Pesquisa com cis-jasmona realizada no Núcleo de Biologia da Unifor recebe carta patente

qui, 5 fevereiro 2026 14:25

Pesquisa com cis-jasmona realizada no Núcleo de Biologia da Unifor recebe carta patente

Estudo inovador é totalmente desenvolvido com zebrafish e resulta na criação de uma nanoemulsão com diversos benefícios terapêuticos


Estudo é de autoria da pesquisadora Magnólia Bezerra (ao centro), com orientação dos professores Adriana Rolim (à esquerda) e Ângelo Roncalli (à direita) (Foto: Ares Soares)
Estudo é de autoria da pesquisadora Magnólia Bezerra (ao centro), com orientação dos professores Adriana Rolim (à esquerda) e Ângelo Roncalli (à direita) (Foto: Ares Soares)

Tudo começou com uma tese do doutorado em Biotecnologia, na Rede Nordeste de Biotecnologia (Renorbio). À época, a pesquisadora Magnólia Bezerra buscava provar os benefícios da cis-jasmona — substância extraída especialmente de flores de jasmim.

No decorrer dos estudos realizados no Núcleo de Biologia Experimental (Nubex), pertencente ao Parque Tecnológico da Universidade de Fortaleza (TEC Unifor) — vinculado à Fundação Edson Queiroz —, foram identificados quatro benefícios terapêuticos da cis-jasmona: efeito analgésico, ansiolítico, anti-inflamatório e anticonvulsivante


“Durante a pesquisa, não sabemos se o produto vai dar certo, pois nenhuma pesquisa é linear; ela faz curvas. Às vezes você toma um rumo, depois retorna, ajusta substâncias e esse percurso é muito gratificante quando você vai acertando, cada dia é uma vitória. A conclusão da pesquisa é importante, mas o caminho dela é muito lindo. E nessa, especificamente, foram muitas surpresas positivas, com vários benefícios da cis-jasmona comprovados em laboratório 
— Magnólia Bezerra, pesquisadora do Núcleo de Biologia Experimental da Unifor

A pesquisa foi orientada pelos professores Adriana Rolim e Ângelo Roncalli que tomaram a iniciativa de enviar o pedido de patente referente ao estudo, tendo em vista seu caráter inovador. A resposta positiva foi recebida com entusiasmo, pois, segundo eles, demonstra o comprometimento da instituição com a pesquisa, a inovação e as necessidades sociais.

“Existem vários pedidos de patentes, mas nem todos viram carta patente, porque quando chega na instituição que vai analisar se aquilo realmente é uma novidade, eles fazem uma pesquisa em várias bases no mundo todo. Então, o fato da patente ser concedida, significa que nosso produto realmente foi visto como totalmente inovador e necessário”, explica a professora Adriana.

Para o professor Ângelo, quando um pesquisador desenvolve um produto e tem o objetivo de comercializá-lo, é muito importante garantir sua proteção industrial. “Se é algo inovador, algo interessante que pode chegar ao mercado, eu preciso dar uma proteção a esse produto antes de levar ao mercado e à sociedade, e essa proteção é através da patente, que nos fornece o direito de comercializar o produto, contribuindo positivamente para a sociedade."

Primeira pesquisa realizada totalmente em zebrafish

A nanoemulsão contendo cis-jasmona é a primeira pesquisa realizada totalmente com zebrafish na Unifor, desde a etapa farmacológica até a avaliação da eficácia da formulação.

O zebrafish (Danio rerio) adulto é utilizado como alternativa ao uso de mamíferos na Unifor desde 2016, como destaca a professora Adriana Rolim, que também é coordenadora de Pesquisa da Unifor.

“Hoje, boa parte dos nossos experimentos que utilizavam roedores, já são realizados com zebrafish, mostrando o comprometimento da Unifor com o desenvolvimento científico, porque existe cada vez mais a necessidade de diminuir o uso de animais superiores nas pesquisas”, afirma.  

A nanoemulsão foi produzida pela técnica de sonicação, realizada a caracterização físico-química, validação do método analítico por espectrofotometria UV e avaliação da sua atividade in vivo e toxicidade in vitro. 


Estudo com cis-jasmona tem avançado graças aos esforços da pesquisadora Magnólia Bezerra (ao centro) e dos professores Adriana Rolim (à esquerda) e Ângelo Roncalli (à direita) 

Após os testes, foi observado que a nanoemulsão não alterou o sistema locomotor e não foi citotóxica, ao contrário, apresentou potencial farmacológico para o tratamento de convulsão, ansiedade, inflamação e dor orofacial aguda.

Outro diferencial da pesquisa é o uso da nanotecnologia, que otimiza a atividade das substâncias presentes nos fármacos. De acordo com o professor Ângelo Roncalli, as nanopartículas reduzem a toxicidade e permitem uma maior absorção no organismo. 

“Quando eu otimizo a chegada daquela substância no local de ação, evito que ela vá para outros lugares do organismo. Então, na hora que eu concentro aquela substância no local de ação, ela tende a ter uma atividade melhor e consequentemente, pode reduzir efeitos adversos”, conclui o pesquisador.

Sobre a carta patente

A carta patente é um documento oficial concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), órgão federal responsável por analisar os pedidos de patente, verificar o cumprimento dos requisitos legais e emitir o registro quando a invenção é aprovada.

Esse documento assegura ao inventor o direito exclusivo de explorar comercialmente sua criação por um período determinado — 20 anos para patentes de invenção e 15 anos para modelos de utilidade. Também garante a possibilidade de impedir o uso da tecnologia por terceiros sem autorização.

Mais do que um registro legal, a carta representa o reconhecimento do potencial transformador de uma pesquisa, capaz de ultrapassar os limites do laboratório e se concretizar em soluções inovadoras para desafios reais da sociedade.

Na próxima matéria desta série, será apresentada mais uma pesquisa desenvolvida no Nubex com alto potencial de mercado e possibilidade de se transformar em uma startup.

O estudo tem como foco a produção de proteínas recombinantes em larga escala, resultando em um gel com elevado poder cicatrizante, especialmente indicado para pessoas com diabetes ou lesões vasculares, condições em que a cicatrização da pele costuma ser lenta e propensa ao desenvolvimento de feridas crônicas. Vale a pena conferir!


Esta notícia está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), contribuindo para o alcance dos ODSs 3 – Saúde e Bem-Estar, 4 – Educação de Qualidade e 9 – Indústria, Inovação e Infraestrutura.

A Universidade de Fortaleza, assim, fortalece a produção científica voltada à melhoria da saúde, assegura formação acadêmica de excelência e estimula a inovação tecnológica, ampliando o impacto social das pesquisas desenvolvidas.