ter, 14 abril 2026 10:58
Fortaleza 300 anos | Como a Unifor contribuiu para o desenvolvimento da Capital Alencarina
Na celebração do tricentenário de Fortaleza, docentes e gestores contam como a cidade e a Universidade se conectaram e aprenderam a crescer juntas, movidas pelo desenvolvimento econômico, tecnológico e social

Sobre uma antiga região de salinas, na zona leste da capital cearense, há uma Fortaleza marcada pelo contraste social. Foi ali, no bairro Edson Queiroz — um território marcado por moradias populares, diferentes classes sociais e áreas de preservação ambiental — que nasceu a Universidade de Fortaleza (Unifor). Já tem mais de 50 anos que a instituição, vinculada à Fundação Edson Queiroz, contribui significativamente para o desenvolvimento socioeconômico do bairro e da cidade de Fortaleza, que completa agora 300 anos.
Nas últimas décadas, Fortaleza cresceu evidenciando cada vez mais a necessidade de formação qualificada, inovação e capacidade de adaptação. E a Unifor se tornou parte dessa engrenagem de desenvolvimento não apenas como espectadora, mas como agente ativa de transformação.
A Universidade já formou aproximadamente 120 mil profissionais, em diversas áreas do conhecimento. Começou com cursos como Administração, Ciências Contábeis, Ciências Econômicas, Educação Física, Enfermagem, Engenharia Civil, Engenharia Elétrica, Engenharia Mecânica, Fisioterapia e Terapia Ocupacional para fortalecer o mercado local. Com o passar dos anos, foi se moldando às novas necessidades de Fortaleza e do Ceará, abraçando da pós-graduação a uma expansão acadêmica que multiplicou cursos e abraçou a interdisciplinaridade.
O campus cresceu junto com Fortaleza, e a Unifor aprendeu a olhar para além da formação profissional, se integrando e prestando serviços relevantes para a cidade e as pessoas que vivem nela. A Escola Yolanda Queiroz, por exemplo, oferece educação de qualidade gratuita há mais de 40 anos. O Centro de Formação Profissional (CFP) realiza a qualificação profissional de jovens e adultos gratuitamente.
Não dá para esquecer também dos serviços de saúde do Núcleo de Atenção Médica Integrada (NAMI), do apoio do Escritório de Prática Jurídica (EPJ), dos serviços das Clínicas Odontológicas, da Escola de Esporte ou mesmo do Projeto Jovem Voluntário. Sem falar do investimento em pesquisa aplicada e da produção de ciência e soluções em espaços como o Núcleo de Biologia Experimental (Nubex) e o Parque Tecnológico (TEC Unifor).
Desde o início, a Universidade assumiu um compromisso claro: estar próxima da sociedade. Ao longo dos anos, esse compromisso se ampliou por meio de serviços de saúde, assistência jurídica gratuita, projetos comunitários e ações de extensão. Essa presença transforma a formação acadêmica em experiência real — e leva a Universidade para além de seus muros.
O fato é que a Unifor se desenvolveu em meio a um intenso crescimento urbano pelo qual Fortaleza passou, marcado tanto pela verticalização de áreas nobres quanto pela expansão periférica com a construção de conjuntos habitacionais que inicialmente tinham pouca infraestrutura, mas foram se tornando bairros consolidados e bem equipados.
“Entrelaçadas, a Unifor e a cidade de Fortaleza cresceram lado a lado. A Universidade ajudou a formar profissionais qualificados que impulsionaram o desenvolvimento, e Fortaleza, por sua vez, ofereceu o ambiente urbano e cultural que fortaleceu a relevância da instituição. Hoje, ambas são símbolos de modernidade e identidade cearense”, resume a responsável pelo Núcleo de Avaliação Institucional (NAI) da Unifor, Nise Sanford.
Em celebração ao marco dos 300 anos de Fortaleza, esta reportagem traz, a seguir, vozes de atores que participaram de diferentes fases desta história e agora analisam como a cidade e a universidade se conectaram e aprenderam a crescer juntas, movidas pelo desenvolvimento social.
Uma história de construção integrada
Quando Carlos Alberto Batista Mendes de Sousa chegou à Unifor como docente, a Universidade ainda estava sendo desenhada, não apenas em sua estrutura física, mas em sua identidade, em seu propósito e no papel que viria a desempenhar no desenvolvimento de Fortaleza e do Ceará.
“Fui convidado pelo então reitor, professor Antero Coelho, para colaborar na organização do sistema acadêmico da Universidade. Era um momento exigente, que demandava mais do que técnica: exigia compromisso com um projeto que ainda estava nascendo”, rememora.
Esse período inicial de construção foi marcado pelo desejo do empresário Edson Queiroz de construir o que chamava de “fábrica de doutores” por acreditar que a educação era fundamental para formar profissionais e consumidores à medida que contribuiria com o desenvolvimento local.
Depois disso, Carlos continuou na Unifor por mais quatro décadas, assumindo diferentes cargos de gestão, inclusive o de reitor. Ele conta que, ao longo desta trajetória, teve a oportunidade de contribuir com decisões que moldaram o crescimento da Universidade. Participou de momentos estruturantes, como a criação do curso de Odontologia, um dos pioneiros na região, e da implantação do curso de Medicina, que ampliaram de forma decisiva a presença da Unifor na área da saúde.
“Vi crescer o portfólio de cursos, acompanhei e incentivei o fortalecimento da pesquisa e da pós-graduação, convicto de que uma universidade só se consolida plenamente quando ensino, extensão e produção de conhecimento caminham juntos. Mais do que uma trajetória profissional, foi uma missão de vida construída ao longo do tempo”, afirma.
Mas, para compreender as transformações de Fortaleza no período em que Carlos esteve à frente da Universidade, é necessário olhar para o momento em que esse projeto começou. Ele lembra que, nos primeiros anos da década de 1970, a cidade ainda oferecia poucas oportunidades de ensino superior. “A formação acadêmica era restrita, concentrada em poucas opções e incapaz de atender à demanda de uma juventude que desejava permanecer e crescer no Ceará. Foi nesse cenário que emergiu a visão de Edson Queiroz”, recorda.
Com olhar atento aos dados e uma intuição rara, o empresário percebeu que o desenvolvimento de Fortaleza e do Ceará passava, inevitavelmente, pela educação. “Mas não qualquer educação: uma formação sólida, estruturada e comprometida com a excelência. Assim nasceu a Universidade de Fortaleza, em 1973 — não apenas como uma nova instituição, mas como uma resposta concreta a uma necessidade histórica”, defende Carlos.
Naquele momento, Fortaleza era uma cidade em expansão, mas ainda em construção. “Com o passar dos anos, assisti a uma transformação profunda: crescimento urbano acelerado, expansão econômica, fortalecimento do turismo, ampliação da infraestrutura e uma nova dinâmica social”, declara o ex-reitor.
Para ele, a Unifor cresceu junto com Fortaleza e, em muitos momentos, ajudou a antecipar o futuro da cidade. “À medida que novos desafios surgiam, a Universidade ampliava seus cursos, fortalecia áreas estratégicas, investia em infraestrutura e qualificava continuamente seu corpo docente”, elenca.
Mas, segundo Carlos, o crescimento mais importante foi institucional. “A Unifor amadureceu na forma de ensinar, de pesquisar e de se conectar com a sociedade. Passou a formar profissionais capazes não apenas de ocupar espaços, mas de transformá-los”, diz.
Na prática, o ex-reitor diz que a Universidade saiu de uma estrutura inicial ainda em consolidação para se tornar um dos principais centros de ensino superior do país. Carlos acredita que esse crescimento gerou impactos profundos e duradouros, como a formação de gerações de profissionais qualificados, o fortalecimento de áreas estratégicas, (especialmente na saúde), a contribuição direta para o desenvolvimento econômico da cidade, o estímulo à inovação e ao empreendedorismo, e a produção de conhecimento aplicado à realidade local.
“Ao longo de mais de cinco décadas, a Unifor ajudou a transformar Fortaleza. Formou profissionais, estruturou áreas estratégicas, produziu conhecimento e contribuiu para a construção de uma cidade mais preparada para o futuro. Mais do que acompanhar esse processo, a Universidade foi protagonista e continuará sendo — especialmente ao investir em inovação, internacionalização e novos modelos de formação.” — Carlos Alberto Batista Mendes de Sousa, ex-reitor da Universidade de Fortaleza
Educação, gênero de primeira necessidade para o crescimento
Chico Alves trabalhava na contabilidade do Grupo Edson Queiroz, nos primeiros anos da Unifor, e tinha reuniões frequentes com o empresário Edson Queiroz. Dele, ouviu várias vezes como a educação era um vetor fundamental para o desenvolvimento econômico e social de Fortaleza e do Ceará. “O doutor Edson dizia que a educação era gênero de primeira necessidade. Ele tinha uma visão sistêmica do Brasil", lembra.
Nesse sentido, Chico Alves avalia que a Fundação Edson Queiroz foi um marco diferenciado na educação do Ceará, tendo contribuído com a transformação de Fortaleza especialmente pela formação profissional de excelência em diversas áreas. “Ele (Edson Queiroz) tinha muito orgulho disso e conseguiu, de certa forma, transportar essas ideias para os filhos e para dona Yolanda. Ele conseguiu plantar essa semente e ela prosperou.”
Décadas depois, o contador e ex-conselheiro do Grupo Edson Queiroz avalia que, além da formação de milhares de profissionais, a Unifor atraiu outras instituições educacionais. E abraçou a responsabilidade social ao disponibilizar serviços em diferentes áreas para a população, da saúde ao atendimento jurídico. “Houve uma transformação não só econômica, mas também social. Um exemplo disso é a Escolinha Yolanda Queiroz, que ainda hoje funciona", declara.
“Fortaleza e a Unifor hoje têm a celebrar as conquistas no âmbito educacional. A Unifor foi inspiração, foi o caminho para a chegada de novas faculdades. Ajudou a formar muitos profissionais que hoje fazem a diferença.” — Chico Alves, ex-conselheiro do Grupo Edson Queiroz
Qualificação profissional e pesquisa para o desenvolvimento tecnológico e industrial
Com o passar dos anos, a Unifor foi adotando novos cursos, cuja qualidade e diversidade contribuíram para atender as necessidades não apenas de Fortaleza, mas de todo o Estado. “Esses profissionais foram bem aceitos pela sociedade”, pontua o ex-diretor do Centro de Ciência e Tecnologia (CCT), Lourenço Humberto, conhecido como professor Costinha.
Ele traz como exemplo o pioneiro curso de Engenharia Elétrica, que contribuiu principalmente para atender às necessidades de mão de obra especializada para as empresas de telecomunicação e de distribuição de energia elétrica, como Teleceará e Coelce. “Diversos engenheiros dessas empresas foram formados na Unifor", diz.
O docente argumenta que, para que ocorra o desenvolvimento tecnológico em uma capital como Fortaleza, é fundamental a formação de profissionais na área. “Nesse sentido, a Unifor contribuiu de forma expressiva nesse desenvolvimento com a formação de profissionais na área de tecnologia”, atesta.
Costinha lembra que o desenvolvimento tecnológico impulsiona toda indústria local, essencial para a geração de empregos na região, melhorando as condições socioeconômicas da cidade de Fortaleza, tanto diretamente como indiretamente, pela melhoria da atividade econômica.
Nessa perspectiva, ele analisa que a área de formação tecnológica na Unifor, desde o início, foi ousada na criação de novos cursos, com o objetivo de preencher toda a gama de tecnologias. Na década de 1970, foram criados os cursos de Engenharia Civil, Mecânica e Elétrica. Na década de 1980, houve uma diversificação com a criação de novos cursos, por exemplo o curso de Engenharia de Produção.
Nos anos 1990, foram criados cursos de Engenharia de Controle e Automação e Ciências da Computação, esse último nos anos 2000 tornou-se Engenharia da Computação. “Percebe-se assim que a Unifor sempre buscou atualizar seus os cursos de tecnologia de forma a atender às demandas da sociedade e a impulsionar o seu desenvolvimento”, afirma Costinha.
Os investimentos em pesquisas e em formação profissional promovidos pela Unifor, conforme o docente, permitiram uma melhoria contínua da qualidade da formação e do desenvolvimento e implementação de novas tecnologias. “Essa melhoria é fundamental para ampliar e aperfeiçoar os produtos e serviços a serem disponibilizados para a sociedade, contribuindo assim para transformar a realidade da cidade e da região”, diz ele, mencionando profissionais e empresas de Fortaleza que hoje atuam no Complexo Industrial do Pecém.
“A Unifor ajudou a transformar a cidade de Fortaleza através da formação profissional, inicialmente com os cursos de graduação, evoluindo para os cursos de mestrado e doutorado. (...) As pesquisas desenvolvidas na Unifor, também ajudaram a transformar a cidade, pois são, na sua maioria, direcionadas a resolução de problemas práticos sem esquecer a pesquisa científica.” — Lourenço Humberto Portela Reinaldo (Costinha), ex-diretor do Centro de Ciências Tecnológicas (CCT)
Formações que criam caminhos de transformação social e econômica
A dedicação para ler com atenção as demandas do mercado de Fortaleza e do Ceará sempre foi uma máxima da Unifor na hora de criar novos cursos. “Isso fez com que a Universidade não apenas acompanhasse o crescimento da cidade, mas também fosse motor desse desenvolvimento”, avalia a responsável pelo Núcleo de Avaliação Institucional (NAI) da Unifor, Nise Stanford.
A docente afirma que a Universidade está sempre atenta e prospecta a empregabilidade dos setores em expansão na economia local, antecipando tendências e criando cursos que preparam Fortaleza para crescer de forma estruturada e diversificada.
“Na década de 80, com o Ceará se transformando em destino turístico de referência nacional, a Unifor implantou o curso de graduação em Turismo, formando profissionais aptos que pavimentaram Fortaleza para crescer de forma estruturada e diversificada como destino turístico”, exemplifica.
Ela acrescenta que o mesmo vem acontecendo com a área da tecnologia da informação, setor no qual a Unifor tem ofertado diversos cursos para a formação de mão de obra qualificada para fins do ecossistema que está sendo criado, a partir da chegada de call centers, startups e empresas de tecnologia que se instalaram na grande Fortaleza.
“Desde sua fundação, a Unifor foi pioneira em criar cursos que respondiam às necessidades emergentes de Fortaleza e do Ceará. Essa formação profissional inovadora não apenas preparou indivíduos, mas transformou realidades coletivas, ajudando a moldar setores inteiros da cidade”, explica. Na prática, os profissionais formados pela Unifor tornaram-se líderes em empresas, hospitais, escritórios e órgãos públicos, elevando o padrão de serviços na cidade.
“A Unifor não oferta apenas cursos. Suas formações criam caminhos de transformação social e econômica. Cada nova graduação responde a uma demanda real da cidade, e cada turma formada representa um passo no desenvolvimento de Fortaleza”, afirma Nise.
A docente analisa que, ao longo de pouco mais de cinco décadas, a Unifor ajudou a moldar a cidade em múltiplas dimensões. A partir de cursos pioneiros, a instituição de ensino antecipou demandas do mercado, formando profissionais que abastecem setores estratégicos da economia local.
“A Unifor não apenas forma profissionais, mas constrói Fortaleza junto com eles: cada médico, engenheiro, advogado ou designer formado pela Universidade contribui para uma cidade mais justa, moderna e vibrante, além de colocar a cidade em diálogo com centros de inovação mundial, pela formação ampliada de seus egressos, fruto de parcerias internacionais estruturadas em seus currículos”, detalha.
Para Nise, a importância de uma universidade como a Unifor promover desenvolvimento acadêmico e social está em integrar conhecimento e impacto direto na comunidade, criando um ciclo virtuoso: forma profissionais, gera inovação, e ao mesmo tempo melhora a qualidade de vida da cidade. “Isso transforma Fortaleza em um polo não apenas econômico, mas também cultural e social", pontua.
Isso porque a Unifor vai além da sala de aula: atua como agente transformador da cidade, oferecendo serviços essenciais, promovendo inclusão social e cultural, e preparando Fortaleza para ser um polo inovador e sustentável.
“A comemoração dos 300 anos de Fortaleza é também a celebração da parceria histórica entre cidade e universidade. A Unifor não apenas cresceu no tecido social de Fortaleza, mas foi protagonista na transformação urbana, cultural e social da capital cearense.” — Nise Sanford, responsável pelo Núcleo de Avaliação Institucional (NAI) da Universidade de Fortaleza
Diálogo com o poder público
Ao longo das décadas, a Unifor sempre manteve parcerias e contato com o poder público e instituições, num diálogo frequente que visa tanto uma formação integral com os alunos quanto a promoção de ideias com potencial de contribuir com o desenvolvimento e o crescimento da cidade, seja econômico ou social.
Ex-secretário da Fazenda do Ceará e ex-conselheiro da Fundação Edson Queiroz, o empresário Ednilton Gomes de Soárez conta que trabalhou diretamente com o empresário Edson Queiroz. “Homem extraordinário em todos os aspectos. Fora da curva, gênio. Tudo o que se metia para fazer, fazia muito bem. Era um desbravador.”
Ednilton lembra de Edson Queiroz falando que um dos motivos pelos quais estava fundando a Unifor era para evitar que os cearenses deixassem Fortaleza e o Ceará à procura de educação em outros estados. “A Unifor foi idealizada para ser grande”, afirma.
Segundo o ex-gestor, é muito difícil mensurar a magnitude do impacto que a Unifor vem causando na população, na sociedade e na política de Fortaleza. “Por seus bancos passaram profissionais vitoriosos das mais diferentes áreas. A Unifor tem também investido no meio ambiente. Seu campus é um exemplo vivo dessa prática. A inovação e a pesquisa são também realidade na vida acadêmica dos professores e alunos da entidade”, considera.
"Nesta ocasião em que Fortaleza comemora seus 300 anos de fundação, a Unifor pode se juntar para comemorar também por ter participado na transformação da cidade neste período. Podemos afirmar sem nenhuma dúvida que a sua caminhada será de muita importância nos futuros anos no crescimento e no desenvolvimento de nossa cidade.” — Ednilton Gomes de Soárez, ex-secretário da Fazenda do Ceará e ex-conselheiro da Fundação Edson Queiroz
Ednilton destaca que, além dos cursos nas áreas do direito, tecnologia, humanas, comunicação e gestão, um destaque são os cursos da saúde e os impactos dos serviços oferecidos pela Unifor. Ele ressalta a criação do Núcleo de Atenção Médica Integrada (NAMI), ainda nos anos iniciais da Unifor.
A criação do equipamento teve a colaboração do médico e político Lúcio Alcântara, que foi secretário de saúde nos anos 1970. “Fiz uma proposta [ao Edson Queiroz] do campus ter uma unidade de saúde do Estado que servisse de campo de treinamento para os cursos da ciência da saúde”, conta. Edson topou. O projeto demorou um pouco para sair do papel, mas o empresário cuidou pessoalmente para que a ideia não se perdesse. “Foi uma parceria muito boa e depois, claro, as coisas mudaram e o NAMI cresceu muito”, diz Lúcio.
Atualmente, o NAMI é uma referência nas regiões Norte e Nordeste, realizando atendimentos multidisciplinares de excelência pelo Sistema Único de Saúde (SUS), convênios e particular. O núcleo oferece diversos serviços, como exames, vacinas, análises clínicas, centro de imagens, entre outros, sempre com responsabilidade social e compromisso de oferecer a melhor assistência à população.
Universidade protagonista no desenvolvimento social, cultural e educacional
Todos esses exemplos mostram como a história da Unifor, ao longo de seus mais de anos, se entrelaça com a história de Fortaleza. O Reitor da Universidade, Randal Pompeu, destaca que ela tem sido protagonista no desenvolvimento social, cultural e educacional da capital cearense, ao formar gerações de profissionais que fazem a diferença em suas áreas de atuação.
“A Universidade de Fortaleza nasceu com a missão de combater o imenso déficit de ensino superior no Estado na década de 1970 em razão das poucas vagas existentes nas universidades. Para tanto, impulsionou avanços por meio de seus cursos de graduação e pós-graduação, projetos de pesquisa e programas de extensão, além de contribuir para a inovação, a produção científica e o fortalecimento das políticas públicas, consolidando-se como agente estratégico do desenvolvimento regional”, afirma o Reitor.
Segundo ele, a Universidade também beneficia milhares de pessoas todos os anos em áreas como educação, saúde, assistência jurídica e contábil, arte e cultura, esporte e responsabilidade social. “Essas ações promovem acesso a direitos, melhoria da qualidade de vida e redução de desigualdades, em consonância com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU, reafirmando o papel social da universidade como espaço de transformação coletiva”, acrescenta.
A Unifor também tem contribuído para o crescimento de Fortaleza do ponto de vista da ocupação dos espaços. “Basta ver como a cidade cresceu para a região sul, até o Eusébio, muito em virtude da instalação da Unifor nessa área. A área onde a Unifor está localizada hoje conta com amplo acesso para quem vem de qualquer lado da cidade. Importante também destacar como a Unifor melhorou o panorama ambiental da região com o seu campus super arborizado. A vegetação do campus foi toda plantada após a instalação da universidade, tanto que existe no campus um microclima próprio, a temperatura chega a ser mais amena do que no resto da cidade”, afirma o Reitor.
“Nestes 300 anos de Fortaleza, a Unifor celebra o poder que a educação tem de transformar a realidade de um povo. Mas comemoramos olhando para a frente, vislumbrando o que ainda podemos fazer. Hoje a Unifor é respeitada no Brasil como modelo de excelência acadêmica, não por acaso lidera os rankings educacionais na região e está entre as seis melhores do Brasil.” — Randal Pompeu, Reitor da Universidade de Fortaleza
Diante de tantas contribuições para a cidade, a Unifor tem o plano de se consolidar como um polo de formação de excelência e de inovação regional, mantendo o foco na qualidade pedagógica, na pesquisa aplicada e na extensão que dialoga com as demandas da sociedade. “Exemplo disso é o projeto de pesquisa que resultou na criação do capacete Elmo, que em parceria com outras instituições salvou milhares de vidas durante a pandemia de Covid-19”, lembra Randal.
O Reitor conta que a Universidade tem ampliado as parcerias com outras empresas e instituições para gerar mais oportunidades de estágio e pesquisa para os alunos. “Em paralelo, priorizamos a experiência do aluno com iniciativas voltadas à modernização de laboratórios, qualificação docente e conexão ao mercado de trabalho. Na Unifor, o aluno conta com infraestrutura de excelência, incluindo laboratórios que permitem a vivência da prática profissional em equipamentos semelhantes aos que eles vão encontrar no mercado”, aponta.
Randal ainda destaca que, neste ano de 2026, quando Fortaleza completa 300 anos, o presente da Unifor para a cidade será a inauguração do museu do Complexo Yolanda e Edson Queiroz. “Trata-se de um centro cultural de referência, criado para fomentar manifestações culturais diversas, o aprendizado e a inovação. Será um ponto de encontro para estimular o apreço pela arte e pela cultura, abrigando mostras temporárias e de longa duração, entre elas a exposição da Coleção Fundação Edson Queiroz, que apresenta um dos acervos de arte mais relevantes do Brasil”, finaliza.
Esta reportagem está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, contribuindo para o alcance dos ODSs 3 - Saúde e Bem-Estar, 4 - Educação de Qualidade, 8 - Trabalho Decente e Crescimento Econômico, 9 - Indústria, Inovação e Infraestrutura, 10 - Redução das Desigualdades, 11 - Cidades e Comunidades Sustentáveis e 17 - Parcerias e Meios de Implementação.
A Unifor, assim, integra formação acadêmica, inovação tecnológica e serviços gratuitos à comunidade. Ao unir preservação ambiental, saúde e inclusão social, a Universidade atua como motor do desenvolvimento sustentável e protagonista na evolução urbana e social de Fortaleza.