Cinema brasileiro é destaque pelo segundo ano consecutivo em premiações internacionais

seg, 26 janeiro 2026 15:45

Cinema brasileiro é destaque pelo segundo ano consecutivo em premiações internacionais

O audiovisual nacional comemora o triunfo do filme “O Agente Secreto” na premiação Globo de Ouro e a lista histórica de indicações no Oscar, evidenciando o crescimento de produções brasileiras em premiações globais 


Wagner Moura ganhou o Golden Globes de Melhor Ator em Filme de Drama em 2026 por sua atuação na obra “O Agente Secreto” (Foto: REUTERS/Mario Anzuoni)
Wagner Moura ganhou o Golden Globes de Melhor Ator em Filme de Drama em 2026 por sua atuação na obra “O Agente Secreto” (Foto: REUTERS/Mario Anzuoni)

O cinema brasileiro voltou a ocupar os holofotes internacionais. Na última quinta-feira, 22 de janeiro, o Brasil bateu seu recorde de indicações ao Oscar ao figurar em cinco categorias na edição deste ano do festival: o filme “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, recebeu quatro indicações no Oscar 2026, sendo uma delas na nova categoria de Melhor Direção de Elenco; enquanto o brasileiro Adolpho Veloso, diretor de fotografia do longa-metragem “Sonhos de Trem”, foi indicado a Melhor Fotografia.

  • Melhor Filme (“O Agente Secreto”)
  • Melhor Filme Internacional (“O Agente Secreto”)
  • Melhor Ator (Wagner Moura, por “O Agente Secreto”)
  • Melhor Direção de Elenco (Gabriel Domingues, por “O Agente Secreto”)
  • Melhor Fotografia (Adolpho Veloso, por “Sonhos de Trem”)

Depois de um ano histórico com a obra “Ainda Estou Aqui” levando a primeira estatueta para o Brasil, o país inicia 2026 embalado pelo sucesso internacional de “O Agente Secreto”, que já conquistou dois Globos de Ouro e soma quase 60 prêmios ao longo da atual temporada de festivais.

Além de troféus, o momento representa algo mais significativo: a afirmação do cinema nacional como uma potência criativa, econômica e cultural no cenário global. Um reconhecimento que vem sendo construído de forma consistente e que impacta não só grandes produções, mas toda a indústria do audiovisual no Brasil, da formação acadêmica ao mercado de trabalho, dos projetos independentes às coproduções internacionais.

Um novo capítulo para o cinema brasileiro no mundo

Pela primeira vez, o Brasil conquistou dois Globos de Ouro em uma mesma edição, com “O Agente Secreto” levando prêmios tanto pela obra quanto pela atuação de Wagner Moura, que vive o professor universitário Marcelo. A indicação ao Oscar em quatro categorias neste ano se compara ao mesmo marco histórico alcançado pelo filme “Cidade de Deus” em 2004.

Esse protagonismo internacional não surge de forma isolada. Ele dá continuidade a um movimento que ganhou forças na temporada passada, quando “Ainda Estou Aqui” levou o cinema brasileiro a importantes vitrines globais e trouxe a primeira estatueta do Oscar para o país.

Para Bete Jaguaribe, diretora do Porto Iracema das Artes e coordenadora do curso de Cinema e Audiovisual da Universidade de Fortaleza — instituição mantida pela Fundação Edson Queiroz —, essa sequência de conquistas tem um significado profundo para o Brasil.

“Essa sequência de vitórias tem uma importância enorme, porque impacta positivamente o campo audiovisual brasileiro em muitas dimensões”, destaca. De acordo com ela, os prêmios representam tanto prestígio simbólico quanto resultados tangíveis, como o aumento da bilheteria nacional e internacional, a movimentação da economia do setor e a ampliação das possibilidades de mercado para artistas e profissionais brasileiros.


O filme “O Agente Secreto” foi produzido e dirigido pelo diretor e roteirista Kleber Mendonça Filho (Foto: O Agente Secreto/CinemaScopio/Divulgação)

Além dos números, Bete também chama atenção para um aspecto essencial: “A dimensão simbólica dessas premiações é a que mais impacta o país, porque nossos filmes falam de nossa história, nossa gente, nossa cultura, desencadeando um forte movimento de autoestima e de brasilidade”. O audiovisual, nesse contexto, atua como uma poderosa ferramenta de difusão cultural, capaz de projetar identidades, narrativas e modos de vida brasileiros para o mundo.

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Políticas públicas, diversidade e retomada do setor

Embora o talento e a qualidade técnica sempre tenham existido, o cinema brasileiro nem sempre encontrou espaço ou reconhecimento fora do país. Para Bete Jaguaribe a mudança de cenário está diretamente ligada à retomada das políticas públicas de incentivo ao audiovisual, após um período de forte paralisação entre 2018 e 2022.

“O audiovisual funciona como qualquer setor econômico, que se estrutura a partir de investimentos públicos. Quando esses investimentos são suspensos, o setor é prejudicado”, explica a doutora em Sociologia.

Com a retomada dos incentivos federais, o setor voltou a se organizar, permitindo que produções brasileiras circulassem novamente por festivais de prestígio, como o Festival de Cinema de Cannes e o Festival de Cinema de Berlim. Em muitos desses circuitos, a simples seleção para exibição já é considerada uma forma de premiação em razão da tamanha visibilidade alcançada.

O reconhecimento internacional também não se limita a grandes centros ou nomes já consagrados. Um exemplo disso é a presença brasileira no Festival de Berlim 2026, que contará com seis obras nacionais, incluindo dois filmes cearenses: “Feito Pipa”, dirigido por Alan Deberton, e “Fiz um foguete, imaginando que você vinha”, de Janaína Marques.


A seleção dos longas-metragens destaca o progresso da criatividade no cinema cearense e afirma a qualidade do trabalho que vem sendo desenvolvido no Ceará (Foto: Lagoa Nerd e Adoro Cinema)

Bete faz questão de ressaltar a participação de profissionais formados pela Unifor nessas produções: Em “Feito Pipa”, a diretora de arte é Dayse Barreto, egressa do curso de Cinema e Audiovisual, enquanto o produtor de “Fiz um foguete, imaginando que você vinha” é Maurício Macedo, também egresso da graduação. Esses exemplos reforçam como a formação acadêmica de qualidade tem papel estratégico na consolidação do cinema nacional.

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Cinema, identidade e economia

A presença ampliada do Brasil em festivais internacionais ajuda a fortalecer o cinema nacional como um todo, e não apenas obras específicas. Para a professora Bete Jaguaribe, a diversidade cultural é o grande diferencial do audiovisual brasileiro.


“Nossa produção de cinema acontece em vários territórios, através de vários modos de produção: desde um filme de um jovem das periferias, realizado com baixíssimos orçamentos, até filmes com orçamentos maiores; filmes feitos por nossos povos originários, falando sobre nossas florestas. O que mostra para o mundo nossa potência cultural”Bete Jaguaribe, docente e coordenadora do curso de Cinema e Audiovisual da Unifor 

Esse mosaico de narrativas desperta interesse internacional justamente por fugir de padrões estéticos já saturados na indústria cultural global. Ao mesmo tempo, quanto mais obras chegam ao mercado, mais a economia do audiovisual se fortalece, gerando emprego, renda e novas oportunidades.

A continuidade da campanha internacional de “Ainda Estou Aqui” até “O Agente Secreto” também tem impacto direto na forma como o Brasil é percebido no exterior. “Quando um filme brasileiro chega a circuitos de tanto prestígio cultural, como Globo de Ouro, Cannes e Oscar, o retorno de imagem para o país é inegável”, afirma a coordenadora do curso de Cinema e Audiovisual da Unifor.

Ela lembra ainda do engajamento único do público brasileiro nas redes sociais, criando uma verdadeira torcida nacional em torno de seus artistas. Um movimento que, segundo Bete, não encontra paralelo em outros países.

Esse fenômeno dialoga com dados recentes, como o aumento recorde do fluxo turístico para o Brasil no último ano. Embora diversos fatores contribuam para esse cenário, a professora acredita que a visibilidade do cinema nacional também ajuda a despertar o desejo de conhecer mais a história do país.

Da Unifor para o mundo: um mercado em expansão 

Internamente, o crescimento do cinema brasileiro se traduz no aumento de produções, editais, projetos independentes e na geração de empregos. As premiações internacionais funcionam como um selo de qualidade que atrai investidores e fortalece o ambiente de negócios.

As premiações dão visibilidade à qualidade de nossos artistas e explicitam as possibilidades reais da nossa economia do audiovisual”, explica Bete Jaguaribe, destacando o potencial das coproduções internacionais nesse novo momento.

Para quem deseja construir carreira no setor, o cenário é promissor. A diversidade cultural brasileira, aliada às transformações tecnológicas, amplia as possibilidades de atuação. No entanto, a professora faz um alerta importante sobre a necessidade de regulamentação das produções para plataformas de streaming.

“É uma questão de soberania nacional, de defesa do nosso mercado e dos nossos empregos”, afirma, ao reforçar a urgência de regras claras para a participação estrangeira no audiovisual brasileiro.

Nesse contexto, a formação acadêmica surge como um caminho estratégico para quem deseja ingressar no mercado. Para Bete, a Universidade de Fortaleza é o espaço onde se constroem habilidades técnicas, pensamento crítico, redes de colaboração e identidade profissional.

Ela destaca o curso de Cinema e Audiovisual como uma referência nacional, com nota máxima no MEC, matriz curricular contemporânea e infraestrutura completa de estúdios e equipamentos. “Nossos alunos se preparam para ocupar qualquer função na realização audiovisual, desde roteiro até direção, fotografia, som e produção”, ressalta.

Em um setor em constante transformação, o cinema brasileiro vive um de seus momentos mais férteis. Com histórias que dialogam com o mundo sem perder suas raízes, o país reafirma seu lugar como potência cultural. E, ao que tudo indica, esse é apenas o começo de um novo e promissor capítulo nas telas nacionais e internacionais.

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Esta notícia está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), contribuindo para o alcance do ODS 4 – Educação de Qualidade e do ODS 8 – Trabalho Decente e Crescimento Econômico.

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