nº 14.852/2024) marcou uma virada histórica ao estimular expressivamente o apoio governamental a cursos de nível técnico e superior dedicados à computação e ao desenvolvimento de jogos.
Izequiel Norões, docente do curso de Ciência da Computação da Universidade de Fortaleza — mantida pela Fundação Edson Queiroz —, destaca que a Unifor se antecipou a essas demandas ao tratar os games como ciência de alta complexidade, unindo a fundamentação teórica à prática aplicada em laboratórios de ponta e projetos de extensão.
Por meio de iniciativas como o GIRA Lab e o Grupo de Aprendizagem e Desenvolvimento de Games, Entretenimento e Tecnologia (Gadget) , a instituição une academia e indústria, focando na pesquisa de jogos sérios e transformacionais para áreas como saúde e educação, além de fomentar a criação de propriedades intelectuais brasileiras.
O Marco Legal oficializou que criar um jogo não é só um ato criativo ou comercial, mas um processo de alta complexidade tecnológica. É o que destaca Izequiel, que é pesquisador do GIRA Labs, cofundador do Gadget e presidente da União Cearense de Gamers (UCEG) .
“Aqui mesmo na Universidade já notamos isso, pois os nossos alunos não querem apenas aprender a programar para empresas tradicionais, eles querem aplicar ciência, inteligência artificial e computação gráfica para fundar seus próprios estúdios e impactar o mercado nacional”, conta.
O diferencial da formação de excelência em um mercado plural
As transformações regulatórias e tecnológicas mudaram drasticamente o perfil exigido pelas empresas. Segundo o professor, o perfil profissional vai além do entusiasmo pelos jogos, priorizando:
- a transversalidade,
- o domínio de ferramentas modernas de IA,
- o conhecimento em arquitetura e performance de código
- as soft skills aguçadas para o trabalho em equipe multidisciplinar.
A construção de um portfólio recheado de projetos autorais ou por participações em Game Jams são diferenciais decisivos que a Universidade de Fortaleza incentiva desde os primeiros semestres de formação.
“Recomendo sempre aos meus alunos que busquem ter um portfólio prático e a capacidade de execução em mente, pois mais do que o diploma isolado, o mercado avalia a capacidade de tirar ideias do papel. Aí vem ter um portfólio no GitHub ou ArtStation, por exemplo. [Criar] protótipos na universidade ou ter publicado um jogo autoral, por menor que seja, vale mais do que apenas o conhecimento teórico”, afirma Izequiel.
A nova legislação traz segurança jurídica ao setor, equiparando os jogos a obras audiovisuais interativas e produtos culturais, abrindo acesso a mecanismos de incentivo fiscais, como a Lei Rouanet. Outro ponto central é a separação categórica entre os videogames tradicionais e os jogos de apostas virtuais (as chamadas “bets” ou jogos de azar) com diretrizes rigorosas de proteção a crianças e adolescentes no ambiente online.
Mais do que uma mudança burocrática, o Marco Legal reconhece o desenvolvimento de games como uma atividade de pesquisa e inovação tecnológica, o que facilita a formalização de estúdios, microempreendedores individuais (MEIs) e atrai investimentos nacionais e estrangeiros.
“A maior mudança para quem
desenvolve jogos no Brasil é a transição de um cenário de
‘resistência informal’ para uma indústria formalizada,
sustentável e reconhecida. Historicamente, o desenvolvedor
brasileiro enfrentou a falta de segurança jurídica, a escassez
de financiamento e a barreira do custo de ferramentas e
equipamentos. Não havia nem uma classificação específica para uma
empresa que desenvolve jogos, só para ilustrar isso.” —
Izequiel Norões, docente da Unifor, cofundador do
Gadget e presidente da União Cearense de Gamers
Segundo o professor Izequiel Norões, as novas regulamentações e o reconhecimento do setor alteraram a rotina e o futuro do desenvolvedor em quatro pilares fundamentais:
- a segurança jurídica,
- a formalização,
- o maior acesso a investimentos para a importação de ferramentas e hardware para o setor,
- o fomento à produção autoral.
+ SAIBA MAIS | Entrevista Nota 10: Izequiel Norões e o caminho para o sucesso na indústria de jogos
As múltiplas frentes de atuação: da programação autoral ao sound design
A articulação entre teorias de algoritmos, disciplinas focadas em computação gráfica e projetos práticos de extensão do Centro de Ciências Tecnológicas (CCT) da Unifor permite que os estudantes direcionem suas carreiras para diferentes nichos da indústria. Essa pluralidade reflete-se na trajetória de seus graduados, que encontram a segurança necessária para atuar na liderança de estúdios autorais até a criação de elementos sonoros imersivos.
O egresso Cauã Melo utilizou a estrutura dos laboratórios da Universidade para aprender a lógica de construção do zero e estruturar protótipos autorais. Hoje, ele lidera sua própria equipe na criação de um jogo ao lado de colegas que conheceu durante a graduação.
“O curso de Ciência da Computação me ajudou muito com o básico da programação, já que eu não sabia de nada antes de entrar no curso. Além disso, as cadeiras de Experimentação Orientada e Computação Gráfica são focadas no desenvolvimento de jogos, eu mesmo aprendi muito nelas e nunca esqueço os primeiros jogos que fiz. Além, claro, professores incríveis que tive, como os professores Izequiel Norões e Juliana Martins [também responsável pela criação do Gadget]”, compartilha.
Cauã concilia sua atuação profissional com o desenvolvimento de um jogo independente, enfrentando a complexidade de gerenciar tempo, equipes e recursos. Para ele, a estrutura de laboratórios e grupos de estudo da Unifor, como o Gadget, proporcionam uma base acadêmica sólida para encarar os desafios de um mercado dinâmico. O egresso vê no Marco Legal o estímulo necessário para que projetos autorais brasileiros ganhem o mundo.
“Grandes empresas estão estagnadas em fazer sequências ou jogos com a mesma fórmula de sempre, e desenvolvedores indies estão fazendo jogos diferentes, com temas, mecânicas e histórias únicos. E para você se destacar nesse meio, você precisa ser adaptável e o seu jogo precisa ser divertido”, relata.
“Ter uma formação acadêmica não
é obrigatório, mas com certeza é um diferencial. Saber que você
estudou em uma universidade renomada como a Unifor torna-se um
diferencial.” — Cauã Melo, egresso do curso de
Ciência da Computação da Unifor
Por outro lado, a formação em Ciência da Computação também se desdobra em especializações técnicas altamente específicas, como o sound design e a composição sonora interativa. Essa é a área de atuação do egresso Guilherme Leocádio, que atua como compositor e designer de áudio na VENN Studios , empresa brasileira de desenvolvimento de jogos.
Em sua rotina de trabalho, ele é o responsável pela criação de efeitos sonoros e pela composição das trilhas sonoras originais de títulos como Rogue Reigns (um jogo de cartas tático no estilo deckbuilder), Paradoxical (jogo de quebra-cabeças baseado em mecânicas de portais) e Dark Island (um roguelike de fantasia sombria).
“Sempre tive vontade de entrar na indústria de games. Comecei nas Game Jams e daí nunca parei. Sempre programava e fazia músicas para os jogos da minha equipe”, conta Guilherme, que uniu sua inclinação musical ao seu amor pelos jogos, construindo um portfólio robusto ainda durante a graduação.
“O curso [de Ciência da Computação]
como um todo, além da programação, me ajudou a formar conexões e
ter mais maturidade. Dentro da Universidade, o Gadget e o
Vortex me ajudaram
imensamente a crescer como pessoa, além de proporcionar conexões
incríveis fora e dentro do mercado, me inspirando ainda mais a
continuar.” — Guilherme Leocádio, egresso do
curso de Ciência da Computação da Unifor
Estude Ciência da Computação na Unifor em 2026.2
Quer transformar sua paixão por tecnologia e jogos em uma carreira de destaque no mercado nacional e internacional? O curso de Ciência da Computação da Universidade de Fortaleza oferece uma formação moderna e alinhada às principais demandas do mercado global, unindo teoria sólida em algoritmos e engenharia de software à prática intensiva em computação gráfica e inovação.
Na Unifor, os estudantes desenvolvem suas habilidades em ecossistemas práticos de aprendizado, como:
- GIRA Lab
Laboratório de pesquisa voltado ao desenvolvimento de serious games (jogos sérios) aplicados à saúde, educação e cultura. -
Gadget
Espaço de aprendizagem focado no desenvolvimento de jogos, entretenimento e estudos sobre o mercado de games. - Vortex
Núcleo de inovação e tecnologia que conecta alunos a projetos reais e maratonas de programação (como as Game Jams).
Com laboratórios de ponta, corpo docente formado por mestres e doutores atuantes no mercado e incentivo contínuo ao empreendedorismo, a Unifor prepara os alunos para liderarem as transformações da era digital.
Esta matéria está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), contribuindo para o alcance do ODS 4 – Educação de Qualidade.
A Universidade de Fortaleza, assim, reafirma seu compromisso com a democratização do conhecimento e a formação cidadã, promovendo uma aprendizagem inclusiva, equitativa e de excelência que prepare os estudantes para os desafios globais e o desenvolvimento tecnológico.