Da inspiração de família ao próprio negócio: a trajetória de Eduarda Beroldt na Engenharia Elétrica

seg, 24 agosto 2026 15:10

Da inspiração de família ao próprio negócio: a trajetória de Eduarda Beroldt na Engenharia Elétrica

A curiosidade de infância pela profissão do pai ajudou a definir o caminho de Eduarda Beroldt. Formada em Engenharia Elétrica pela Universidade de Fortaleza, ela encontrou nas energias renováveis uma de suas principais áreas de interesse e, hoje, concilia a carreira no setor privado com o empreendedorismo.


Depois da formação em Engenharia Elétrica e de abrir o próprio empreendimento, Eduarda voltou para a Unifor na graduação em Engenharia Mecânica, área que complementa e amplia a atuação profissional dela (Foto: Vito Moura)
Depois da formação em Engenharia Elétrica e de abrir o próprio empreendimento, Eduarda voltou para a Unifor na graduação em Engenharia Mecânica, área que complementa e amplia a atuação profissional dela (Foto: Vito Moura)

“O que você vai ser quando crescer?” A pergunta tão comum na infância teve uma resposta certa para Eduarda Beroldt desde cedo. Ainda criança, ao observar a paixão do pai, o eletrotécnico Sergio Beroldt, pela profissão, sentiu a curiosidade por essa área ser despertada. Um desejo não apenas por uma formação profissional, mas por uma construção de vida.

Mas nem tudo foi influência familiar. As afinidades pessoais, como o gosto pela área de exatas e o desejo por entender como tudo funciona, também foram fundamentais para a escolha. “A vontade de cursar engenharia sempre esteve presente em mim”, resume. Foi com essa certeza que, em 2021, ela ingressou no curso de Engenharia Elétrica na Universidade de Fortaleza (Unifor), vinculada à Fundação Edson Queiroz

Logo ao chegar, Eduarda quis conhecer um pouco de tudo aquilo que a graduação poderia proporcionar, mas não nega o encantamento que teve, desde o início, pelas energias renováveis. “É uma área que me encanta justamente pela possibilidade de utilizar a engenharia para buscar soluções mais eficientes e sustentáveis”, explica. Uma escolha que, para a egressa, nunca significou restrição. Pelo contrário. 

A busca por ampliar cada vez mais o conhecimento foi responsável por trazê-la de volta à Unifor. Dessa vez, para cursar Engenharia Mecânica. Não com a intenção de mudar de área, esclarece. O desejo de Eduarda é por se tornar uma profissional “cada vez mais completa”. 

É também por essa razão que resolveu trilhar dois caminhos vistos, muitas vezes, como antagônicos em uma trajetória profissional: a carreira no setor privado e o empreendedorismo. Com atuação na área de projetos e O&M na KAP Energia Solar, empresa voltada para a comercialização de energia e instalações elétricas, ela também resolveu fundar a própria empresa, a Eduarda Beroldt Engenharia. Nela, o foco são instalações elétricas residenciais e industriais. 

“Essas experiências me permitem continuar desenvolvendo minha parte técnica, conhecer diferentes áreas do setor elétrico e, ao mesmo tempo, começar a construir minha própria trajetória como empreendedora na engenharia”, afirma. Essa busca constante por desenvolvimento profissional e pessoal, acrescenta Eduarda, é uma marca da graduação.

Foi dentro da Universidade que aprendi a me desenvolver, a ir atrás das respostas e a pesquisar sempre que não sabia alguma coisa. Aprendi que nem sempre vamos ter todas as respostas prontas, mas precisamos ter iniciativa para buscá-las”, compartilha.

O jornal Unifor Notícias Mobile segue apresentando histórias de egressos que têm conquistado destaque no mercado de trabalho e levado a marca da formação da Universidade de Fortaleza. Aqui, Eduarda conta sobre como as experiências vivenciadas na Unifor, o suporte recebido por professores e as oportunidades recebidas ainda durante a graduação foram fundamentais para a construção da carreira profissional.

Sonho de infância que se transformou em carreira

Eduarda relembra o contato que teve, desde muito cedo, com a profissão do pai, Sergio Beroldt. Vindo do Rio Grande do Sul para o Ceará, ele trabalhou como eletrotécnico por 38 anos e a paixão dele pela própria profissão deixou uma marca nas lembranças da filha.

“Ele sempre falava muito sobre a área e demonstrava o quanto gostava do que fazia, e isso acabou despertando minha curiosidade”, afirma. O olhar do pai fez Eduarda enxergar a engenharia “não apenas como uma profissão, mas como algo que eu também poderia gostar e construir para a minha vida”.

A busca pela melhor formação profissional levou Eduarda para a Unifor. Ela cita como a estrutura da Universidade e o corpo docente do curso de Engenharia Elétrica, formado por professores experientes e qualificados, foram determinantes para a escolha da instituição. “Desde a primeira vez que conheci a Universidade, me apaixonei pelo ambiente”, diz. “Além de ser um campus muito bonito e agradável, a Unifor também possui uma estrutura excelente, com laboratórios completos e espaços muito bem preparados para a formação profissional”.

Ela cita que buscou explorar as diversas oportunidades oferecidas pelo curso, mas foi logo atraída para as áreas de instalações prediais e, principalmente, energias renováveis. “Sempre tive muito interesse pela área de energia limpa, seja através da energia solar, eólica ou até mesmo do hidrogênio verde”, detalha.

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O entusiasmo por essa área levou Eduarda a ser indicada para o primeiro estágio, em uma empresa do setor de energia solar, ainda no 3º semestre do curso. A indicação veio de um dos professores da Unifor, Dr. Davi Joca. “Isso me abriu muito para o mercado de trabalho e me permitiu conhecer, desde cedo, uma realidade que ia muito além da sala de aula”, afirma. 

Na sequência, mais uma oportunidade de estágio. Desta vez, na Enel Ceará, empresa multinacional de produção e distribuição de energia elétrica e gás. Foi ali, lembra Eduarda, que ela pôde ir a campo e acompanhar situações reais, aplicando o conhecimento técnico aprendido na sala de aula.

Eduarda ressalta a importância disso para ampliar a visão dela sobre gestão, organização e trabalho em equipe — aspectos essenciais para o futuro da carreira dela não só como engenheira elétrica, mas também como empreendedora.


“Meu principal conselho [aos estudantes de Engenharia Elétrica] é que aproveitem muito a graduação, porque é uma fase que passa muito rápido e que oferece oportunidades que vão muito além da sala de aula. Estudem bastante, pesquisem, tenham curiosidade e não tenham medo de correr atrás quando não souberem alguma coisa. Na engenharia, nem sempre vamos ter todas as respostas, então é muito importante aprender a buscar o conhecimento.”Eduarda Beroldt, egressa de Engenharia Elétrica e aluna de Engenharia Mecânica da Unifor

Formação que vai além da profissão

Não são apenas as experiências profissionais que são citadas por ela ao falar sobre tudo que aprendeu durante a graduação e que a ajudaram a trilhar o caminho profissional que desejava. As vivências oferecidas dentro da Universidade de Fortaleza também foram fundamentais nesse processo. 

Entre os exemplos de oportunidades oferecidas pela Unifor, Eduarda relembra a participação no Startup Weekend, evento global realizado na instituição em que os estudantes puderam participar de uma jornada de negócios onde os participantes são desafiados a criar uma startup — com auxílio de empreendedores, designers, desenvolvedores e entusiastas da área. Eduarda afirma ainda que esteve em bootcamps promovidos pelo Unifor Hub. “Cheguei a participar de um projeto de criação de um foguete”, relembra.

“Sempre procurei aproveitar ao máximo essas oportunidades, porque acredito que a formação universitária vai muito além da sala de aula”, completa. Essa iniciativa por buscar novas atividades e aproveitar oportunidades dentro da Unifor não se limita à formação profissional.

Uma das melhores experiências que teve durante a graduação, segundo ela, foi a participação no Projeto Jovem Voluntário, em que estudantes da instituição contribuem para promover a qualidade de vida de crianças, adolescentes e idosos que estejam internados em instituições de saúde em Fortaleza.

Eduarda participou do projeto no Núcleo de Atenção Médica Integrada (NAMI) da Unifor. Lá, ela realizava atividades com as crianças que aguardavam atendimento na unidade, com brincadeiras voltadas para as meninas e meninos e até a organização de “festinhas”, com ajuda dos demais colegas voluntários.

Com o desejo de fazer mais, ela chegou a organizar uma arrecadação de brinquedos e conseguiu presentear 200 crianças. Um exercício de empatia e aprendizado sobre a diferença que as atitudes, por mais pequenas que pareçam, podem ter na vida das pessoas. 

“O que mais me marcou foi perceber que, mesmo quando algumas consultas eram mais cansativas ou difíceis para elas, muitas vezes [as crianças] não queriam ir embora porque estavam se divertindo com as brincadeiras. Isso me mostrou como um momento simples pode fazer diferença na vida de alguém. Foi uma experiência que levei para a vida e que me ensinou muito mais do que eu imaginava quando entrei no projeto”, detalha.

Suporte para enfrentar os desafios

Eduarda faz questão de destacar como a Unifor foi fundamental para o desenvolvimento pessoal dela, com memórias não restritas às oportunidades vinculadas à formação acadêmica, mas também aquelas que deixaram marcas profundas, como o voluntariado, ou a construção de vínculos dentro da instituição. As relações cultivadas durante os anos de graduação em Engenharia Elétrica são citadas como “um dos pontos mais importantes” da sua trajetória na Unifor, ressalta Eduarda. 

Amizades não apenas com os colegas de curso, mas também com os docentes. “Fiz amizades com professores que foram muito importantes para a minha formação e que sempre estiveram dispostos a me apoiar e orientar. Sempre gostei de pedir opiniões e ouvir conselhos antes de tomar decisões importantes na minha vida acadêmica e profissional”.

Um dos professores que Eduarda sempre buscava para pedir opiniões e orientações era Juliano Pacheco, de quem lembra como alguém sempre disposto a conversar, oferecer conselhos e indicar caminhos para seguir. Um suporte fundamental durante os desafios enfrentados durante a graduação, sempre diferentes a cada nova etapa da formação profissional. 

Juliano relembra que conheceu Eduarda no Laboratório de Instalações Elétricas. Depois disso, ele voltou a ser professor dela em quatro disciplinas, além de ter sido o orientador de Eduarda no Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). “Hoje, a considero uma amiga e espero que ela dê passos cada vez maiores em sua carreira”, acrescenta. “Em todas as disciplinas, ela sempre foi responsável e interessada, sempre foi uma ótima aluna e fez um excelente TCC”.

Sobre o suporte oferecido a Eduarda durante a graduação, ele reforça a importância da aproximação entre professor e estudante, não apenas pelo aluno precisar ser acolhido ao enfrentar dificuldades ao longo da formação acadêmica, mas também para que este “tenha em quem se espelhar como profissional”. Por isso, ele afirma que busca “tratar meus alunos como filhos, procurando orientá-los e guiá-los por um bom caminho”.

“Um bom profissional também deve ser solícito e prestativo, além de saber tratar bem todas as pessoas. Na minha visão, acolher os alunos como filhos serve como um reforço positivo para que eles se tornem bons cidadãos e bons profissionais no futuro”, reflete o docente.
 
Eduarda afirma que foi esse acolhimento e orientação que fez com que ela sentisse certeza do próprio talento e excelência: “O que mais me marcou foi a forma como ele acreditava na minha capacidade. Muitas vezes, ele acreditou mais em mim do que eu mesma. Isso fez muita diferença, principalmente nos momentos em que eu tinha dúvidas sobre o que era capaz de fazer ou sobre quais caminhos deveria seguir”.

Ao narrar a própria trajetória acadêmica, o professor Juliano não é o único professor citado por Eduarda. Ela relembra como a primeira oportunidade de atuar no mercado de trabalho veio por indicação de um professor, Davi Joca. Também fala que teve o professor Bruno Lisboa como inspiração para iniciar uma nova graduação em Engenharia Mecânica e seguir em busca de ampliar os conhecimentos e se tornar uma profissional “completa”. Além disso, ela fala sobre a “presteza, atenção e cordialidade” de Bruno Almeida, coordenador do curso de Engenharia Elétrica da Unifor.

É muito importante fazer amizades e construir boas relações com colegas e professores. Muitas dessas pessoas acabam fazendo parte da nossa trajetória profissional e podem contribuir muito para o nosso crescimento”, diz Eduarda. “Vivo dizendo que sinto falta da Engenharia Elétrica, das turmas, dos professores e de toda a rotina que construí durante a graduação. Foi uma fase muito especial da minha vida”. 

A busca por ser uma profissional completa

O desejo pelo conhecimento, a iniciativa de aproveitar oportunidades propiciadas pela Unifor, dentro e fora do campus, e o esforço aplicado durante todos os anos de graduação tiveram reconhecimento no momento em que Eduarda Beroldt deixava o lugar de estudante e passava a ser uma profissional da Engenharia Elétrica. 

Ela recebeu o Mérito Acadêmico, comenda da Universidade de Fortaleza que busca reconhecer os estudantes com o melhor desempenho acadêmico durante os cursos de graduação. Eduarda fala do significado individual da conquista, mas ressalta principalmente a importância coletiva desse reconhecimento. 

“Teve um significado especial por eu estar em uma área que ainda é predominantemente masculina. Em alguns momentos, eu era uma das únicas mulheres, ou até mesmo a única mulher da turma, e conseguir me destacar nesse ambiente foi algo que me deixou muito orgulhosa”, declara.


“Foi muito gratificante perceber que toda a dedicação, estudo e empenho valeram a pena e foram reconhecidos. Acredito que o que me destacou foi justamente a dedicação, a vontade de aprender, de buscar conhecimento e de sempre tentar dar o meu melhor. Receber essa honraria [mérito acadêmico] mostrou para mim que todo o esforço ao longo desses anos realmente fez a diferença.”Eduarda Beroldt, egressa de Engenharia Elétrica e aluna de Engenharia Mecânica na Unifor

Formada, ela resolveu aliar dois caminhos por vezes considerados antagônicos: a atuação no setor privado e o empreendedorismo. Ela atua como na KAP Energia Solar e também fundou a Eduarda Beroldt Engenhariaum desejo que começou ainda durante a graduação e foi concretizado logo após a formatura

A rotina dela na KAP Energia Solar, onde tem como foco as áreas de projetos e de O&M (Operação e Manutenção), envolve o acompanhamento de projetos, a análise de situações técnicas e a busca de soluções, com um trabalho focado na organização e melhoria de processos dentro da empresa.

“É uma área que gosto bastante porque consigo unir o conhecimento técnico da Engenharia Elétrica com a parte de análise, planejamento e gestão, além de estar sempre aprendendo com os diferentes projetos e situações que surgem no dia a dia”, diz.

E se, quando criança e adolescente, ela tinha vontade de conhecer o local onde o pai trabalhava, para “entender o que ele fazia e conhecer mais sobre aquele ambiente”, agora ela tem a oportunidade de trabalhar junto com ele, que foi inspiração para toda a trajetória profissional, dentro da Eduarda Beroldt Engenharia.

Empreender sempre foi um sonho meu”, afirma. “Desde a graduação, eu já tinha vontade de ter minha própria empresa e sempre gostei muito da área de projetos e da possibilidade de desenvolver soluções dentro da Engenharia”.

O professor Juliano Pacheco relembra essa veia empreendedora de Eduarda, que, ainda como estudante, falava sobre essa possibilidade.


“Eu a considero uma pessoa empreendedora. Ela sempre comentava e perguntava sobre a possibilidade de abrir a própria empresa quando terminasse o curso. Tanto que acabou de criar uma empresa de engenharia. Ela também é uma pessoa muito proativa e organizada.”Juliano Pacheco, professor do curso de Engenharia Elétrica da Unifor 

O trabalho dentro da própria empresa foi o que despertou em Eduarda o desejo de retornar para a Unifor, dessa vez para uma graduação em Engenharia Mecânica. A meta não é mudar de área, mas sim ampliar os conhecimentos técnicos e unir as duas engenharias na atuação profissional dentro da Eduarda Beroldt Engenharia. 

A inspiração veio de colegas e também de professores, como Bruno Lisboa, que possui três formações em engenharia. “Isso me mostrou que é possível unir diferentes áreas e construir uma atuação profissional mais ampla. Foi a partir dessas experiências que comecei a enxergar a segunda graduação em Engenharia Mecânica como uma oportunidade de agregar conhecimento à minha formação em Engenharia Elétrica e, consequentemente, ampliar também o leque de projetos e serviços da minha empresa”, projeta.

A meta, segundo ela, é ampliar a área de serviços da empresa principalmente para projetos mecânicos e industriais. Mas Eduarda não quer parar por aí. Ela quer aproveitar a nova formação profissional para seguir crescendo tanto na KAP Energia Solar como na própria empresa, mas pretende continuar em busca de novos desafios na carreira profissional. 

Um dos projetos do horizonte é a docência. Com tantos professores que serviram de referência ao longo da formação profissional dela, e ainda hoje durante a trajetória profissional, o desejo agora é por também deixar marcas em futuros profissionais da área e dividir tudo aquilo que aprendeu até aqui.

“Gosto muito de compartilhar conhecimento e tive professores que foram muito importantes na minha trajetória, então seria muito especial poder, um dia, também contribuir para a formação de outros estudantes”, planeja.

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