seg, 20 abril 2026 10:13
Elmo: 6 anos da inovação cearense que salvou vidas
Resultado da colaboração entre ciência, indústria e sistema de saúde, o capacete Elmo tornou-se símbolo da capacidade de resposta do Ceará à pandemia de Covid-19. Na Universidade de Fortaleza, pesquisadores e professores estiveram à frente de etapas decisivas do projeto, que salvou vidas e gerou uma agenda contínua de pesquisas.

Era abril de 2020. O Brasil enfrentava a pandemia do novo coronavírus e via milhares de vidas interrompidas pela Covid-19, quando pesquisadores, gestores e representantes industriais se reuniram em uma grande força-tarefa para pensar em soluções de saúde para a crise sanitária. Foi daí que surgiu a ideia de produzir uma espécie de escafandro, com materiais disponíveis no Ceará, para ajudar as pessoas a respirarem e tentar evitar ao máximo a intubação.
Assim nasceu, há seis anos, o capacete Elmo, um equipamento que ajudou centenas de pessoas durante a pandemia de Covid-19 e, mesmo depois da crise sanitária, vem gerando inúmeras pesquisas. Trata-se de uma cúpula transparente de PVC rígido, capaz de suportar altas pressões internas sem vazamentos. Na prática, o Elmo é capaz de reduzir a necessidade de respiradores pulmonares artificiais, pois se trata de uma oxigenioterapia em que o paciente inala oxigênio puro e não reinala o CO₂ produzido, que tampouco é expelido no ambiente, evitando a contaminação dos demais.
O Elmo foi utilizado em diferentes estados brasileiros como uma solução de baixo custo para reduzir em cerca de 60% a necessidade de ventilação mecânica nos pacientes com Covid-19, desafogando as UTIs superlotadas durante a pandemia. Uma solução desenvolvida a muitas mãos que salvou vidas durante a crise sanitária e segue promissora para o tratamento de problemas respiratórios.
O Elmo é um exemplo da importância da pesquisa aplicada para a sociedade. Os primeiros conceitos e modelos do equipamento foram desenvolvidos no Laboratório de Pesquisa e Inovação em Cidades (Lapin) da Universidade de Fortaleza, instituição vinculada à Fundação Edson Queiroz. Após ser aprimorado e testado, foi produzido em larga escala com apoio da Esmaltec, empresa do Grupo Edson Queiroz, e distribuído em redes de saúde pública e privada com auxílio do Governo do Ceará.
É fruto de uma pesquisa coletiva que envolveu muitos braços: a Escola de Saúde Pública do Ceará, a Secretaria da Saúde do Estado, a Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap), a Universidade Federal do Ceará (UFC), a Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai/CE), além da Unifor e da Esmaltec.
Em 2022, esta força-tarefa foi agraciada com a Medalha da Abolição, a mais alta honraria do Estado do Ceará, concedida, de forma inédita na história, a um grupo: os inventores do Elmo, representando todas as instituições envolvidas. O projeto também foi um dos 12 vencedores do Prêmio Euro de Inovação na Saúde na América Latina (2023) e conquistou o Prêmio Nacional de Inovação da Indústria (Summit Senai P&D + Impacto, 2022).
A ciência comprometida com o bem coletivo
“A participação de pesquisadores e alunos da Universidade de Fortaleza no desenvolvimento do capacete Elmo é motivo de grande orgulho para toda a nossa comunidade acadêmica”, afirma o vice-reitor de Pesquisa da Unifor, Afonso Lima. Em um dos momentos mais desafiadores da história recente, durante a pandemia de Covid-19, ele viu de perto a pronta resposta da sociedade civil na busca por soluções emergenciais capazes de salvar vidas. “O Elmo nasce exatamente desse esforço coletivo, marcado pela agilidade, solidariedade e compromisso com o bem comum”, acrescenta.
Segundo o docente, o projeto evidencia, de forma concreta, a importância da pesquisa científica e da ciência como pilares fundamentais no atendimento às demandas da sociedade. “Foi a partir do conhecimento acumulado, da investigação rigorosa e da capacidade de inovação que conseguimos contribuir para uma solução que fez a diferença em um cenário crítico”, afirma.
Afonso destaca que a sinergia estabelecida entre a academia, instituições públicas e empresas privadas foi essencial para que ideias se transformassem rapidamente em soluções aplicáveis, demonstrando que a colaboração entre diferentes setores é um caminho indispensável para enfrentar grandes desafios.
“A participação ativa de nossos pesquisadores e estudantes, por outro lado, reforça o papel da Universidade como um ambiente que fomenta a troca de conhecimento e o desenvolvimento de competências essenciais para os profissionais do futuro”, pontua. Para ele, experiências como estas, oferecidas pela Unifor, ampliam horizontes, fortalecem a formação acadêmica e aproximam os alunos da realidade, evidenciando que é possível transformar a realidade para melhor.
“Posso afirmar que o capacete Elmo é um símbolo concreto de que, quando diferentes atores se unem em torno de desafios comuns, com a ciência como instrumento e o bem coletivo como finalidade, abrem-se caminhos para avanços significativos e duradouros na sociedade.” — Afonso Lima, vice-reitor de Pesquisa da Unifor
Pensamento interdisciplinar para um projeto complexo
O professor Herbert da Rocha é pesquisador do Lapin e atuou diretamente na concepção do Elmo. Com formação em design industrial, ele trabalhou tanto no desenvolvimento do produto quanto nos estudos de usabilidade. Nesta jornada, a garagem da casa dele tornou-se uma verdadeira extensão do laboratório em pleno lockdown. Foi lá que o docente realizou a impressão 3D das peças e testou os mais diversos materiais para transformar o Elmo em realidade.
Herbert conta que foi convidado pelo então diretor da Diretoria de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (DPDI) da Unifor, Vasco Furtado, para integrar uma equipe multidisciplinar com profissionais de diversas instituições. “O objetivo era buscar formas de minimizar o impacto da chegada da pandemia de Covid-19, logo nos primeiros dias após a decretação pela OMS (Organização Mundial da Saúde)”, lembra.
No início, a equipe não tinha um direcionamento específico sobre qual solução seria desenvolvida. “Sabíamos apenas que deveríamos usar nossas expertises para propor e desenvolver alternativas que protegessem os pacientes e a equipe médica, além de viabilizar um possível tratamento para os infectados”, conta Herbert, o único designer em uma equipe formada por médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, engenheiros, entre outros.
O docente já tinha experiência em trabalhar com uma equipe multidisciplinar pela própria natureza do Lapin. “Tanto antes quanto depois do capacete Elmo, já havíamos desenvolvido projetos relacionados à área da saúde. Essa experiência prévia facilitou bastante a comunicação, algo fundamental para o avanço de um projeto tão complexo e importante como esse”, diz.
Herbert explica que o Elmo é, tecnicamente, um capacete hiperbárico: uma estrutura que cobre o pescoço e a cabeça do paciente, mantendo uma pressão interna mais elevada do que a externa. “Trata-se de um conceito preexistente e conhecido, mas cujo uso era mais voltado para tratamentos de descompressão, normalmente utilizado por mergulhadores de profundidade. Na área médica, esse tipo de equipamento era pouco difundido e não havia registros de sua aplicação no tratamento de doenças infectocontagiosas”, afirma.
O Elmo foi desenvolvido de forma específica para o tratamento de doenças respiratórias associadas à Covid-19, tendo sido adequado para o ambiente hospitalar e concebido com materiais de fácil acesso pela indústria local, reutilizável e de baixo custo.
“A ideia original surgiu das interações da equipe. Sabíamos que, nos primeiros dias da pandemia na China, havia um alto índice de contaminação e letalidade entre os profissionais de saúde. Os métodos tradicionais de oxigenação usando máscaras, além de serem pouco eficientes para quadros graves, permitiam que o vírus se espalhasse pelo ambiente. Então, imaginamos que a ‘máscara ideal’ seria aquela que impedisse que o ar exalado pelo paciente se misturasse com o ar do ambiente”, explica Herbert.
O Lapin da Unifor foi um dos setores responsáveis pela elaboração do capacete Elmo (Foto: Ares Soares)
Mas, afinal, que tipo de máscara atual atenderia a esse requisito? As de mergulho. “Porém, elas apresentam limitações, pois são direcionadas a um público-alvo com biotipo e formatos de rosto muito específicos, o que não funcionaria como uma solução em escala. Mas, dentre os equipamentos de mergulho, o escafandro inspirou uma saída. Ele veda o ambiente respiratório pelo pescoço — uma parte do corpo que sofre muito menos variações de medida e formato do que a face, onde as máscaras convencionais precisam ser pressionadas para garantir a vedação”, conta Herbert.
Ele recorda que um dos integrantes do grupo multidisciplinar, o médico pneumologista Marcelo Alcântara (na época, superintendente da Escola de Saúde Pública), relatou já ter tido contato com um equipamento médico que também vedava no pescoço: o capacete hiperbárico (helmet). “A partir daí, formamos um subgrupo interno focado em desenvolver esse equipamento de respiração assistida usando as tecnologias, os processos e os materiais acessíveis no Ceará. Esse dispositivo veio a ser batizado como capacete Elmo”, rememora.
Diante de uma doença nova, em grande parte desconhecida e sem tratamento efetivo até então, o capacete Elmo surgiu como uma opção vital para pacientes graves. O protocolo médico da época indicava a intubação quando o paciente atingia um certo nível de comprometimento e de baixa oxigenação no sangue. O problema é que faltavam respiradores e o índice de mortalidade dos pacientes intubados alcançava níveis estatísticos próximos a 50%.
O Elmo foi inserido como uma terapia alternativa e não invasiva, prévia à intubação. Ele possibilitou a melhora clínica do paciente debilitado, evitando o procedimento invasivo em diversos casos. “Atualmente, dispomos de dados publicados que comprovam que 63% dos pacientes com indicação de intubação, que foram tratados com o capacete, recuperaram-se sem precisar ser intubados. Estima-se que mais de 40 mil pessoas tenham sido tratadas com o dispositivo em todo o Brasil”, celebra o professor.
O capacete Elmo recebeu a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso clínico durante a segunda onda da Covid-19, no fim de 2020. Atualmente, diversas pesquisas estão sendo desenvolvidas visando a sua aplicação em outros contextos, como no tratamento de diferentes doenças que também causam insuficiência respiratória e problemas cardíacos.
“Nacionalmente, o dispositivo firmou-se como uma alternativa eficaz e de baixo custo, que ajudou a desafogar as UTIs de todo o país no momento mais crítico. O Elmo é, certamente, um legado da pandemia. Ele consolidou o Ceará como um importante hub de tecnologia e inovação médica para o Brasil e para o mundo.” — Herbert da Rocha, pesquisador do Lapin e docente da Unifor
Investimento contínuo em pesquisa, uma chave para a inovação
Durante a operacionalização do Elmo, o professor Vasco Furtado teve papel central na gestão das atividades de pesquisa e inovação e na articulação com a Fundação Edson Queiroz e a empresa Esmaltec. Na época, ele liderava a Diretoria de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (hoje Vice-Reitoria de Pesquisa) e conta que a Unifor cedeu professores, espaço de pesquisa e articulou a parceria com a Esmaltec para a produção dos equipamentos em escala, assim como a aprovação do equipamento pela Anvisa.
Vasco lembra que o momento era delicado. “As reuniões presenciais eram impossíveis de serem feitas sem riscos de contágio. Os fornecedores de material hospitalar, tanto no Brasil como no mundo, estavam sem disponibilidade. E o clima de tensão e tristeza devido às mortes era presente”, resume. Mesmo assim, diversos parceiros se propuseram a encontrar juntos uma solução. “Sem a colaboração de todos, o trabalho talvez não fosse possível em um espaço de tempo tão curto”, diz o professor.
Vasco destaca que a Unifor tem em seu DNA a produção da inovação e, por isso, contribuiu com a iniciativa. “Trata-se de uma universidade que incentiva a pesquisa aplicada e desenvolve projetos com parceiros industriais, comerciais e governamentais. Essa experiência em produção de inovação foi fundamental no capacete. A praticidade, a visão objetiva e de resultados sempre estiveram presentes no Elmo. A articulação com a Esmaltec foi o maior exemplo disso”, afirma.
O docente lembra que, em cada projeto de inovação desenvolvido na Unifor, há envolvimento de estudantes de graduação e pós-graduação. “Isso faz parte da formação dos alunos, o que faz com que a cultura da inovação seja cada vez mais difundida”, pontua.
“[O Elmo] é uma inovação que mostra para a sociedade, de forma bem concreta e próxima de todos os cearenses, o quanto é importante investir em pesquisa. O conhecimento humano advindo da pesquisa é um seguro que uma sociedade tem e que pode ‘resgatar’ quando necessário. Não pensem que o Elmo teria acontecido sem o investimento de anos em pesquisadores que se formaram e que, ao serem chamados pela sociedade, puderam por seus conhecimentos em prática para conceber, avaliar e ajudar a produzir essa inovação social” — Vasco Furtado, ex-diretor da DPDI e atual coordenador do Núcleo de Ciência de Dados e Inteligência Artificial da Unifor
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Um campo aberto para estudar problemas e propor melhorias
Durante a crise sanitária, a Esmaltec produziu mais de 10 mil capacetes Elmo, e cada um deles era usado por até quatro pacientes. Além de salvar vidas, a iniciativa também representou economia aos cofres públicos ao reduzir a necessidade de intubação dos pacientes, tendo em vista que os equipamentos de ventilação mecânica custavam muito mais, conforme atesta o coordenador do Lapin, Daniel Chagas.
Ele diz que o Laboratório de Pesquisa e Inovação (Lapin) é aberto para receber ideias e problemas tanto da comunidade acadêmica (alunos, professores, funcionários, pesquisadores) quanto de empresas que participam do Parque Tecnológico (TEC Unifor), de instituições públicas e da sociedade de uma forma geral. “O Lapin tem essa pegada do desenvolvimento de artefatos, em geral artefatos tecnológicos físicos. Estou falando de equipamentos, mas que também tenham a geração de pesquisa”, afirma Daniel.
Ligado à Vice-reitoria de Pesquisa (VRP), o Lapin desenvolve equipamentos e gera patentes de artigos, desenhos industriais e registros de software. “É condição para o desenvolvimento de um projeto aqui dentro da Unifor que esse equipamento ou resultado gere algum tipo de propriedade intelectual, que vai ser negociada junto com o parceiro durante esse desenvolvimento para a exploração desta propriedade intelectual”, diz Daniel.
Para os alunos da Unifor, o laboratório torna-se um campo de trabalho com situações reais, desenvolvendo suas capacidades para a solução de problemas da sociedade, das empresas, dos parceiros, de todas as pessoas que estão envolvidas no Parque Tecnológico da Unifor.
“Esse ganha-ganha permite que a gente possa ter a nossa produção intelectual, o desenvolvimento de artigos, patentes e propriedades intelectuais como um todo, atrelado a gente ter esse campo de trabalho, de desenvolvimento de competências dentro da própria universidade”, explica Daniel.
O docente conta que, após o capacete Elmo, foi desenvolvido o Elmo 2.0, hoje chamado de equipamento de análise respiratória. Trata-se de um dispositivo que traz uma inteligência e uma tecnologia para o capacete Elmo, que é um produto físico. “Durante a pandemia, nós desenvolvemos vários sensores que geram dados sobre aquele paciente que está com o capacete Elmo”, salienta Daniel.
O projeto foi desenvolvido graças a uma parceria com o Consulado da Bélgica. O Elmo 2.0 teve o objetivo de desenvolver artefatos eletrônicos que monitorem os pacientes em tratamento, diminuindo a carga de trabalho para as equipes de saúde na pandemia, e municiando esses profissionais com dados para uma melhor compreensão da evolução do estado do paciente. Atualmente, o equipamento segue em estudo para ser aplicado em outras situações de pacientes com problemas respiratórios.
“Para nós, do Lapin, o desenvolvimento de inovação para a saúde é algo que traz grandes desafios. [...] Além do capacete Elmo, nós desenvolvemos outros projetos com estudos sobre labirintite, sobre ótica, para estudos em odontologia, e hoje vemos um cenário bem interessante sobre a criação de simuladores para ensino.” — Daniel Chagas, coordenador do Lapin e docente da Unifor
As experiências com a inovação na linha de frente da Covid-19
Durante a pandemia, a enfermeira Telma Cordeiro atuava no Hospital São José, um hospital de referência no início da crise sanitária. “Nós nos deparamos com o desconhecido de início e depois passamos o nosso know-how para os outros profissionais”, conta ela, que conheceu o Elmo nesta prática.
“Usamos o capacete Elmo nas angústias respiratórias em pacientes com mais de 18 anos. Havia uma melhora respiratória da dispneia, dando uma sensação de conforto ao respirar, conciliando melhor o sono e ajudava na musculatura acessória, dando uma redução na frequência respiratória”, explica a enfermeira, hoje aluna do Mestrado Profissional em Tecnologia e Inovação em Enfermagem (MPTIE) da Unifor.
“Foi uma inovação tecnológica fantástica na época, principalmente quando tínhamos a colaboração dos pacientes, pois havia um menor risco de dispersão viral durante a sua utilização e era a melhor técnica de prevenção para se evitar uma entubação. Foi a melhor ventilação não invasiva para as síndromes da angústia respiratória aguda.” — Telma Cordeiro, enfermeira e aluna do Mestrado Profissional em Tecnologia e Inovação em Enfermagem da Unifor
Telma conta que, no mestrado, está feliz em poder desenvolver inovações tecnológicas. “Acho que a Unifor atualmente se situa como uma das grandes universidades existentes”, complementa.
Assim como Telma, a enfermeira Deyziane Damasceno conheceu o Elmo durante a pandemia. “Eu trabalhava no Frotinha de Messejana, onde usava-se o capacete em pacientes com perfil e muitos não precisavam ser intubados, evoluindo com melhoras significativas”, conta.
Ela avalia que a experiência com o Elmo nos tratamentos durante a pandemia foi positiva e benéfica para o paciente. “Na época em que o Elmo surgiu, foi uma esperança em meio a uma doença nova, devastadora e que pouco se sabia sobre tratamento e evolução”, analisa. Segundo a profissional, a chance de evitar procedimentos invasivos numa situação de recursos escassos era algo esperançoso.
“A pesquisa é algo que transforma e ajuda a evoluir. Então, é extremamente importante o desenvolvimento de trabalhos científicos inovadores. O capacete Elmo foi algo inovador e tão importante que saiu do nosso Estado e foi para outros locais para corroborar a assistência aos pacientes, o que demonstra o quão valioso foi a descoberta.” — Deyziane Damasceno, enfermeira e aluna do Mestrado Profissional em Tecnologia e Inovação em Enfermagem da Unifor
Mesmo depois da crise sanitária, as pesquisas sobre o capacete Elmo continuam em várias universidades. Algumas delas vêm reforçando a eficácia do equipamento em casos de problemas respiratórios e demonstrado bons resultados no uso fora das Unidades de Terapia Intensiva (UTI), enquanto outras contribuem para melhorar o atendimento em pacientes obesos, por exemplo, que precisam de atenção maior para garantir uma nutrição adequada durante o tratamento.
No Mestrado em Informática Aplicada, o pesquisador Ricardo Kassner Carubbi estudou o quanto o Elmo pode reduzir a necessidade de intubação em pacientes com insuficiência respiratória causada pela Covid-19. Com base em dados de 1.200 pacientes de um hospital em Fortaleza, o estudo comparou dois grupos: um tratado com o aparelho e outro com oxigenoterapia convencional.
Utilizando técnicas de inferência causal e pareamento estatístico, os resultados indicam que o uso do Elmo reduz significativamente as chances de intubação. É mais um trabalho que aponta evidências de que o Elmo pode melhorar protocolos clínicos e apoiar decisões em saúde pública.
Mais do que uma resposta emergencial a um momento crítico, o capacete Elmo consolidou-se como um marco da capacidade de transformação da ciência quando orientada pelo interesse público. Ao reunir universidade, setor produtivo e sistema de saúde em torno de um objetivo comum, o projeto não apenas salvou vidas, mas também deixou um legado duradouro de conhecimento, inovação e formação de profissionais preparados para enfrentar desafios complexos.
Na Unifor, essa experiência reafirma o compromisso com uma pesquisa aplicada, colaborativa e conectada às necessidades da sociedade, um caminho que segue inspirando novas soluções para o presente e o futuro da saúde.
Esta notícia está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU, contribuindo para o alcance do ODS 3 – Saúde e Bem-Estar, ODS 9 – Indústria, Inovação e Infraestrutura e ODS 17 – Parcerias e Meios de Implementação.
A Universidade de Fortaleza, reafirma seu compromisso com a vida e a ciência ao protagonizar o desenvolvimento do Capacete Elmo. Ao unir inovação tecnológica e cooperação interinstitucional, a Unifor transforma o conhecimento acadêmico em uma solução disruptiva que salva vidas, fortalece o sistema de saúde e demonstra o poder das parcerias entre universidade, setor público e indústria para superar desafios globais.